quarta-feira, março 29, 2006

Godley & Creme

you don't know how to ease my pain, you don't know



Kevin Godley e Lol Creme entraram para a história dos telediscos (videoclips para a malta mais moderna) com Cry, que, para além de ser uma belíssima canção, mostrava pela primeira vez um efeito-especial chamado morphing, que consiste na transição gradual de uma imagem para outra, um efeito bastante bem conseguido quando se trata de imagens de rostos humanos. Estávamos em 1985 e a sucessão de caras em que consistia o teledicso do Cry deixou o mundo espantado e, já agora, apaixonado pela música. É esse video que vos trago hoje. É só clicar ali ao lado.

São vários os exemplos de competência desta dupla no que diz respeito à realização de telediscos. Só para terem uma ideia, realizaram, entre outros, Girls On Film e A View To A Kill (Duran Duran), Every Breath You Take (The Police), Relax [versão 3], Two Tribes e The Power Of Love [versão 1] (Frankie Goes To Hollywood), If You Love Somebody (Set Them Free) (Sting), Rockit (Herbie Hancock) e Don't Give Up [versão 1] (Peter Gabriel & Kate Bush). Podem ver a lista completa aqui.

Em termos puramente musicais a carreira de Godley & Creme começou em 1970, integrando os 10cc (da canção I'm Not In Love). Mas foi como inventores de um aparelho chamado "Gizmo" (conferia novos sons e efeitos à guitarra eléctrica) que os dois músicos começaram por se destacar como dupla musical. Editaram sete álbuns entre 1977 e 1988. O tema Cry faz parte do álbum The History Mix Volume 1 (1985).

YOU SPIN ME ROUND (II) - Sabrina, Lennox e Dayne na próxima fase



Sabrina Salerno convocou todos os Boys, Boys, Boys e ganhou o grupo com alguma facilidade. Apenas no final Annie Lennox conseguiu aproximar-seu, mas já não foi a tempo de alcançar o primeiro lugar. A discussão pelo terceiro lugar que dava acesso à próxima fase foi mais renhida. Os cabelos loiros de Taylor Dayne levaram a melhor sobre a excentricidade de Nina Hagen e a pele morena de Tanita Tikaram. Eis os resultados finais:

Votos: 102
1. Sabrina - 30 (29%)
2. Annie Lennox - 24 (24%)
3. Taylor Dayne - 13 (13%)

4. Nina Hagen - 11 (11%)
5. Tanita Tikaram - 10 (10%)
6. Sheila E. e Siobhan Fahey - 7 (7%)

O grupo III já está online. Lembro que apenas devem votar numa menina, a vossa preferida. Todos os votos que surgirem com mais do que uma hipótese não serão contabilizados. Obrigado por participarem.

Histórico:
Apresentação
Grupo I

quarta-feira, março 22, 2006

YOU SPIN ME ROUND (I) - Kate Bush, Debbie Gibson e Neneh Cherry



Kate Bush é a grande vencedora do primeiro grupo concorrente à eleição You Spin Me Round (ou, em versão portuguesa, "Passo-me Contigo, Miúda"). Foi uma vitória claríssima, que deixou as restantes concorrentes a uma boa distância. Apuradas para a fase seguinte estão também Debbie Gibson e Neneh Cherry. Não saberemos nunca se o facto de Gibson ter posado recentemente para a Playboy teve alguma influência nesta votação. Eis os resultados finais:

Votos: 103
1º: Kate Bush - 46 (45%)
2º: Debbie Gibson - 18 (17%)
3º: Neneh Cherry - 16 (16%)

4º: Carly Simon - 9 (9%)
5º: Alison Moyet - 7 (7%)
6º: Carol Decker - 6 (6%)
7º: Diana Ross - 1 (1%)

O segundo grupo já está online. Obrigado pela participação.

terça-feira, março 21, 2006

Dia Mundial da Floresta



A Forest

Come closer and see
See into the trees
Find the girl
If you can
Come closer and see
See into the dark
Just follow your eyes
Just follow your eyes

I hear her voice
Calling my name
The sound is deep
In the dark
I hear her voice
And start to run
Into the trees
Into the trees

Into the trees

Suddenly I stop
But I know it's too late
I'm lost in a forest
All alone
The girl was never there
It's always the same
I'm running towards nothing
Again and again and again and again


(Teledisco online)

segunda-feira, março 20, 2006

Words Don't Come Easy (V)



