quarta-feira, março 30, 2005

TIFFANY

I think we're alone now There doesn't seem to be anyone around



Tudo o que sempre quis saber sobre a Tiffany e nunca teve pachorra para perguntar. Cá vai:

Tiffany Renee Darwish nasceu a 2 de Outubro de 1971, nos EUA, e desde cedo mostrou as suas aptidões vocais (isto é relativo, como devem calcular). Foi como cantora country que a jovem Tiff deu os primeiros passos na música. Acompanhou gente famosa e a certa altura foi descoberta por um tal George Tobin. Este senhor, que era produtor/empresário, haveria de comandar e dominar a carreira da miúda nos anos seguintes.

Tiffany não tinha completado 16 anos quando surgiu o seu primeiro álbum, homónimo, de 1987, que contém aquelas duas canções de que todos ainda nos lembramos: I Think We’re Alone Now e Could’ve Been. A primeira foi mesmo o seu maior sucesso no nosso país. O teledisco (que podem recordar AQUI, se tiverem instalado o Real Player) mostrava imagens de Tiffany a cantar num centro comercial, sem palco, com o público à distância de um passo. Foi precisamente uma digressão em centros comerciais o modo encontrado para promover o seu álbum de estreia. Contam os relatos da altura que esta digressão teve um êxito estrondoso ao ponto de provocar autênticas enchentes e problemas graves de segurança nos concertos. Conhecida por “The Mall Girl” (a miúda do centro comercial), Tiffany viu a sua popularidade aumentar vertiginosamente. As miúdas imitavam o seu corte de cabelo, os rapazes até achavam piada àquela ruiva com voz de criança. Estava instalada a tiffanymania.

A loucura americana por esta jovem só encontrou paralelo no Japão, país que, nos anos 80, era um autêntico eldorado para muitos artistas. Podia-se não ter sucesso algum na Europa, podia-se nem sequer ser conhecido nos Estados Unidos – havia sempre o Japão. Ser grande no Japão não era difícil. Já diziam os Alphaville.
A Europa também recebeu Tiffany de braços abertos. Sinceramente não me lembro de alguma vez esta jovem ter pisado os nossos palcos, mas não seria de admirar que o Júlio Isidro a tenha apadrinhado no seu Passeio dos Alegres.

No meio desta tiffanymania, a cantora, ainda menor, lembrou-se um dia de pedir nos tribunais a sua emancipação legal em relação à sua mãe e ao seu padrasto. Estávamos em 1988. Considerada uma espécie de paradigma da jovem bem comportada, Tiffany surpreendeu meio-mundo americano com esta atitude. O seu principal objectivo era controlar o seu próprio dinheiro, que estava à mercê da sua mãe e de uma padrasto em quem não confiava. Na altura, os media exploraram até à exaustão o problema, lançando suspeitas sobre o seu empresário e vasculhando a vida da família. Tempos difíceis, pois então. Curiosamente, o tribunal negou a pretensão de emancipação, mas concedeu-lhe o controlo sobre as suas contas bancárias a autorizou-a a ir viver com a avó.

O segundo álbum, Hold An Old Friend's Hand, surgiu ainda em 1988, e teve como primeiro single nos EUA, All This Time. No estrangeiro, o primeiro single escolhido para lançamento foi Radio Romance. Sinceramente, não me recordo de qualquer uma destas duas canções, o que não deve servir de indicador de coisa nenhuma, pois o seu sucesso por todo o mundo e arredores continuou.

Num digressão americana, em 1989, teve como companhia nas primeiras partes dos concertos uns tais... não sei se conhecem... New Kids On The Block. Este facto revestiu-se de especial importância por boas e más razões: se, por um lado, deu uns beijos e sabe-se lá que mais com Jon Knight, um dos New Kids, por outro, acabou a digressão a fazer as primeiras partes desta boy-band, cuja popularidade, na altura, foi comparada, à dos Beatles nos anos 60. Conclusão: tudo tem o seu preço.

Ainda em 1989, Tiffany ainda arranjou tempo para fazer a voz de Judy Jetson, no filme de animação, The Jetsons: The Movie.

