quarta-feira, agosto 03, 2005

THE LOVER SPEAKS

I used to have demons in my room at night, desire, despair, desire, so many monsters

Há nomes de bandas que me fascinam. A sua música pode passar-me completamente ao lado, posso, inclusive, nem sequer ter escutado alguma vez uma nota sequer do som dessa banda. O nome não esqueço. Lembro-me, por exemplo, dos And Also The Trees (E Também As Árvores) ou então dos Mighty Lemon Drops (Poderosos Rebuçados de Limão). Já agora, acho que nunca ouvi nada dos primeiros, mas os segundos foram uma das minhas “bandas de adolescência”. Qualquer dia falo deles e do álbum World Without End.

Voltando à questão dos nomes, há aquelas bandas cuja designação é uma oração gramatical (aquilo que normalmente se conhece por frase). O exemplo mais flagrante são os Frankie Goes To Hollywood. A estes podemos acrescentar: Johnny Hates Jazz, Curiosity Killed The Cat, It Bites, Pop Will Eat Itself e... The Lover Speaks.

É sobre essa obscura banda, da qual pouco se sabe, chamada The Lover Speaks, a razão deste post. Antes de mais, ficam os meus amigos a saber que se tratava de um duo composto por David Freeman e Joseph Hughes, ex-membros de uma banda punk de finais dos anos 70 chamada The Flys. Decidiram criar o grupo em 1985 e dar-lhe a designação de The Lover Speaks a partir de um excerto do livro A Lover’s Discourse – Fragments, de Roland Barthes. O excerto diz: “And it is the lover who speaks and who says... I am engulfed…”. Começaram por enviar uma demo a Dave Stewart (Eurythmics), que, por sua vez, a enviou a Chryssie Hynde (Pretenders), que, por sua vez, a entregou ao produtor Jimmy Iovine. Um final feliz, pois Iovine viria a ser o produtor do álbum de estreia.



Esse album, homónimo, foi o único da carreira dos TLS e ficou na história da música pop graças a esse tema belíssimo chamado No More I Love You’s, que podem escutar, ali ao lado, na radio-blog QA80 (aqui têm a letra). Em 1995, a “deusa” Annie Lennox decidiu fazer uma versão do tema, mas, apesar de eu gostar muito da Annie, o original tem uma força muito difícil de igualar. E, curiosamente, apenas chegou ao 58º lugar do top do Reino Unido.

Quando perguntaram a David Freeman a sua opinião sobre a versão de Annie Lennox, ele respondeu: “Tanto eu como o meu contabilista gostamos muito da versão da Annie”. Eu, no lugar dele, não diria melhor: é que só passados 10 anos, graças à versão de Lennox, o original se tornou rentável...

Em 1988, o duo separou-se, apesar de ter finalizado a gravação do segundo álbum, The Big Lie, que nunca viria a ser editado devido a divergências com a editora. Depois da dissolução dos The Lover Speaks, David Freeman editou uma série de álbuns a solo através de editoras independentes e compôs música para outros artistas.

terça-feira, agosto 02, 2005

radio.blog

A radio.blog do Queridos Anos 80 é hoje inaugurada, depois de algumas dores de cabeça na configuração da coisa. Foi uma ideia que "tirei" do Planeta-Pop, que, caso não saibam, é um dos melhores blogs portugueses sobre música. A radio.blog é um serviço streaming, o que não possibilita o download da música.

A playlist da radio.blog QA 80 terá sempre 3 músicas, que estarão relacionadas com os posts mais recentes. Basta clicar uma vez na música e esperar que ela carregue. É claro que as ligações de banda larga estão em vantagem. Espero que apreciem.

terça-feira, julho 12, 2005

5 canções

O Freddy desafiou-me. Cá vão cinco cançonetas que, neste momento, me põem a reflectir sobre a beleza da vida, da natureza, das crianças, da amizade e da Carmen Electra, entre outras coisas.