Estou apaixonado por ti, miúda, porque estás no meu pensamento
És aquela em que eu penso quase sempre
E quando sorris em tudo o que fazes
Não percebes, miúda, este amor é verdadeiro
És macia, suculenta, tão doce e elegante
É uma espécie de visão na tua pele
Ilumina o meu dia e isso é tão verdade!
Juntos somos um, separados somos dois
Fazer com que sejas minha, completamente minha é o meu desejo
Pois tens uma qualidade que eu admiro
És bastante sincera e simples
dominas o meu mundo
por isso tenta compreender

Estou apaixonado, miúda
Estou tão apaixonado, miúda
Estou apenas apaixonado e isto é verdade

Miúda, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te
Sim, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te
Miúda, sabes que é verdade
O meu amor é para ti
Miúda, sabes que é verdade
O meu amor é para ti

Isto é uma coisa, miúda, que não sei explicar
As minhas emoções despertam quando ouço o teu nome
Talvez a tua voz doce toque no meu ouvido
e então atrase o meu sistema quando estás por perto.
Traz a tua emoção positiva, amor, fazendo desfrutando
É para mim como rebentar, é como uma miúda e um rapaz
Estes sentimentos que tenho por vezes interrogo-me
por isso pensei que pudéssemos falar disto os dois, miúda, só tu e eu
O que trazes vestido não me interessa, como já disse
A única razão por que gosto de ti, miúda, é por seres quem és
Se eu dissesse, iria pensar sobre isso
tu dominas o meu mundo
por isso tenta compreender

Estou apaixonado, miúda
Estou tão apaixonado, miúda
Estou apenas apaixonado e isto é verdade

Miúda, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te
Sim, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te
Miúda, sabes que é verdade
O meu amor é para ti
Miúda, sabes que é verdade
Meu amor
Miúda, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te
Sim, sabes que é verdade
Oh, oh, oh, eu amo-te

quarta-feira, março 15, 2006

YOU SPIN ME ROUND - Começou

A votação que hoje começa tem por objectivo eleger aquela mulher que nos deu ou ainda dá a volta à cabeça no que diz respeito à música dos anos 80. Aquela mulher de quem poderíamos dizer "sim, senhor, era capaz de lhe dar uma oportunidade de ser feliz comigo". Pode ser pela cara bonita, pela voz apaixonante ou por quaisquer outros atributos. Ou então por uma razão inexplicável. As meninas, obviamnte, também podem (e devem) votar. Tive alguma dificuldade em encontrar um título para esta eleição, hesitando entre "WHO'S THAT GIRL" e "YOU SPIN ME ROUND". Acabei por optar pelo segundo pois acho que sugere mais o carácter irracional das nossas paixões de adolescência. Todos tivemos pelo menos um poster no quarto de uma Kim Wilde, Sandra ou Madonna, por isso não há que fingir que não é nada connosco e assobiar para o lado. Vamos lá a votar.

Esta votação surge naturalmente na sequência daquela que elegeu o homem mais charmoso dos anos 80 (no que diz respeito à música), que, para quem já se esqueceu, foi John Taylor. Na altura começámos com 50 nomes, mas agora, quando o que está em causa são as mulheres, o leque de escolha é maior. Comecei por recolher uma lista de 120 nomes (sim, leram bem, 120). Depois reduzi-o para 100 e pensei começar a eleição com esses 100. Após dura reflexão, a estes 100 tive de retirar 30, pois a coisa ameaçava tornar-se demasiado longa e havia ali nomes que sinceramente nunca chegariam a lado nenhum. Fiquei-me então pelos 70 nomes, os quais distribui por 10 grupos. Nesta primeira fase, apurar-se-ão as 3 primeiras de cada grupo. O critério de escolha daqueles 70 nomes foi puramente pessoal e não se cingiu apenas a vocalistas. Também convém referir que existem casos de moçoilas cuja actividade musical começou em décadas anteriores (temos o exemplo de Diana Ross), mas que souberam nos anos 80 uma contribuição importante para a música. O primeiro grupo está já online. Obrigado a todos por participarem.

terça-feira, março 14, 2006

A vida é bela

Tive ontem uma grande alegria quando o Pitx se vira para mim, no Messenger, e diz: "Olha, ó tarzan, queres o concerto dos DM no Atlântico?" Eu disse: "'Tás a brincar". Ele disse "Nã, nã, cá vai". E veio mesmo. Obrigadão, Pitx, mais uma vez. Já agora digo-vos que o Pitx, para além de fã da música dos anos 80, é um pai babado, o que só lhe fica bem.