A década de 80 dava os últimos suspiros e, com ela, também a tiffanymania. No mínimio estranho para quem nem sequer tinha 20 anos.

Em 1990, então com 19 anos e afastada do seu produtor de sempre, George Tobin, Tiffany lançou o álbum New Inside, numa tentativa de dar um novo rumo à sua carreira. Esse rumo foi, no entanto, sempre a descer: o álbum passou totalmente despercebido. Os tempos de I Think We’re Alone Now já faziam parte da história e essa, como todos sabemos, nunca se repete. Nos anos seguintes, a ruiva voltou para o seu empresário, experimentou o mundo das drogas (como qualquer artista decadente que se preze), recuperou, casou-se e teve um filho.

Em 1993, lançou o álbum Dreams Never Die apenas na Ásia, o que faz deste LP uma autêntica raridade. Seguiu-se uma digressão bem sucedida. Os fãs asiáticos nunca a desiludiram. Pelo contrário, o seu empresário/produtor George Tobin deu-lhe uma facadinha nas costas ao gravar temas seus com outra banda, antes de voltarem a colaborar os dois. Já com novo empresário, em 1995, Tiffany lançou o best of, mais uma vez apenas na Ásia.



Os seus fãs europeus e americanos teriam de esperar até 2000 para verem, finalmente, um novo álbum de originais, intitulado The Color Of Silence. Em 2002, Tiffany aumentou o seu número de fãs ao surgir na edição de Abril da Playboy. Uma boa opção, na minha humilde opinião. Se não acreditam, procurem pela net, que as fotos andam por aí. Quem não ficou seu fã, de certeza, foi o seu marido, de quem se divorciou, após 10 anos de casamento. Em 2003 voltou aos palcos, ou melhor, aos pequenos palcos de discotecas, casinos e afins, tendo conhecido em Inglaterra o seu segundo marido, com quem casou no ano passado (2004).

Tiffany pode já ser apenas uma recordação teenager para a maioria de nós, mas a ruiva ainda anda por aí a cantar I Think We’re Alone Now.

sábado, março 26, 2005

Bands Reunited na VH1

Sábado, 26

12:00 Bands Reunited: The English Beat
13:00 Bands Reunited: Frankie Goes To Hollywood
14:00 Bands Reunited: ABC
15:00 Bands Reunited: Kajagoogoo
16:00 Bands Reunited: Flock Of Seagulls
17:00 So 80's
18:00 Bands Reunited: New Kids On The Block
19:00 Bands Reunited: Berlin
20:00 Bands Reunited: Scandal
21:00 Bands Reunited: Backstage Pass
22:00 Bands Reunited: Vixen

Domingo, 27

15:00 A-Z of the 80's

sexta-feira, março 18, 2005

DURAN DURAN: 24 de Maio no Coliseu dos Recreios!



O Queridos Anos 80 tem a honra de ser o primeiro blogue português dedicado à música dos anos 80 a emitir a partir da área metropolitana do Porto a anunciar em primeira mão a vinda a Portugal dos Duran Duran, mais propriamente ao Coliseu dos Recreios, no dia 24 de Maio. Vocês não vão faltar! Eu também não!

sexta-feira, março 11, 2005

Toque para telemóvel

O início de Wishing dos A Flock Of Seagulls. Clicar aqui. Se o link deixar de funcionar, façam o favor de avisar!

quarta-feira, março 09, 2005

What band from the 80s are you?

Acabei de saber que se eu fosse uma banda dos anos 80, seria os... Pixies! Façam também vocês o teste. É de borla.

Ah, encontrei o link no Escrita Fina.

thepixies.jpg
You rule. in 15 years, you won't be as known as you
are now, but most of the people that will know
you then will like you (or else I'll beat them
with a stick). You're nice to listen to.


What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

terça-feira, março 08, 2005

O que elas têm em comum é...



O que Tiffany, Debbie Gibson e Belinda Carlisle têm em comum, para além de terem feito carreira musical com maior ou menor sucesso nos anos 80, é o facto de terem decidido posar para a Playboy após tantos anos de estagnação criativa.

