segunda-feira, janeiro 18, 2010

Um dilema inesperado

Ele há coisas do catano. Há uns dias encomendei, a partir do sítio que tem o nome de uma floresta tropical na América do Sul, o CD Bang!... The Greatest Hits of Frankie Goes To Hollywood. Ontem, recebi um e-mail da parte do vendedor que diz o seguinte:

"Olá,

Devido a um grave erro informático irá provavelmente receber muitos CDs que não encomendou juntamente com aquele que encomendou. Não é obrigado a devolver os CDs; pode fazer o que quiser com eles.

Peço desculpa pelo incómodo,
(nome do senhor)
(nome da empresa)"


Isto contado quase que não dá para acreditar, mas aconteceu mesmo. E agora, tenho um dilema pela frente. Se, por um lado, não gosto de ficar com algo que não é meu e moralmente devo fazer a devolução, por outro, essa devolução irá custar-me dinheiro, tudo devido a um erro pelo qual não sou responsável. Falando com linguagem contextualizada: se o Power of Love pelo próximo me incentiva a ser bom e a devolver a coisas que não me pertence, há uma voz na minha consciência que diz Relax, don't do it. Que devo fazer? Podem ajudar-me ali na barra lateral?

Duel (XI): Human League vs. Orchestral Manoeuvres in the Dark - ENCERRADO

Os leitores do QA80 preferem os OMD! Concordo que se tratava de um duel complicado (como alguns se queixaram nos comentários), mas assim é que tem piada. Eu próprio votei nos rapazes de Souvenir, mas com uma lágrima no canto do olho, porque também gosto muito dos Human League. De qualquer maneira, a diferença não foi muito acentuada:

1. omd - 32 (56%)
2. human league - 25 (43%)


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Um duelo de pesos-pesados! Difícil escolha! Árdua tarefa! Confronto titânico! (esgotei os lugares-comuns).
Para votar e ouvir (clicar no player com o botão direito do rato para escolher as músicas). Tudo na barra lateral! Thanks!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

It's a kind of magic (XXVII)

Se fosse vivo, Martin Luther King completaria hoje 81 anos. De entre todos os tributos que a música já lhe dedicou, talvez seja Pride (In The Name Of Love), dos U2, aquela que mais facilmente recordamos. Mas, do mesmo álbum de Pride, o magnífico The Unforgettable Fire, faz parte um outro tributo ao político assassinado em 1968. Chama-se MLK a canção que encerra este LP e que hoje trago aqui num registo ao vivo em Dortmund, na Alemanha. Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton preparavam-se para conquistar o mundo e a voz de Bono nunca soou tão bela. O vídeo que se segue é um momento mágico. Foi em 1984.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

ANTÓNIO SALA (61)

Os meus anos 80 estão irremediavelmente associados à figura do locutor de rádio António Sala. Todas as manhãs - sem exagero - o meu despertador era o rádio que a minha mãezinha religiosamente sintonizava na Rádio Renascença, onde António Sala e Olga Cardoso animavam, das 6 da matina às 10, o programa Despertar. Não havia volta a dar: "Renascença, canal 1 está no ar, Renascença, é o programa Despertar!" e lá ia eu para a escola. Mas a fixação lá em casa por este mítico programa não ficava por aqui. A minha mãe fazia questão de marcar presença nos espectáculos do "Despertar ao Vivo", uma espécie de Natal dos Hospitais, mas fora da época do Natal. Lembro-me perfeitamente de ir a um no Pavilhão do Académico, ali na Rua Costa Cabral, e a outro nos jardins do Palácio de Cristal, e recordo a enchente que era, a loucura que se apoderava daquelas donas de casa desesperadas por ver o Salinha mandar umas larachas ou o incontornável Marco Paulo passar o microfone de mão para mão. Na altura, não achava piada nenhuma àquilo, claro, mas hoje, como em tudo, recordo com alguma nostalgia aqueles encontros de massas, quase religiosos. Um fenómeno. Eram tempos de uma rádio diferente. Ó Jorge, diz aí qualquer coisa.