Quanto ao som do concerto, não sendo uma gravação oficial, tem uma qualidade bem acima da média, tendo em consideração as condições em que terá sido gravado. Com ou sem qualidade, é acima de tudo um documento precioso para quem esteve .

domingo, março 05, 2006

THE PROCLAIMERS

When you go will you send back a letter from America?



Os irmãos Craig e Charlie Reid cumprem hoje o 44º aniversário. Motivo suficiente para serem lembrados no QA 80 como um dos projectos mais apaixonantes dos anos 80. Como se não bastasse este facto, gravaram novo álbum em 2005, intitulado Restless Soul, o 6º da carreira deste duo de gémeos escoceses. Para além de tudo isso, e como toda a gente sabe, eles eram, afinal, os Bros.

O que gosto nos Proclaimers, para além de três magníficas canções que têm lugar cativo em qualquer colectânea dos 80s - I'm On My Way, I'm Gonna Be (500 Miles) e Letter From America -, é a alma com que interpretam os seus temas folk-rock, uma força interior a que o genuíno sotaque escocês não é estranho.

Após os dois primeiros albums terem revelado e confirmado o fenómeno, os Proclaimers desapareceram do mapa quase tão rapidamente quanto surgiram, em 1987. Só seis anos mais tarde, com a utilização de I'm Gonna Be (500 Miles) na banda sonora do filme Benny & Joon (com Johnny Depp), o duo voltaria a andar nas bocas do mundo e também, já agora, nas tabelas de vendas americanas, o que dá sempre jeito. O teledisco de I'm Gonna Be (500 Miles) já está online.

Álbuns:
This Is The Story (1987)
Sunshine On Leith (1988)
Hit The Highway (1994)
Persevere (2001)
The Best Of (2002)
Born Innocent (2004)
Restless Soul (2005)

quarta-feira, março 01, 2006

THIS CHARMING MAN: John Taylor é o vencedor



Com 37% dos votos, John Taylor foi eleito pelos visitantes do Queridos Anos 80 o homem mais charmoso dos anos 80 no que diz respeito à música. Num total de 119 votos (76 através da barra lateral e 43 por e-mail), o baixista dos Duran Duran teve a preferência de 45 votantes.

Os restantes participantes na final ficaram assim ordenados:

2º lugar
Simon LeBon - 27 votos (23%)

3º lugar
Robert Smith - 20 votos (17%)

4º lugar
Morrissey - 15 votos (13%)

5º lugar
Sting - 8 votos (7%)

6º lugar
Nick Rhodes - 4 votos (3%)


Veja todo o historial desta eleição:

FASE 3
Meia-Final 1
Meia-Final 2

FASE 2
Grupo I
Grupo II
Grupo III
Grupo IV
Repescagem

FASE 1
Apresentação
Grupo I
Grupo II
Grupo III
Grupo IV
Grupo V
Grupo VI
Grupo VII
Grupo VIII
Grupo IX
Grupo X

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Sem ideias para o Carnaval?



Vá de Martin Degville (Sigue Sigue Sputnik).

PS1 - Eles voltam a Portugal no dia 4 de Março.

PS2 - Pode escutar Love Missile F1-11 na radio.blog ali ao lado.

domingo, fevereiro 26, 2006

Novo teledisco: GAZEBO - I Like Chopin



I Like Chopin é uma música incontornável aqui no QA80. O texto sobre Gazebo foi um dos primeiros a serem escritos aqui e por isso ocupa um lugar especial neste blogue. Decidi, por isso, colocar o respectivo teledisco à vossa disposição. Amor, traição, ciúme, crime: todos os ingredientes de uma história trágica num ambiente aristocrático. E no fim Paul Mazzolini vai preso. Não há justiça.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

THIS CHARMING MAN: Ponto de situação

Após uma semana de votações (ainda vamos a meio) para a final da eleição THIS CHARMING MAN, este é o ponto de situação:

TOTAL DE VOTOS [e-mail (24) + sidebar (52)] - 76
1º John Taylor: 34
2º Simon LeBon: 19
3º Morrissey: 9
4º Robert Smith: 7
5º Nick Rhodes: 4
6º Sting: 3

Obrigado pela participação. Keep on voting!