Penso que não haverá melhor maneira de celebrar o Dia Internacional da Mulher do que prestar aqui homenagem a estas três meninas que decidiram revelar os seus atributos tal como vieram ao mundo. Em nome da arte, claro. Nada de exploração sexual da mulher na sua vertente “objecto-sexual”. Nada disso!

A primeira a desinibir-se foi Belinda Carlisle, materializando finalmente aquilo que vinha a repetir há anos: heaven is a place on earth. O céu é mesmo um lugar na terra, mais propriamente na edição de Agosto de 2001 da revista que-qualquer-homem-já-folheou-pelo-menos-uma-vez.

Seguiu-se-lhe, em Abril de 2002, Tiffany, a menina que cantava I think we're alone now. Nem quero imagina o que muito adolescente não fará sozinho com esta edição da Playboy.

Finalmente, na edição actual, de Março de 2005, surge Debbie Gibson, que, aos 34 anos, ainda parece uma teenager inconsciente. Ao contrário de Belinda e Tiffany, Debbie não teve direito à capa. Não se pode ter tudo.

O Queridos Anos 80 irá dedicar-se nos próximos dias a vasculhar a vida e a carreira musical destas três meninas. Apareçam.

sexta-feira, março 04, 2005

The Exploited

Third world countries starved of nutrition, Look to the west to end their starvation



Logo mais à noite, no Hard Club,(V. N. Gaia) os The Exploited não vão trazer grandes novidades para além daquela que já todos sabemos: o punk não morreu. OK, têm um álbum que data de 2003, cujo singelo título, Fuck The System, podia muito bem ser adoptado por alguns dirigentes da Superliga. Em 2004 editaram o primeiro DVD da sua carreira, intitulado Beat 'Em All, e a compilação dos seus maiores êxitos, 25 Years Of Anarchy & Chaos - The Best Of. Quem disse que a anarquia não pode, aqui e ali, colaborar com as leis do mercado audiovisual???

Com efeito, os Exploited estão vivos e tenho uma curiosidade tremenda de aparecer logo no Hard Club só para ver do que é feito o punk em pleno século XXI. Obrigações familiares e, valha a verdade, um certo receio pela minha integridade física (estes 34 aninhos querem-se bem conservadinhos) fazem-me desistir da ideia. Mas, contudo, todavia... nunca se sabe.

A minha relação com esta banda punk britânica começou por volta de 1985 com o álbum Horror Epics, cuja canção-título é para mim um dos grandes temas da década. Depois, tentei descobrir o que estava para trás, dentro das limitações financeiras próprias de um jovem urbano-depressivo de 15 anos que escrevia na capa da escola "Punk's Not Dead" e espetava o cabelo na esperança que o chamassem "punque".

Conheci o primeiro álbum da banda, Punk's Not Dead (claro!), de 1981, do qual fazia parte Sex And Violence, um tema indescritível, cuja letra não era mais do que a repetição até à náusea do título da música. Se tiverem a oportunidade de fazer o download da Net, não hesitem. Vale pela curiosidade.

Resta-me acrescentar a este artigo a necessária e sempre rigorosa vertente histórico-enciclopédica (ah, pois é):

Os The Exploited surgiram em 1980, em Edinburgh, capital da Escócia. A sua formação original era composta por: Wattie Buchan (voz), Big John Duncan (guitarra), Dru Stix (bateria) e Gary McCormack (baixo). A sua atitude sempre se destacou por uma forte crítica em relação às instituições políticas e sociais, cujos alvos predilectos eram, obviamente, os chefes de governo americano e britânico, Reagan e Thatcher, respectivamente. Os concertos da banda eram autênticos campos de batalha, durante os quais valia tudo menos tirar olhos. E daí... (estão a ver por que é que eu não acho boa ideia ir ao Hard Club?).

Durante duas décadas os The Exploited levaram com gás lacrimogéneo da polícia alemã, foram expulsos da Holanda, presos em Espanha, declararam as ilhas Malvinas (Falklands) como posse da coroa britânica enquanto actuavam na... Argentina. Enfim... a vida é bela e o punk faz parte dela.