Em 2007, a RTP mostrou um documentário sobre António Sala, abordando as várias facetas do actual director geral do grupo Renascença. Nos anos 80, ele foi uma espécie de faz-tudo. Para além de radialista, produziu e compôs para inúmeros artistas da então chamada Música Ligeira Portuguesa, apresentou programas de TV (eu era viciado no concurso Palavra Puxa Palavra), editou livros (quem não se lembra das famosas Anedotas do Sala?), e construiu uma carreira musical quer como elemento do grupo Maranata, quer em nome próprio. Em 1983 num inquérito realizado pelo Expresso foi mesmo considerado a personalidade portuguesa mais popular.

No que diz respeito à música, em 1985 lançou o álbum Segredos, que, creio (mas não tenho a certeza) ser um registo ao vivo. No mesmo ano, lançou o já clássico (na sua versão) Parabéns A Você, em dueto com o filho. Mas é o tema que levou ao Festival da Canção de 1984 que vos deixo aqui. Quem se lembra disto?


antónio sala - uma canção amiga

António Sala completa hoje 61 anos. Parabéns!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Ah, OK.

Anteontem, recebi o seguinte e-mail, do editor da revista O Grito! (isto a propósito do caso do plágio):

"Prezado Tarzanboy,
Peço desculpas, em nome da redação da Revista O Grito! pelo erro cometido. A essa época em que foi publicado o texto, costumávamos publicar posts em Creative Commons divulgando o link para a matéria original.
O post foi retirado do ar e já tomamos as providências internas em relação a isso.
Agradeço o contato. Grande abraço."


Então, está bem.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Stevie Wonder - a minha primeira compra no e-bay


A colectânea dos number ones de Stevie Wonder foi a minha primeira compra no ebay. Apesar de ser já um veterano nestas coisas da Internet, só agora me dei ao trabalho (e ao risco) de comprar alguma coisa neste mercado fantástico que está apenas à distância de uns cliques. Consegui este CD, como novo, por um total de 6.27€, já com custos de envio. E já encomendei outras coisas que procurava, mas que não encontrava a um preço que considerava justo (só em situações excepcionais é que dou mais de dez euros por um CD). Os livros também valem muito a pena, especialmente aquelas edições inglesas e americanas que cá custam para cima de 30 euros. Também já mandei vir umas coisas giras sobre música, que depois partilho aqui no QA80. Quanto ao CD do Stevie Wonder, esta faz parte (música linda pra caramba):


stevie wonder - overjoyed

quinta-feira, janeiro 07, 2010

9 de Janeiro - AR D'MAR - Geração 70 80 90

Estamos apenas a dois dias da primeira festa de 2010 da Geração 70 80 90, curiosamente, a edição DEZ dum projecto que já tem uma história bonita para contar e que reúne uma legião de seguidores que já não dispensam dançar, beber uma caipirinha ou simplesmente bater o pé ao som da melhor música de outros tempos. O bar Ar D'Mar é o cenário perfeito para esta festa. E como tudo se desenrola sob o signo do DEZ, os DJs de serviço irão revezar-se a cada DEZ músicas. Quanto a vocês, podem juntar-se à ideia e trazer DEZ amigos/as, que, por sua vez, beberão DEZ shots durante a noite (bem, esta é capaz de não ser uma boa ideia...). Aceitam o desafio? Até sábado!

Alphaville - Lisboa - 26 de Março


Forever Young, Big In Japan, Sounds Like A Melody e Dance With Me são boas razões para ir ver os alemães Alphaville ao Campo Pequeno. Este é o poster oficial e é da autoria do Nuno.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Eu plagio, logo existo

Tenho duas formas de encarar o plágio. Por um lado, envaidece-me que alguém tenha achado que aquilo que eu escrevi é tão bom que merece ser apropriado indevidamente. Para além disso, satisfaz-me o facto de a situação ser afinal um atestado de incompetência, de incapacidade, de ignorância, de falta de talento, etc, inconscientemente auto-infligido pelo plagiador. Por outro lado, tratando-se de um roubo - puro gamanço, como se diz na minha rua - custa-me ver aquilo que é produto da minha competência, do meu tempo, dos meus sacrifícios, publicado noutro sítio e assinado por alguém que mais não fez do que pôr em prática os comandos copy/paste que aprendeu num curso de informática lá da associação recreativa do bairro (com todo o respeito pelos bairros, até porque nasci num).