Lebon, Morrissey, Rhodes, Smith, Sting e Taylor

Podem votar de duas formas:
1. Através do e-mail,
thischarmingman@iol.pt. O voto deverá ser colocado no espaço "Assunto" ("Subject").
2. Através da barra lateral. A votação só estará disponível quando eu estiver no computador, e isso pode ser em qualquer altura do dia. É uma questão de me "apanharem" online.
Obrigado pela participação.

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Dear visitor, you may vote on your favourite charming man. To participate in this election, you may:
1. Either e-mail me at
thischarmingman@iol.pt. You should write the name of your charming man in the "Subject" line.
2. Or use the sidebar poll when it is online, which is whenever I will be online as well.
Have fun. Thanks for voting.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Novo teledisco: DAVID LEE ROTH - Just A Gigolo



O senhor que vêem na foto do lado esquerdo foi vocalista dos Van Halen e considerado, genericamente, um "ganda maluco". Em 1984, deixou o grupo para tentar a sorte a solo. Just A Gigolo foi um dos seus maiores êxitos, não por ter acrescentado algo de especial ao original dos anos 30, mas talvez pelo teledisco completamente histérico e quase caótico que ficou na história. O senhor que vêem na foto do lado direito é um respeitável locutor de rádio da Free FM. Os dois são um só e dão pelo nome de David Lee Roth.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Bauhaus

Come on so loaded man, well hung and snow white tan



Em primeiro lugar, deixem-me expressar toda a minha fúria pelo facto de não ter conseguido bilhete para o concerto do Coliseu, sexta-feira. Como se não bastasse ser esta uma oportunidade única de ver uma das bandas de referência do rock dos anos 80, esta é uma das raríssimas vezes em que o Porto, cidade, leva vantagem sobre Lisboa no que diz respeito a concertos. E eu não aproveitei. Grande otário.

Comecemos precisamente pelo presente: a The Near the Atmosphere European tour começou na Irlanda, a 28 de Janeiro e acabará precisamente no Porto, na próxima sexta-feira (grrrr... já vos disse que não arranjei bilhete?). Os Bauhaus voltaram a juntar-se no ano passado, depois de uma interrupção de 22 anos, apenas quebrada em 1998 para uma curta Ressurection tour.

Eu tomei contacto de forma consistente com os Bauhaus já eles tinham acabado como banda. Foi através de uma cassete ganha num concurso de uma rádio pirata (dos muitos em que participei e ganhei coisas) que tinha num dos lados Bauhaus e no outro Joy Division. Não foi fácil para um adolescente como eu, habituado à pop comercial da época, entrar neste mundo alternativo que se abria pela primeira vez aos meus ouvidos. Mas como a qualidade estava lá, e eu, felizmente, consegui dar com ela, foi uma questão de tempo até devorar a dita cassete não sei quantas vezes ao dia.

Há quem lhes chame os pais do goth-rock, mas eu que por vezes tenho alguma dificuldade em catalogar as bandas, simplesmente os quero considerar uma banda rock que nasceu na altura do punk, em 1978. O próprio site oficial do grupo apresenta, na biografia, este parágrafo fantástico sobre o espaço musical em que podemos situar os Bauhaus:

"... they unintentionally birthed a genre (Goth), moved on, moved forward, and surged mercurial through the post-punk music scene, tearing into tense, bass-driven new-wave, T-Rex-esque dark-glam, and swirling, clattering, orchestral atmospherics, whilst churning it into a grand, velvet, Rimbaudian hallucination. To pin the band to one genre is nothing but reductive."
http://www.bauhausmusik.com/bio/

Os membros que fundaram a banda e lhe deram a designação do movimento estéctico alemão chamam-se Peter Murphy (voz), David J (baixo), Daniel Ash (guitarra) e Kevin Haskings (bateria). A produção musical da banda resumiu-se a quatro álbuns: In the Flat Field (1980), Mask (1981), The Sky's Gone Out (1982) e Burning from the Inside (1983). Temas como She's in Parties, Kick in the Eye (o que eu dancei esta música no Nabucco, no extinto Centro Comercial Dallas!), The Passion Of Lovers, Stigmata Martyr e o épico Bela Lugosi's Dead, entre outros, devem fazer parte de qualquer colectânea dos Bauhaus. Curiosamente, a colectânea Crackle, editada em 1998, não inclui Stigmata Martyr, não sei porquê. Por outro lado, nela está incluída a minha canção preferida dos Bauhaus, Ziggy Stardust, uma versão bem melhor do que o original de David Bowie. Atenção: o teledisco de Ziggy Stardust já roda na barra lateral.