Fica a discografia de álbuns:
Punk's Not Dead (1981)
Troops Of Tomorrow (1982)
Let's Start A War (1983)
Horror Epics (1985)
Death Before Dishonour (1987)
The Massacre (1990)
Beat The Bastards (1996)
Fuck The System (2003)

Duran Duran em Espanha

Ora aqui está uma notícia que pode transformar para melhor a existência dos fãs dos Duran Duran. O grupo de Simon Le Bon e companhia faz parte do cartaz do Summer Festival de Santander, dias 8 e 9 de Julho. Recebi a notícia por e-mail (obrigado, Luís Ventura) e podem lê-la aqui.

Entretanto corre por aí um boato dando conta da vinda do grupo a Portugal ainda este ano. Será?

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Sem tempo

Isto anda um bocado parado, mas o tempo tem-me virado as costas. Voltarei em breve com força.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Trinta e quatro

Porque é uma data importante, decidi partilhá-la convosco. Nasci há 34 anos. Obrigado, D. Gravelina e Sr. José, estou a gostar disto.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

We've got tonight, who needs tomorrow?



No Dia dos Namorados, o QA80 encerra mais uma sondagem, também ela muito participada. Após 127 cliques, Kenny Rogers e Sheena Easton foram considerados "A Dupla Mailinda" com o tema We've Got Tonight. Fica bem neste dia e pode servir, quem sabe, de inspiração para alguns. Eu, por mim, recuso-me a festejar porque Dia dos Namorados é quando um homem quiser (e uma mulher também, já agora, que dá um certo jeito).

A classificação final ficou assim ordenada:

1. Kenny Rogers & Sheena Easton - 24% (31)
2. Peabo Bryson & Roberta Flack - 17% (22)
3. George Michael & Aretha Franklin e Shane McGowan & Kirsty McColl - 10% (13)
5. Kylie Minogue & Jason Donovan - 9% (12)
6. Bryan Adams & Tina Turner, Diana Ross & Lionel Richie e Bonnie Tyler & Todd Rundgren - 8% (10)
9. Joe Cocker & Jennifer Warnes - 3% (4)
10. Phil Collins & Marylin Martin - 2% (2)

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Os meninos, as meninas e o amor

Todos ao monte e fé em Deus. É este o lema de mais uma sondagem com a marca de qualidade QA 80. O dia em que Cupido faz das suas está a chegar e eu proponho-vos a eleição da dupla "mailinda". Seja a canção em si, seja o parzinho que fica muito bem, seja aquilo que a canção nos disse num determinado momento da vida. Sejamos românticos. Não tenhamos vergonha de o dizer! Eis a lista! Votar é ali ao lado!

Kenny Rogers & Sheena Easton We’ve got tonight
George Michael & Aretha Franklin I knew you were waiting
Joe Cocker & Jennifer Warnes Up where we belong
Phil Collins & Marylin Martin Separate lives
Kylie Minogue & Jason Donovan Especially for you
Shane McGowan & Kirsty McColl A fairytale of New York
Bryan Adams & Tina Turner It’s only love
Peabo Bryson e Roberta Flack Tonight I celebrate my love
Diana Ross e Lionel Richie Endless love
Bonnie Tyler e Todd Rundgren Loving you’s a dirty job

Falta aqui aquele dueto que por acaso é o seu preferido? Não há problema! Proteste nos comentários! I'll handle it!

quarta-feira, janeiro 19, 2005

ROBERT PALMER

Your lights are on but you're not home, your mind is not your own



Robert Allen Palmer Iniciou-se na música em finais dos anos 60, ainda adolescente, mas foi na década seguinte que se tornou conhecido a nível internacional. Primeiro com os Vinegar Joe, até 1974, e depois numa carreira a solo que o iria levar com sucesso moderado até meados dos anos 80.

Em 1985, juntou-se a John Taylor, Andy Taylor (os dois dos Duran Duran) e Tony Thompson (Chic) para formar os Power Station. Some Like It Hot e Get It On são as canções de referência deste grupo, desde o início destinado a ser apenas um projecto para um álbum. A presença do grupo no Live Aid dá-se com um novo vocalista, uma vez que uma disputa judicial tinha levado à saída de Palmer alguns dias antes.