A ordem "num tem nada a bêr":

>>> The Killers - Mr. Brightside
>>> Eskobar & Emma Daumas - You Got Me
>>> Lemar - If There's Any Justice
>>> Alter Bridge - Open Your Eyes
>>> Bee Gees - How Deep Is Your Love

As regras do jogo impõem que agora eu desafie cinco pessoas. Sendo assim, venon, Astronauta, Jorge Guimarães Silva, sónia e Pedro, considerem-se oficialmente desafiados a revelarem cinco músicas que estejam a ouvir com maior insistência por esta altura. Atenção que não são as vossas cinco músicas preferidas de sempre, mas aquelas que neste momento ouvem mais no carro, em casa, no trabalho, etc... O texto original diz assim:

«List five songs that you are currently digging. It doesn't matter what genre they are from, whether they have words or even if they're any good but they must be songs you're really enjoying right now. Post these instructions, the artist and the song in your blog along with your five songs. Then tag five other people to see what they're listening to.»

segunda-feira, julho 11, 2005

RUSS BALLARD



Neste passado fim-de-semana, andei por terras do Douro, entre churrascos e muita cerveja a acompanhar. O Douro está lindo como sempre, mas o céu por estes dias é cada vez mais um todo cinzento-acastanhado, devido aos fogos que um pouco por todo o lado vão teimando em aparecer. É óbvio que o Russ Ballard não tem culpa da saga pirómana que o nosso país atravessa, mas o que é certo é que o seu maior êxito, Fire Still Burns, pode muito bem já ter servido de inspiração a qualquer criminoso das nossas matas e pinhais. Só por isto, e ainda pela mania de nunca se separar dos óculos de sol, que lhe dão aquele ar de Cliff-Richard-de-esplanada-xunga, acho que o Russ deveria ser responsabilizado e chamado à barra dos tribunais.



Andei a pesquisar um pouco sobre este cantor. Nasceu em Inglaterra, em 1965, e foi líder dos Argent, uma banda dos anos 70, cujo maior êxito se chama God Gave Rock and Roll to You. A sua carreira a solo ocorreu em simultâneo com a actividade de compositor para vários artistas. Em 1986, surgiu então o álbum Fire Still Burns, que inclui a faixa com o mesmo nome.

sexta-feira, julho 08, 2005

Dia Mundial da Alergia



Não é Alegria, pessoal, é A-L-E-R-G-I-A. É hoje celebrado o primeiro Dia Mundial da Alergia. O QA80 revela uma das suas piores alergias musicais: os senhores da foto, mundialmente conhecidos por Modern Talking, ou Conversa Moderna, para quem não percebe inglês. Tiveram muito êxito por essa Europa fora, mas a culpa não é minha, juro-vos.

Quando ouço Modern Talking, posso apresentar um quadro clínico de ultra-irritação psico-fisiológica. Começam-se-me a aparecer na pele uma bolhas de tom rosado, que, aos serem espremidas, soltam um líquido verde-alface. As unhas dos pés desenvolvem cravos e as sobrancelhas ficam encaracoladas. Para além disso, tenho tendência a desenvolver os meus instintos mais sádicos e, então, não é estranho verem-me a colocar formigas no congelador e observar como gelam ao caminhar.

quinta-feira, julho 07, 2005

LONDON CALLING



London calling to the faraway towns
Now war is declared - and battle come down
London calling to the underworld
Come out of the cupboard,you boys and girls
London calling, now don't LECTURE us
Phoney Beatlemania has bitten the dust
London calling, see we ain't got no swing
'Cept for the reign of that truncheon thing

The ice age is coming, the sun is zooming in
Meltdown expected, the wheat is growing thin
Engines stop running, but I have no fear
Cause London is drowning - I live by the river

London calling to the imitation zone
Forget it, brother, you can go at it alone
London calling the zombies of death
Quit holding out - and draw another breath
London calling - and I don't wanna shout
But while we were talking I saw you running out
London calling, see we ain't got no high
Except for that one with the yellowy eyes

The ice age is coming, the sun is zooming in
Engines stop running, the wheat is growing thin
A nuclear error, but I have no fear
Cause London is drowning - I, I live by the river

Now get this
London calling, yes, I was there, too
An' you know what they said? Well, some of it was true!
London calling at the top of the dial
And after all this, won't you give me a smile?
London Calling

I never felt so much ALIVE ALIVE ALIVE ALIVE

segunda-feira, julho 04, 2005

Quem é ele?

Live 8 (VIII)

Os A-ha mostraram que ainda estão aí para as curvas, mas o Morten Harket dá-se mal com auriculares. Para além disso, tem uma postura em palco demasiado fria e distanciada. Não gostei.

Já a Annie Lennox mostrou por que razão é a minha voz feminina de eleição dos anos 80. Aquela interpretação de Why foi de se me arrepiar a espinha!