Após a dissolução da banda, em 1983, Peter Murphy construiu uma carreira a solo fascinante. Bom concerto, são os meus desejos a quem for na sexta-feira ao Coliseu do Porto. Grrrr...

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

THIS CHARMING MAN: A grande final

E os 6 finalistas da eleição THIS CHARMING MAN são, por ordem alfabética (não quero ser acusado de parcialidade):


Lebon, Morrissey, Rhodes, Smith, Sting e Taylor

Modo de funcionamento da grande final:

1. A votação terá início na quarta-feira, dia 15 de Fevereiro, às 00:00h.

2. A votação encerrará na quarta-feira, dia 1 de Março, às 16:00h.

3. Haverá duas formas de votarem no vosso "charming man" favorito:

a) Através de e-mail, que amanhã disponibilizarei. O voto deverá ser colocado no espaço "Assunto" ("Subject"). Só isso. Não precisam de escrever mais nada. Podem dizer "olá" obviamente, mas para tornar isto o mais simples possível, basta escrever o nome do dito cujo no "Assunto". Obviamente, e-mails repetidos não serão considerados, nem e-mails que eu desconfie serem resultado de uma acção de spam.

b) Através da barra lateral aqui do QA80, só que com uma pequena diferença em relação às eliminatórias anteriores: a votação só estará disponível quando eu estiver no computador, e isso pode ser em qualquer altura do dia. É uma questão de me "apanharem" online. Com esta medida, é certo que alguém que já enviou o e-mail pode votar uma segunda vez, mas isto permite-me acompanhar mais de perto a evolução das votações e impedir aquele tipo de fenómeno fraudulento que se passou na primeira meia-final.

4. Passada uma semana da votação, ou seja, a meio da mesma, farei aqui um ponto de situação sobre a evolução da classificação.

THIS CHARMING MAN (II): LeBon, Morrissey e Sting na final

sábado, fevereiro 11, 2006

Depeche Mode, 08/02/06 - O texto

19:20, mais coisa menos coisa, entro no Pavilhão Atlântico. Para quem vem do Porto e quer ficar o mais à frente possível não há tempo a perder. Pavilhão praticamente vazio, não mais de 500 pessoas chegadas às grades junto ao palco. Fico a uns cinco metros da fila da frente, do lado esquerdo do corredor central (há 13 anos, no saudoso Estádio das Antas, fiquei longe do palco). Boa ideia, quando o Dave entrar neste corredor vai dar para ver as tatuagens com mais pormenor. E, quem sabe, levar com alguns pingos do seu suor. O verdadeiro fã aproveita tudo, até o suor. Também vai dar para tirar umas boas fotos.

Os primeiros "furas" tentam fazer jus a esta designação, ou seja, furar a torto-e-a-direito, e lá vão conseguindo face à boa vontade geral, aqui e ali, adornada com um "Oh, pá, é indecente" ou "Eh, pá, desculpa lá, mas por aqui não!". Ao meu lado estão três espanhóis, um deles com um penteado surreal que me abstenho de descrever. Parecem bem dispostos e até aproveitam um maço de Marlboro cheio esquecido no chão. Um cromo semi-bêbedo, de copo de cerveja na mão, tenta furar, passa pelos espanhois e dá de caras com uma paisagem pouco amigável: as minhas costas, que fazem parte de um todo de um metro e oitenta e quatro centímetros. O nosso diálogo é curto, mas proveitoso: "Desculpe, seria possível passar?" "Não." "Não? OK, obrigado". E desaparece. Um dos espanhois sorri para mim e leio nos seus olhos a expressão "És o meu herói".

20:30, alguém me pergunta a que horas começa o concerto. "21:30, pelo menos é o que está no bilhete". Uma hora ainda de espera! E ainda temos de aturar os outros gajos que vêm fazer a primeira parte! Pois é, amigo, são os The Bravery e até têm 3 ou 4 músicas engraçadas. Olha, afinal acabam de entrar. Os The Bravery tocam bem, a voz do vocalista assemelha-se por vezes a uma espécie de "Robert LeBon de segunda apanha" (Robert da parte dos The Cure, LeBon da parte dos Duran Duran). Gostei, mas vamos lá a despachar. Meia-hora em palco e os The Bravery já são história. Gostei do "pullover" do vocalista.