Foi em 1986, que uma só canção valeu por quase toda uma carreira. Estou a falar de Addicted To Love, que atingiu o primeiro lugar do top norte-americano, e cujo teledisco ficou para a história. Palmer fartou-se de ganhar prémios à custa desta canção. Em 1988 o sucesso voltou a bater-lhe à porta, desta vez com a canção Simply Irresistible. Na década de 90 Robert Palmer não conseguiu manter o nível de popularidade. Os Power Station regressaram em 1996 com um álbum que passou quase despercebido.

Morreu a 23 de Setembro de 2003, poucos meses depois de ter editado o seu último álbum, Drive. Se fosse vivo, faria hoje 56 anos.

sábado, janeiro 15, 2005

Fui às compras


Chama-se Louie Louie e é uma loja de discos recente na cidade do Porto virada para o vinil/CD/DVD usado. Esta loja, situada na Rua do Almada (perto da Pr. da República) está ligada à Carbono de Braga. No Porto, já existia a Piranha (C. Comercial Itália, na R. Julio Dinis), onde faço umas visitas de vez em quando em busca da raridade perdida. A Piranha não aposta tanto no vinil quanto a Louie Louie, mas tem mais raridades em CD.

Fui ontem até à loja cujo nome, apesar de ser tirado de uma música dos The Kingsmen (1963), me faz lembrar uma horripilante música dos Modern Talking. Gostei do espaço organizado e arejado. Gostei também dos preços. Há muita coisa que vale a pena e desconfio que nos próximos tempos vou passar por lá mais vezes. Encontrei por lá aquilo que pensei nunca vir a encontrar, a raridade das raridades: um álbum de uma senhora chamada Ilona Staller, editado 1979. Ah pois é, a Ciciollina foi uma grande artista! E não só nos filmes! (nota: não comprei o álbum)

Serve este post também para vos dar conta dos quatro CDs que comprei (e respectivos preços para que vejam o tipo de pechinchas que se arranja):


All About Eve
Unplugged
6.50 euros

Já tinha dois álbuns deles, mas este unplugged chamou-me à atenção. Sou fã da voz da Julianne Regan, pelo que um concerto acústico dos All About Eve é uma oportunidade excelente de a ouvir na sua plenitude. Este CD contém algumas das minhas preferidas tais como What Kind Of Fool, In The Clouds, Shelter From The Rain e Martha's Harbour.


The Icicle Works
The Best Of
7 euros

Já há muito que tinha vindo a vasculhar a net em busca de alguma coisa dos The Icicle Works para lá da canção Who Do You Want For Your Love. Daí que este best of tenha caído do céu. Já dei uma primeira audição oblíqua no CD e reconheci dois temas para além do anterior citado: Understanding Jane e Evangeline. A descobrir com tempo.


Then Jerico Mark Shaw Etc.,
Alive & Exposed
5 euros

Este CD é uma gravação ao vivo feita em 1992, em Londres, e reúne temas dos Then Jerico e de Mark Shaw Etc., o projecto do vocalista após a dissolução do grupo. Estão cá The Motive, Sugarbox e The Big Area. O CD inclui ainda excertos em vídeo deste concerto. Fiquei surpreendido pela qualidade da voz de Shaw ao vivo. A não ser que tenha havido "aperfeiçoamento" em estúdio, como já ouvi dizer que acontece com muitos álbuns supostamente ao vivo.


Material Voices
A Vocal Tribute To Madonna
7.50 euros

Este CD duplo foi uma grande surpresa para mim, não pelo tributo em si e a quem ele é dirigido, mas pelos artistas nele envolvidos. É um CD de 28 versões a explorar com muito tempo e paciência. Deixo aqui seis exemplos:
Heaven 17 - Holiday
Berlin - Live To Tell
Gene Loves Jezebel - Frozen
Ofra Haza - Open Your Heart
Sigue Sigue Sputnik - Ray Of Light
A Flock Of Seagulls - This Used To Be My Playground

quarta-feira, janeiro 12, 2005

RED BOX

where's the peace and understanding?



A década de 80 foi definitivamente o período das duplas musicais (não confundir com duplas românticas brasileiras originárias do Sertão com vasto cartel em Portugal). Foi uma fórmula de sucesso que produziu alguns dos melhores momentos pop da década e nem vale a pena estar aqui a perder tempo a citar exemplos.