Live 8 (VII)

Os Pink Floyd não me aquecem, nem me arrefecem, mas reconheço que o Wish You Were Were é uma boa canção, que é, sim senhor. O momento foi histórico pela presença do Rogério Águas em palco, mas o senhor está acabadito, e a sua voz revela sinais preocupantes de extinção. Pior, pior foi o Brian Wilson, numa actuação algo... surreal.

(surreal: palavra muito em voga quando se quer dizer mal, mas de modo a não ferir os sentimentos das pessoas de bem)

Live 8 (VI)

Achei a Madonna numa forma excelente. Aquela mulher é mesmo uma senhora com H grande. E foi, talvez a par do Robbie Williams e dos Pink Floyd, o momento mais intenso do dia.

Live 8 (V)

O Bill Gates subiu ao palco, não para anunciar a oferta de software da Microsoft às escolas carenciadas de África, mas para ler, assim de soslaio, um texto com palavras muito "bonitas" e cheias de "significado". O texto até pode ser um bom texto, mas aquela imagem dele a olhar de lado para o monitor descredibiliza. A seguir, apresentou a insossa Dido, uma "apresentação feita em formato Windows XP", como disse o Pedro Ribeiro.

Mais naturais e convincentes nas suas declarações estiveram o Brad Pitt e a Angelina Jolie. Estão bem um para o outro, sim senhor.

Live 8 (IV)

Fiquei no mínimo furioso por não terem transmitido em directo a actuação de uma das minhas bandas preferidas do momento, os The Killers (que, já agora, têm muito de eighties). Por momentos senti um desejo incontrolável de esquartejar metodicamente o Pe. Vítor Melícias e o Fernando Girão (num sentido figurado, claro).

Live 8 (III)

Os Duran Duran tocaram benzinho, mas o público não foi na onda. Foi pena, porque estes tinham estado no outro e a cena era mais ou menos simbólica. No refrão de Save A Prayer, o Simon bem esticou o micro na direcção do povo, mas o povo não retribuiu. Ó Simon, no Coliseu dos Recreios nem precisavas de cantar!

PS - O John Taylor não tem outro casaco?

Live 8 (II)

Não tenho nada contra o senhor, mas o Bob Geldof pareceu-me assim um bocadito para o cadavérico, não? Ou serei eu a implicar com as segundas-feiras?

Live 8 (I)

O Pedro Ribeiro é, para mim, cada vez mais uma referência da rádio e da televisão. Tem a sobriedade necessária, à qual adiciona um sentido de humor perspicaz e desconcertante, tudo isto nos momentos certos. Foi pena a Margarida Pinto Correia, mas "prontos", não se pode ter tudo. Alguém se importa de dizer à senhora que Live Aid se pronuncia /laiv eid/ e não /laiv ed/? E, já agora, era mesmo necessária a forma como saiu aquela pergunta ao senhor de óculos? A pergunta foi: "Como é que lida com a impotência?".

domingo, junho 05, 2005

Dia Mundial do Ambiente



PIXIES
Monkey Gone To Heaven (1989)

There was a guy
An underwater guy who controlled the sea
Got killed by ten million pounds of sludge
From New York and New Jersey

This monkey's gone to heaven (x4)

The creature in the sky
Got sucked in a hole
Now there's a hole in the sky
And the ground's not cold
And if the ground's not cold
Everything is gonna burn
We'll all take turns
I'll get mine, too

This monkey's gone to heaven (x4)

Rock me Joe

If man is 5 (x3)
Then the devil is 6 (x4)
And if the devil is six
Then god is 7 (x3)

This monkey's gone to heaven (x4)

quinta-feira, junho 02, 2005

TONY HADLEY (45)



Se me perguntassem os nomes dos cinco melhores cantores dos anos 80, talvez levasse algum tempo a escolher, mas Tony Hadley teria lugar cativo entre os eleitos. Não há volta a dar: o ex-vocalista dos Spandau Ballet canta "pró mundial", como se diz aqui na minha rua.

Tony Hadley completa hoje 45 anos. Fundou os Spandau Ballet em 1978, com Martin Kemp, Gary Kemp, John Keeble e Steve Norman. Durante a década de 80, lideraram a pop mundial na sua vertente "new romantic", tendo "apenas" como grandes rivais uns tais de Duran Duran... (isto para falar de bandas com mais de 3 elementos).


O cabeleireiro destes gajos é um show!