Vem toda esta conversa a propósito de ter encontrado mais um site a plagiar conteúdo do QA80. E digo "mais um" porque não é caso virgem como podem ver por esta pequena resenha histórica:

1. Um blog de um locutor de uma rádio do Marco de Canaveses começou a publicar textos meus sem a devida referência à fonte. A coisa funcionava bem, até porque esse locutor tinha (tem) um programa de rádio dedicado aos êxitos de outros tempos e ficava-lhe bem remeter os ouvintes para os "seus" textos no blog. Felizmente esse blog foi extinto e substituído por outro que, pelo que já verifiquei, não tem lá nada meu.

2. Outro caso é o daquele jovem que tem todo o seu blog copiado de outras fontes, sejam elas a wikipédia ou outros blogues. Existe o "rei dos leitões", ali na Bairrada. Existe o "rei da pop", que Deus o tenha. A este eu chamo o "rei do plágio". Querem um exemplo? Este é o meu texto sobre o Nik Kershaw. Este é texto do plagiador. O mais engraçado é que o "autor" continua, impávido e sereno, com a sua política apesar de algumas chamadas de atenção nos comentários.

3. Como já aqui referi há atrasado, o QA80 também já foi alvo de uma tentativa de plágio na Wikipédia. Alguém achou que devia criar um artigo sobre a Taylor Dayne e copiar o meu texto para lá. Assim também eu. Só que a referida pessoa teve azar porque o esquema foi detectado. Há poucos minutos, quando fazia uma pesquisa na Wikipédia para encontrar o "caso" Taylor Dayne, dei de caras com outra tentativa de "aproprianço", desta vez dum artigo meu sobre os The Buggles. É caso para dizer: Wikipédia, I love you.

A mais recente história de plágio ao QA80 foi descoberta por mim na semana passada e leva-nos até ao Brasil, mais propriamente à cidade do Recife, onde existe uma revista online chamada O Grito. Como podem verificar, aqui o caso pia mais fino (outra expressão utilizada na minha rua) pois não se trata de um blogue pessoal, mas de uma coisa mais à séria. Uma revista que aborda, segundo as suas próprias palavras, "Cultura Pop Sem Contra-Indicação". E até tem muita qualidade a dita revista, não fosse um dos seus editores (apenas um dos responsáveis máximos pela publicação) ter caído na tentação de utilizar o meu texto sobre a Desireless, escrito em Abril de 2004, "formatá-lo" para a variante brasileira do português (a esse trabalho tenho dar algum mérito...) e apresentar o texto como seu, ainda por cima - e esta é a cereja no topo do bolo - dando o sub-título de "Queridos Anos 80" ao texto. Como é que se diz "é preciso ter lata" em português-brasileiro?

Quero finalizar deixando claro que contactei sempre os autores dos textos antes de divulgar publicamente a situação. Acho que as pessoas têm sempre o direito à sua defesa, dentro duma perspectiva de diálogo que eu privilegio. No entanto, em nenhum destes casos obtive qualquer resposta. E assim só me resta denunciá-los aqui, no meu espaço. Tenho dito. Obrigado pela vossa paciência.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

45 rotações (VII)

Ana Faria e Pedro
É Natal (1988)

O Queridos Anos 80 abre as hostilidades no novo ano com um single de Natal. Sim, o Natal já passou, mas, como o adágio costuma lembrar, "Natal é quando um homem quiser". E eu sou um homem e quero que hoje se fale do Natal (ó soares, acrescenta este à lista). Para além disso, este single é da responsabilidade de Ana Faria, a cantora favorita do tarzanbaby, que conhece de trás para a frente os álbuns Brincando Aos Clássicos.

O lado A chama-se É Natal, e é constituido por um dueto entre Ana Faria e um dos seus filhos, o Pedro. A canção tem uma melodia bonita, uma letra apropriada à idade do público-alvo a que se destina. O arranjo instrumental é da responsabilidade de Ramon Galarza, um homem que trabalhou com meio-mundo da música portuguesa nos anos 80. Só me faz alguma espécie aquele vibratto um tanto forçado do Pedro, talvez resultado de orientações maternas (já agora, não há, na música portuguesa, um vibratto tão forte como o da Ana Faria...).