Hoje decidi recuperar os senhores Simon Toulson-Clarke e Julian Close, que eram conhecidos como Red Box. Esta dupla emergiu de uns Red Box mais alargados que surgiram em 1982, nessa altura compostos por cinco elementos. O nome do grupo surgiu após alguns meses de doloroso sofrimento à procura de uma designação que só por si os pudesse catapultar para a fama. Tudo se precipitou quando alguém reparou numa caixa vermelha onde eles guardavam os microfones (esta caixa pertencia aos Slade, que se tinham esquecido dela num concerto). "Red Box", alguém, disse. E assim ficou.

Para quem ainda não está a ver bem a coisa talvez se recorde de dois temas de 1985 intitulados Lean On Me (Ah-Li-Ayo) e For America, que tiveram bastante sucesso no nosso país. For America tinha aquele refrão catchy "In America, urelei, urelei, urelei, urelei, urelei, urelei Ayei, urelei, urelei, urelei, urelei, urelei, USA". Ainda não? OK, eu não quero que vos falte nada.

Ambos os temas fizeram parte do álbum The Circle And The Square (1985), o único a merecer referência na curta carreira dos Red Box, durante a qual nunca conseguiram manter uma relação saudável com a Warner Bros. A editora sempre quis controlar a vida do grupo, quer através de intromissões nas suas opções musicais (não gostavam da sua vertente world music) até à concepção dos telediscos. Tudo serviu para tornar pouco pacífica a existência dos Red Box. No final do teledisco de Lean On Me, vê-se Julian a segurar um quadro onde está escrito "So There" (qualquer coisa como "Aí tens" ou "Cá está"), numa clara indirecta ao tipo que um dia os expulsou do seu gabinete quando o grupo lhe apresentou as suas ideias para o dito teledisco. Acontece.

Depois do álbum, o duo separou-se e Simon foi viver para Itália, num barco, onde pôde curtir a depressão à vontade. Regressaram em 1990, com o single Train. Este tema antecedeu o segundo álbum do grupo Motive, cujo sucesso foi basicamente... nenhum.

Actualmente, Julian é dono da sua própria editora e Simon tem uma banda chamada Plenty, apesar de já ter expressado o desejo de criar um terceiro álbum dos Red Box. Aguardemos.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Lusitânia Pop


Confesso a falha evidente neste pouco mais de um ano de existência e submeto-me humildemente à vossa punição: o Queridos Anos 80 não tem dado a atenção justa e merecida à música portuguesa dos anos 80. Para além de um artigo sobre Manuela Moura Guedes, nada mais. Faço o mea culpa e prometo discorrer sobre os caminhos da pop-rock nacional daqueles tempos. Até porque tenho muito para recordar. Já agora, e a propósito da temática, vale muito a pena visitar este site, para onde vos encaminharei algumas vezes ao longo deste texto.

Vem tudo isto a propósito do facto de hoje ter finalmente aberto um dos porta-luvas do meu carro para finalmente, com coragem, perceber que cassetes ali deixei esquecidas há mais ou menos dois anos. E digo com coragem porque nunca se sabe que tipo de seres estranhos se pode encontrar num porta-luvas esquecido há dois anos. De lá retirei um amontoado de cassetes, entre as quais estava esta preciosidade. Trata-se de uma gravação a que, num dos meus delírios criativos (não sei se também vocês tinham o hábito de dar nomes às vossas cassetes) dei o nome de Lusitânia Pop.

O lado A da cassete é o produto das gravações que fazia do programa de rádio cujo nome tenho quase a certeza que se chamava Banda Lusa e era apresentado pelo Pitta. Corrijam-me se estiver errado. Foi neste programa que comecei a tomar contacto com o que se ia fazendo na chamada música moderna portuguesa, um mundo ainda muito "underground", meio artesanal e bravio, no qual sobrava em genialidade o que faltava em meios. Devo fazer este tributo a este programa de rádio (talvez o Jorge Guimarães Silva possa acrescentar algo sobre isto), ao qual, a par do Blitz, devo quase tudo na minha educação musical (se assim lhe posso chamar). Mas falemos da cassete em questão.