Em 1990, os Spandau Ballet "eram" e Tony Hadley seguiu o seu caminho a solo, mas sem nunca atingir o sucesso da ex-banda. Começou por gravar The State Of Play, em 1992. Fundou a sua própria empresa discográfica e lançou o single Build Me Up (1986). Em 1997 lançou um álbum homónimo que mistura versões e originais. Entre as versões encontram-se Save A Prayer (Duran Duran), Wonderful Life (Black), Slave To Love (Bryan Ferry) e Woman In Chains (Tears For Fears). Para ouvir um bocadinho de cada, é favor clicar aqui e depois no álbum Tony Hadley.

Seguiu-se um álbum ao vivo chamado Obsession (2000) e ainda no mesmo ano, lançou Debut, um duplo que apresenta a sua primeira prestação a solo na alemanha. A sua actividade musical tem-se estendido à música de dança, em colaborações com vários Djs. De igual modo, mantém uma actividade ao vivo bastante assídua, sendo que John Keeble, o baterista dos Spandau, faz parte da sua banda actual. Em 2004 e 2005 lançou os registos CD/DVD das digressões que efectuou com os Go West e Martin Fry (ABC) respectivamente.

Hadley já visitou o nosso país por mais do que uma vez, mas quem tiver vontade de o revisitar ao vivo e estiver para os lados de Espanha pode assistir a um dos concertos da digressão espanhola que vai juntar Tony Hadley, Go West, ABC e Paul Young. As datas e as cidades confirmadas (há outras por confirmar) são as seguintes:
30 de Junho - Pavilhão Olímpico de Badalona (Barcelona)
1 de Julho - Múrcia
4 de Julho - Alicante
5 de Julho - Valencia
7 de Julho - Madrid

"Se eu fosse um Duran..." era JOHN TAYLOR



Eu tinha um palpite que o John Taylor acabaria por ser eleito como o membro dos Duran Duran no qual não nos importaríamos de reencarnar numa futura existência. E só encontro uma razão para tal resultado: AS GAJAS! ELE CONTROLA AS GAJAS TODAS! O motivo é um bom motivo, não haja dúvida. É curioso que o primeiro lugar andou durante muito tempo bastante incerto, com mudanças constantes, mas foi a partir do concerto no Coliseu dos Recreios que John Taylor "se chegou à frente" e Nick Rhodes abandonou a luta pelo primeiro lugar. Haverá alguma relação?

Esta sondagem serviu também para confirmarmos o fosso existente entre John Taylor, Simon Le Bon e Nick Rhodes e os outros dois. Quase que me atreveria a dizer que Roger e Andy seriam perfeitamente dispensáveis, mas não o digo por receio de represálias das facções mais duras dos Duranies. Há clubes de fãs com quem nos podemos meter, mas não com os Duranies, que são uns durões.

Muito obrigado pelas participação (241 votos!) e aqui fica a classificação final:

1. John Taylor - 33% (80 votos)
2. Simon Le Bon - 31% (75)
3. Nick Rhodes - 25% (61)
4. Roger Taylor - 6% (15)
5. Andy Taylor - 4% (10)

quarta-feira, maio 25, 2005

Ontem, Duran Duran, no Coliseu (ou as "careless memories" de quem ainda não acredita)



Esta é a melhor foto do concerto de ontem à noite dos Duran Duran no Coliseu dos Recreios pela simples razão que fui eu que a tirei com o meu telemóvel. É minha e de mais ninguém. Por isso é a melhor. Para além disso vê-se perfeitamente ao centro o Simon Le Bon a cantar, ao seu lado esquerdo, com o braço no ar, o John Taylor, algures do seu lado direito, o Andy Taylor de óculos escuros, lá atrás, do lado esquerdo, o Roger Taylor na bateria, e do lado direito o Nick Rhodes de branco. Ah, e como podem ver, os focos por cima do palco funcionaram muito bem. Melhor visão não há.

Os Duran Duran estão em excelente forma. E nem mesmo o pormenor do Simon, no início, ter virado as costas ao público para apertar a braguilha, ou a sua azelhice na matemática, ou a sua falta de queda para a dança pode ensombrar a prestação. A sua voz está 5 estrelas. Nem mesmo a camisa toda suada do John Taylor no final, em contraste com o estilo evidenciado no início (bonito casaco!). Nem mesmo a pose de rockeiro pós-junkie de Andy Taylor. Nem mesmo a ausência de Electric Barbarella e Is There Something I Should Know da lista. Os Duran Duran deram show e deixaram em todos nós a sensação de que o tempo (quase) não passou. "We are a family, I've got all my brothers with me", cantou Simon, e com razão.