O lado B é a Canção do Vasco e foi retirada do CD Brincando Aos Clássicos, o tal disco em que Ana Faria cria versões infantis - cada uma com um nome próprio - a partir de clássicos. Nesta caso, a Canção do Vasco é uma adaptção de Pizzicati-Schettino do Ballet "Sylvia" de Leo Delibes. O arranjo e a letra são de Ana Faria.


ana faria e pedro - é natal


ana faria - a canção do vasco

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Onde estavas tu no final da década de 80?

Há vinte anos o mundo despedia-se da década de 80. Dez anos de descoberta, evolução, libertação, mas também de ruptura, caos, morte. Eu, nos meus esplendorosos dezoito anos, aguardava ainda em Dezembro, o início do meu percurso na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que haveria de chegar apenas em Janeiro de 1990. Porque nesse longínquo ano de 1989 tive as férias mais longas da história da Humanidade (acho eu). Após a atribulada implementação de uma PGA (Prova Global de Acesso) que ninguém compreendia, ponto nevrálgico de uma reforma educativa que nada ficava a dever às Marias de Lurdes deste mundo, todos os futuros caloiros universitários do ano lectivo 89-90 tiveram direito a seis meses de boa vida. Devo ter feito tão pouca coisa de relevante durante esses seis meses que não me lembro de nada. Calculo que a minha vida se dividisse entre sair com os amigos até ao Brasília ou ao Dallas (os dois centros comerciais que a malta jovem frequentava), cuja distância permitia ir a pé, e apanhar o autocarro até às esplanadas da Foz, onde podíamos alimentar a vista com as catraias da Foz (o pessoal desta zona do Porto sempre primou pela higiénica distinção de se cumprimentar apenas com um beijo, o que me deixava fascinado). Ao fim-de-semana, as saídas à noite tinham como destinos mais que prováveis o Swing ou a Indústria. Eram os tempos do girl-hunting (sim, eu sei que a expressão é infeliz), em que uns tinham mais sorte do que outros. Eu, que não era nenhum Tom Cruise ou Richard Gere, não me posso queixar. É claro que havia sempre o lado da música, dos concertos dos Xutos, das tardes em casa de amigos a ouvir o novo dos Jesus And Mary Chain ou a reflectir dolorosamente sobre o razão do fim dos The Smiths. Mas o mais importante eram mesmo as miúdas e ai daquele que criticar opção!

O motivo deste texto tem também a ver com uma revista que guardei no dia 30 de Dezembro de 1989 - a Revista do Expresso. Nessa edição, a revista dedicou todas as suas páginas à década de 80. O título é "Para acabar de vez com os anos 80". Já não sei porquê, mas na altura achei engraçado guardá-la, sem sonhar sequer que, vinte anos volvidos, estaria a escrever sobre ela na Internet (hã?), mais concretamente num blogue (o quê?).

A capa da revista mostra um desenho do caricaturista António, que assina António 89 Dali. Percebe-se porquê (clicar na imagem para ver em pormenor). Logo na página 3 surge o texto "A década da grande promessa", da responsabilidade do então director-adjunto Joaquim Vieira. É um texto que digitalizei e publico aqui porque merece ser lido pelo seu testemunho de época. (Gostava de ter tempo e, já agora, um scanner do tamanho da revista que me permitisse digitalizá-la toda, mas tal não é possível.) Do ponto de vista mundial, Joaquim Vieira ocupa as páginas seguintes com aqueles que, na sua opinião, são as "catorze personagens da década". E lá estão os seguintes nomes, acompanhados de imagem, citação e texto do jornalista: Mikhail Gorbatchov, Deng Xiaoping, Lech Walesa, Andrei Sakharov, João Paulo II, Akio Morita, Margaret Thatcher, François Miterrand, Ronald Reagan, Muammar Kadhafy, Nelson Mandela, Yasser Arafat, Fidel Castro e o Ayatollah Ruhollah Khomeiny.