O alinhamento deste lado A começa com duas canções dos Flávio Com F de Folha, uma banda do Algarve e que, no final da década, apresentava um som bastante British. Na altura chegaram a ir à televisão cantar estas duas músicas e tinham duas miúdas a dançar lá atrás. Os Flávio são exemplo claro da fulgurante criatividade (e nalguns casos excentricidade) a que os nomes das bandas podiam chegar. Não me lembro dos nomes destes dois temas. Apenas vos posso transcrever os primeiros versos de cada uma delas:

1. "Quem é que não quer / Ganhar sem perder / Neste carrossel / com sabor a mel / Sempre a rodar"
2. "Não vais levar o medo dos outros / de encontrar o muro / Não vais ficar com ódio dos outros / A sorrir no escuro"

Seguem-se os portuenses Bramassaji, com o tema Sombras Negras (a confirmar), um tema belíssimo cujo refrão diz "Sombras negras / Fazem-me lembrar alguém / Sombras negras / Fazem-me lembrar que não sou ninguém".

A canção número quatro é o já clássico "Mulheres Boas, comendo meloas / Mulheres feias, chupando lampreias" dos grandes Ena Pá 2000 (que dispensam apresentações).

Depois, tenho aqui os Sitiados num som ainda típico de "maquete", com ruído de fundo e tudo. Trata-se de uma canção de inspiração country cujo início diz assim: "Ai o mar, capitão, que está agitado / Ai o barco, capitão, que está a afundar / Ai os ratos, capitão, abandonam o navio". A certa altura João Aguardela vocifera "Não, não não, nunca me engano e raramente tenho dúvidas!". Onde é que eu já ouvi isto?

Os Ritual Tejo surgem a seguir com Lenda do Mar, do álbum Perto de Deus, que eu acabaria por adquirir em CD nos anos 90. Segue-se Alexandre Soares com o seu tema a solo mais conhecido, Luzes de Hotel, que fez parte do seu primeiro álbum a solo. Na altura impressionou-me o facto de ele ter gravado todo o álbum sozinho em casa.

A lado A termina com dois temas dos Ritual Tejo, registos ao vivo de Foram Cardos Foram Prosas e Saudade num qualquer evento que eu não consigo identificar. O vocalista Paulo Costa diz "Boa noite! Esta é especialmente para vocês aqui, junto ao Tejo, Foram Cardos Foram Prosas". Dá pelo menos para perceber que foi de noite e junto ao rio Tejo. Nada mau.

O lado B é ocupado por alguns temas da gravação do vinil de Registos de Música Moderna Portuguesa (1989), se não estou em erro, a úlima edição em vinil de uma colectânea do Rock Rendez Vous. A editora era a saudosa Dansa do Som, sem a qual a música pop-rock portuguesa não seria o que é hoje, digo eu.
O alinhamento na minha cassete é o seguinte:

1. Ânsia - Ritual Tejo
2. Atmosfera - TomCat
3. Desejo - Ecos da Cave
4. A Noite - Sitiados
5. À Noite - Falecido Alves dos Reis
6. Pelas Ruas da Cidade - Margem Sul

Deste álbum, deixei de fora por razões puramente de gosto pessoal os Agora Colora (Mátria) e a Quinta do Bill (Zézé). A úlima música deste lado da cassete é o fabuloso Flores do Vício, dos Der Stil, que fazia parte do 2º Volume de Música Moderna (1986). Nunca mais ouvi falar destes Der Stil.

E foi assim o meu dia: a ouvir esta Lusitânia Pop. Valeu a pena a viagem no tempo.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Tudo menos a rapariga



Apaixonei-me pelos Everything But The Girl por causa deste álbum. E já que estamos numa onda de vozes que emocionam, agora o exemplo é feminino a dá pelo nome de Tracey Thorn. Quanto ao nome deste duo britânico, ele foi "roubado" a uma loja de mobiliário em segunda mão que tinha um anúncio na montra que dizia: "for your bedroom needs, we sell everything but the girl" (para as suas necessidades de quarto, vendemos tudo menos a rapariga).