21:30, então, como é, vamos lá começar isto. Uma menina que tem estado estoicamente atrás de mim, bate-me nas costas. "Olhe, desculpe, não dava para se desviar 2 milímetros?" 2 milímetros? Pronto, já está. "É que o senhor é muito alto". Já sabia, obrigado, mas a menos que proíbam as plateias a "maiores de 1,70", vai ter de levar comigo.

21.45, as luzes apagam-se gradualmente, o barulho aumenta vertiginosamente, eles vêm aí. Os Depeche Mode entram em palco! Primeiros flashes dos milhares que vão disparar sobre a banda durante o concerto. A Pain I'm Used To é o início perfeito e conhecido por quem tem estado atento às notícias da digressão. Dave Gahan veste um casaco cinzento que sabemos não ficará por muito tempo no seu corpo. Martin Gore vem de asas negras, mas somos nós que voamos quando ele canta Damaged People e Home, esta última, para mim, um dos momentos da noite. O primeiro momento da noite foi mais atrás, com A Question Of Time, que nos dá a oportunidade de ver Gahan fazer aquele "número" com o tripé do microfone. Este homem é o maior frontman da história da música (afirmação potencialmente polémica, mas que assumo com unhas e dentes). À minha volta, há um lago de saliva feminina (e, quem sabe, alguma masculina). O Dave que nem sonhe em fazer stage-diving, que vai ver o que lhe acontece.

Precious já faz parte das minhas preferidas de sempre, mas ao vivo fica a perder, algo lenta e despida de emoção. É claramente uma grande canção de estúdio, mas que não funciona bem ao vivo. É uma espécie de anti-climax que prepara outro climax, Walking In My Shoes, a música que na minha opinião encerra todas as qualidades do génio de Martin Gore. A letra, a melodia, os efeitos, está lá tudo, na perfeição.

Enjoy The Silence é naturalemente outro dos vários picos do concerto. Praticamente não se ouve a voz de Dave, pois há 20 mil vozes a cantar. Ele também gosta de nos ouvir e aponta-nos o microfone: "All I ever wanted all I ever needed is here in my aaaaaaaaaarms". Lindo. Estamos todos afinadinhos.

Expectativa para a abertura do 1º encore. Rezo aos deuses que Martin se lembre de A Question of Lust, sob pena de eu ter que invadir o palco em protesto. Mas a desilusão cede o lugar à surpresa. Que é isto? Shake The Disease com piano a acompanhar? Fabuloso, maravilhoso, assombroso. Martin Gore consegue deixar toda a gente petrificada perante o momento sublime. A jornalista do Público que escreve o artigo sobre o concerto dirá que esta música foi recebida com "indiferença". Não concordo e permito-me dizer que a jornalista esteve, no mínimo, desatenta.

Shake The Disease abre espaço ao 2º encore, logo após um Just Can Get Enough que faz a viagem mais longa no tempo e põe toda a gente a saltar. A banda abandona o palco, Dave, com cara de poucos amigos, diz algo a Peter Gordino. Parece-me algo sobre o público. Ou então, não. Peter Gordino é a surpresa da noite para mim, não pelo seu trabalho nas teclas, mas pela capacidade vocal que lhe permite fazer segundas vozes de forma irrepreensível. Na bateria, Christian Eigner é competente. Mas um concerto de Depeche Mode não é feito para baterista brilhar.

A banda regressa ao palco, com o pavilhão em delírio ensurdecedor. Never Let Me Down Again abre a conclusão alinhavada para o concerto. Braços no ar, esquerda, direita, esquerda, sem parar. Dave é o instigador. Todos vimos a cena no 101, também queremos fazer. A seguir, Martin Gore vem ao corredor central pela primeira vez. Dave junta-se-lhe e preparam-se para cantar Goodnight Lovers. O público grita, chama. Dave pede silêncio. O momento exige-o. Esta vai ser a última canção do concerto. A banda sairá de palco em apoteose, com a promessa de voltar em Julho. Por momentos o barulho que faz abanar o pavilhão faz hesitar os roadies que se preparam para arrumar as "tralhas". Novo encore? Será? Não, acabou mesmo. As luzes do Atlântico acendem-se. Há sorrisos aqui e ali, olhares exaustos também. A hora é de regresso. O concerto da minha vida? Pelo menos até 28 de Julho...