Segue-se, talvez, a secção mais divertida da revista. Ao longo de seis páginas, com o título "Flesh/Flash", Clara Ferreira Alves, Luís Coelho, Paulo Varela Gomes, Abílio Leitão, Alexandre Melo e Inês Pedrosa apresentam uma galáxia de ícones culturais da década de 80, da ciência à moda, passando pela música, pelo cinema, etc..., com imagens e comentários que traçam o perfil de toda uma década.

Nas páginas 16 e 17, a revista apresenta o artigo "Medos", não assinado, através do qual nos são apresentadas as grandes fobias (ou paranóias, se quisermos) daquele tempo: Aditivos, Cidade, Clima, Crash, Droga, Nuclear, Sexo, Sida, Solidão, Tabaco, Terceiro Mundo, e Terrorismo.

A partir daqui, e após um artigo de Eduardo Lourenço intitulado "A década mágica (do Afeganistão à anti-Comuna)", a edição apresenta a visão que várias vertentes da sociedade e do conhecimento tiveram da década que então finalizava. Em cada texto, há uma frase em detaque numa caixinha à parte. Não resisto a transcrever algumas, e a respectiva secção (eo nome do autor):

ECONOMIA INTERNACIONAL (Clara Teixeira): "Os japoneses não resistiram ao convite e lançaram-se em autênticos raids sobre empresas norte-americanas."
CIÊNCIA (José Mariano Gago): "Implícita na ciência está a esperança de exorcizar a morte, individual e planetária, através da busca do princípio de tudo."
POLÍTICA (José António Saraiva e Fernando Madrinha): Esta secção é dedicada à política portuguesa e não qualquer frase em destaque. Neste artigo, faz-se naturalmente o retrato político nacional e há nomes que não podem deixar de aparecer: Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Ramalho Eanes, Francisco Balsemão, Mário Soares, Mota Pinto, Hermínio Martinho, Vítor Constâncio, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal e Jorge Sampaio.
FILOSOFIA (Manuel Maria Carrilho): "O conceito não passa de uma palavra a funcionar no âmbito de um determindo jogo de linguagem."
FILMES (João Lopes): "A televisão irrompeu no terreno do cinema, disputando-lhe a condição de grande imaginário colectivo."
MEDIA (Francisco Rui Cádima): "São os media que criam os acontecimentos, são eles que regulam a ordem do mundo: uma ordem de restos e simulacros."
ARQUITECTURA (João Vieira Caldas e Paulo Varela Gomes): "Os grandes encomendadores são ignorantes, apáticos ou pouco inteligentes."

Pelo meio, entre outros artigos, pode ler-se um texto interessantíssimo, da responsabilidade de António Guerreiro e Paulo Varela Gomes, com o título "Ideias Feitas", que parte dos conceitos-chave à volta dos quais a década de 80 se desenvolveu: Anos 80 (a expressão em si), Comunicação, Diferença, Ecologia, Fim da História, Fraco (Pensamento), Futuro, Imagem, Liberalismo, Optimismo, Pós e Neo, Saúde, Sucesso, Tecnologia.

E a música? Deixei a secção que diz mais a este blogue para o fim. Os responsáveis pela mesma são João Lisboa e Ricardo Saló, que apresentam o resumo da década através de um jogo intitulado "O Caminho da Glória", cuja estratégia é apresentada pelos dois jornalistas da seguinte forma: "(...) pilhar, sem cerimónia, os procedimentos e objectivos de dois jogos de tabuleiro - "glória" e "trivial pursuit" - e, depois de devidamente desfigurados, ensaiar sobre eles o "plano Frankenstein" de enxerto-e-choque-eléctrico". Podem verificar em pormenor clicando nas imagens e jogar, porque não, com os amigos ou família. Como se fazia nos anos 80.

Este é o último texto do ano, aqui no QA80. Desejo-vos um óptimo 2010 e, porque não, uma década fantástica (ou pelo menos melhor do que a que agora termina).

sábado, dezembro 26, 2009

Xutos "ao triplo" no meu sapatinho

Como eu me portei bem, o Pai Natal colocou-me no sapatinho a edição em CD do mítico triplo álbum dos Xutos e Pontapés, ao vivo no Pavilhão d'Os Belenenses, no ano de 1988. Esta edição traz o concerto que a RTP transmitiu na altura e que eu gravei numa VHS que agora repousa, velhinha, uma estante dos arrumos. O vinil, que comprei na altura, já tem descendente! Que enorme prenda!

O triplo ao vivo foi editado em pleno auge comercial da banda, após os dois álbuns que os catapultaram para o topo das tabelas de vendas - Circo de Feras e 88. Na altura, estive para ir a uma destas três datas (29, 30 e 31 de Julho de 1988), mas, já não sei porquê, faltei. Eu que os acompanhava a qualquer terreola aqui à volta do Porto.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

DESIRELESS (57)

No dia de Natal, nasceu Claudie Fritsch, que no mundo da canção se destacou através da designação Desireless. Há 57 anos, em Paris de França. Já aqui, neste humilde espaço, foi alvo de um post, no longínquo ano de 2004 (como o tempo passa!), por isso, não valerá a pena estar a repetir-me. Em 2003, foi editado o álbum que reúne os seus maiores êxitos - Ses plus grands succès - e, no ano seguinte, um acústico ao vivo - Un brin de paille. Desireless continua a editar e a actuar nos palcos europeus. Fiquemos com a belíssima Voyage Voyage.


desireless - voyage voyage

domingo, dezembro 20, 2009

ALAN PARSONS (61)

Quando era miúdo gostava muito da canção Let's Talk About Me, de Alan Parsons Project, o projecto do senhor Alan Parsons, iniciado em 1975, em parceria com Eric Woolfson. A vocalização de Let's Talk About Me era de David Paton, mas o projecto não tinha um vocalista, digamos, titular. As vozes, e foram muitas, eram escolhidas tendo em conta a canção, produto da dupla Parsons-Woolfson. Ainda assim, foi o próprio Eric Woolfson quem cantou o tema que trouxe mais sucesso à dupla: Eye In The Sky. Alan Parsons, que antes de ser artista com nome próprio, trabalhou com os Beatles e os Pink Floyd, completa hoje 61 anos. Mas este artigo termina em tons cinzentos: no dia 2 de Dezembro, a voz de Eye In The Sky faleceu, vítima de cancro.


alan parsons project - eye in the sky

45 rotações (VI)

All About Eve
December (1989)

December foi o último single lançado pelos All About Eve nos anos 80 e faz parte do segundo álbum da banda, Scarlet and Other Stories. Este álbum ficou marcado pela separação da vocalista Julianne Regan e do guitarrista e Tim Bricheno, e consequente saída deste da banda. Será pois natural que este trabalho seja caracterizado por estados de espírito mais melancólicos e lirismos marcados pela dor. Este single, December, e o respectivo lado B, Drowning, são exemplo disso mesmo, com a voz de Julianne Regan, ainda que sempre bela e doce, a revelar tonalidades amargas (a própria Julianne confessou que nunca chorou tanto na vida como no período de gravação deste álbum). December é um tema lindíssimo, cuja letra deixo aqui, para acompanhar o áudio.


all about eve - December

all about eve - drowning

There's a Victorian tin, I keep my memories in,
I found it up in the attic.
After looking inside, I find the things that I'm hiding...
The leaves saved from a mistletoe kiss,
Only nostalgia has me feeling like this...
Like I miss you,
It must be the time of year.

Remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
How does it make you feel inside?

Beneath a Valentine, I see a locket is shining
I think it must be the wine,
Makes me feel it's all real.
Where nothing seems to rhyme
To breathe life into the dust of a keepsake
I might as well try to fix a chain on a snowflake
Or a heartache,
It must be the time of year.

Remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
A fall of snow and the afterglow.
It could be taking our breath away
But the years stand in the way,
Remember December,
How does it make you feel inside?

Should I feel this alone, should I pick up the phone
Take my heart in my hand
And ask if you remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
A fall of snow and the afterglow.
It could be taking our breath away
But the years stand in the way,
Remember December,
How does it make you feel inside?

quinta-feira, dezembro 17, 2009

SARA DALLIN (48)

Um terço das Bananarama faz hoje 48 anos. Falo de Sara Dallin, a única das três moçoilas que não casou com um músico dos anos 80 (como todos sabem, ou talvez não, até porque não interessa ao menino Jesus, Keren Woodward ajuntou-se a Andrew Wham Ridgeley, e Siobhan Fahey foi casada com Dave Eurythmics Stewart). Rezam as crónicas que Sara era a verdadeira força das Bananarama, aquela que punha as coisas a rolar, claro está, com a benção da santíssima trindade, Stock Aitken Waterman. Hoje reduzidas a duo (Dallin e Woodward), as Bananarama percorrem os palcos europeus em festivais revivalistas (por exemplo, o Here And Now) e acabam de lançar, em Setembro passado, um novo álbum intitulado Viva.


bananarama - love in the first degree

Duel (X): The Outfield vs. Wax - ENCERRADO

Já lá vão alguns dias após o encerramento do duel que opôs os Outfield aos Wax, mas só agora posso dar conta do resultado final (que, para quem está minimamente atento, esteve sempre na barra lateral). Pois então, os Outfield acabaram por levar a melhor por 19votos a 15, depois dos Wax terem começado francamente melhor. Obrigado a todos pela participação.

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A décima edição do duel já rola ali na barra lateral. Em confronto temos os The Outfield, britânicos que obtiveram êxito massivo com Your Love e All The Love, e os Wax, um britânico e um americando que um dia se juntaram para uma carreira de poucos anos que trouxe Right Bewteen The Eyes e Bridge To Your Heart como temas de maior destaque. Cabe-vos a vós decidir qual a banda preferida. É só clicar ali ao lado na barra lateral. Obrigado pela participação.

Com esta edição X do duel, estou também a estrear um novo player, quefui buscar à página do senhor Jason Lau. Se clicarem com o botão direito do rato em cima do player, têm acesso à lista de músicas e a todos os comandos normais.

terça-feira, dezembro 15, 2009

DON JOHNSON (60)

O tipo da esquerda podia ser filho do tipo da direita, mas, digo-vos uma coisa, não sei qual deles actualmente impressionaria mais o sexo feminino numa saída à noite. Tenho um palpite que Don Johnson, que hoje entra no clube dos sexagenários, soube envelhecer como o Vinho do Porto. Basta ver aquele ar saudável de "tio engatatão que mora sozinho e leva sempre uma namorada nova aos aniversários dos irmãos".
Em 1986, o protagonista da série Miami Vice, aventurou-se na música com o álbum Heartbeat, cujo single homónimo não se portou nada mal na altura. Em 1989, arriscou um segundo álbum, Let It Roll, e ficar-se-ia por aí no que toca a LPs de originais. Em suma, dois álbuns e dois duetos (um deles com Barbra Streisand) já o colocaram na história musical dos anos 80 e foram suficientes para dar origem a uma colectânea - The Essential (1997).


don johnson - heartbeat

sábado, dezembro 12, 2009

SHEILA E. (52)

Sheila E. foi dona da bateria de Prince em 1983 (e arrisco que terá sido dona de algo mais) e, a exemplo de tantos músicos que gravitaram em torno do génio de Mineapollis, acabou por se emancipar e construir carreira a solo a partir de 1984. Sinceramente não me ocorre nenhuma música da Sheila E., mas também não interessa, pois o objectivo deste artigo é assinalar o 52º aniversário da senhora, que por sinal está muito bem conservadinha. Já agora, o E. é de Escovedo.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Geração 70 80 90: nona edição!!!

Parece que foi ontem, mas já vai na nona edição: GERAÇÃO 70 80 90, a festa que agita o mar de Gaia ao som das maiores músicas pop-rock dos anos 80 (mas também 70 e 90...). O local do "crime" é o mesmo, Ar D' Mar, ali na praia de Canide-Norte, agora com climatização. Os suspeitos são os do costume, Pedro Mineiro e tarzanboy, mestres na arte do vira-o-disco-e-toca-outro. E que discos poderemos ouvir nesta nona edição? Qualquer coisa entre a pop e o rock, do nacional ao estrangeiro (ah, pois), cabe tudo nesta noite de revivalismo, sábado, 12 de Dezembro, no Ar D'Mar. Apareçam e tragam pessoas!


PS - Aceitam-se discos pedidos! (mas só em papel timbrado)