domingo, fevereiro 28, 2010

John Waite

Every time I think of you, I always catch my breath

Em primeiro lugar, sinto que é importante esclarecer que o nome deste senhor, que toca em Portugal na próxima semana, não é John Wait, nem John Waits, nem John Waites. Apenas JohnWaite. Podia agora fazer aqui uma piada com a mãe dele ao barulho ("John, Wait! esqueceste-te da lista das compras!!!) mas não me apetece (até porque a piada correria o risco de ser muito má).

Nascido a 4 de Julho (nada a ver com o filme) de 1955, John Charles Waite (João Carlos para os fãs portugueses) é um inglês de gema radicado na Califórnia que teve a sua primeira experiência em palco aos dez anos, quando vocalista da banda do irmão mais velho decidiu não aparecer a um concerto.

Frequentou o curso de artes gráficas (a sua grande ambição era tornar-se ilustrador de livors infantis) ao mesmo tempo que tocava em várias bandas de garagem. Chegou mesmo a ir para os Estados Unidos tocar numa banda punk chamada The Boys, em cujo álbum John Waite surgia sob a designação de Honest John Plain.

O seu primeiro projecto de maior envergadura vai chamar-se The Babys (é mesmo assim, apesar do erro gramatical), um caso singular de banda que conseguiu o seu contrato musical, não com uma demo, como normalmente acontecia, mas com um teledisco. A razão foi simples: eles tinham um aspecto tão limpinho para a época que a companhia discográfica não acreditou que fossem eles a tocar as músicas da demo. Os Babys, com Waite a assegurar a voz e o baixo, tiveram sucesso moderado, tendo gravado cinco álbuns, o último dos quais em 1980.

O seu primeiro álbum a solo, Ignition, surge em 1982. A partir de então, e até ao presente, já lá vão nove álbuns de estúdio, um resgisto ao vivo e uma compilação. Uma canção emerge da sua carreira a solo: Missing You. Faz parte do segundo álbum, No Brakes (1984), e foi o seu maior - eu diria, único - sucesso a solo à escala mundial. Na tabela de singles americana, destronou What Love's Got To Do With It, de Tina Turner, a mesma que haveria de gravar uma versão de Missing You na década de 90...

Em 1988, John Waite informa a editora que quer abandonar a carreira a solo e pretende fundar uma banda. Junta-se a alguns ex-elementos dos The Babys, entre outros, e surgem assim os Bad English, banda que, em quatro anos, lança dois álbuns, o primeiro dos quais contendo a balada que os colocaria no mapa: When I See You Smile.

Após a dissolução dos Bad English, em 1992, Waite voltou à sua carreira a solo. Em 2006, regravou Missing You em dueto com Alison Krauss e no ano seguinte lançou o último álbum até ao presente. Chama-se Dowtown: Journey of a Heart. Chega agora a Portugal e prepara-se certamente para revisitar Missing You, When I See You Smile e... algumas canções que me tenham escapado assim de repente.

Duel (XII): Soft Cell vs. Erasure - ENCERRADO

Naquele que foi um dos duels mais disputados de sempre, os Soft Cell acabaram por levar a melhor por apenas um voto: 27/26. Obrigado, mais uma vez a todos os que votaram!

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Os duos masculinos proliferaram nos eighties. Aqui estão dois que falam ao coração do Queridos Anos 80, responsáveis pela synth-pop mais descomplexada que pudemos ouvir naquela década. E ainda ouvimos. E ainda dançamos. Sinceramente é-me difícil escolher entre a marotice dark de uns Soft Cell (Marc Almond na voz e David Ball nas teclas) e a exuberância colorida de uns Erasure (Andy Bell na voz e Vince Clarke nas teclas). Este é o duel que vai agitar os próximos dias do QA80. Para votar, é favor dirigirem-se à barra lateral. Para ouvir e escolher as canções que coloco à vossa disposição, cliquem com o botão direito do rato em cima do player. Obrigado!

soft cell - tainted love
erasure - sometimes
soft cell - say hello wave goodbye
erasure - a little respect
soft cell - torch
erasure - ship of fools
soft cell - secret life
erasure - victim of love
soft cell - bedsitter
erasure - oh l'amour

sábado, fevereiro 27, 2010

PAUL HUMPHREYS (50)

Paul Humphreys completa hoje 50 anos. Uma das vozes dos O.M.D., que fundou em 1978 com Andy McCluskey, podemos ouvi-lo em temas como Secret, Forever Live And Die e o fabuloso Souvenir.

Actualmente, Paul divide a sua actividade musical pelos Orchestral Manoeuvres In The Dark, que voltaram à carga em 2005, e pelos OneTwo, projecto criado com Claudia Brucken, ex-vocalista dos Propaganda, em 2002. Ora aqui está uma boa ideia para um concerto em Portugal: OMD, com primeira parte dos OneTwo. Que tal?

Nomes de bandas: The Pet Shop Boys, A Flock of Seagulls, The Housemartins

The Pet Shop Boys (os rapazes da loja de animais de estimação)
Começaram por se chamar West End, numa alusão a esta zona de Londres. Parece que os dois se conheceram numa loja de electrónica. Para além disso, ambos partilhavam amigos que trabalhavam numa loja de animais de estimação.

A Flock of Seagulls (um bando de gaivotas)
Foram buscar o nome a um verso de uma música dos The Stranglers chamada Toiler On The Sea.
The Housemartins (as andorinhas dos beirais)
Foi o vocalista, Paul Heaton, quem surgiu com a ideia do nome, inspirado pelo seu escritor de eleição, Paul Tinniswood, que normalmente recorre às aves, nas suas obras, para representar o mundo metaforicamente.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Pedro Abrunhosa nos anos 80

Chegou-me por mail um vídeo do Natal dos Hospitais de 1989 que mostra Pedro Abrunhosa e a sua banda, num registo que, digo eu, não seria o ideal para o tipo de audiência que fazia daquele evento um fenómeno televisivo. Trata-se de um registo com um certo valor histórico ou não surgisse Abrunhosa sem óculos e com cabelo. Fica a curiosidade satisfeita.



PS - Eu sei que não vos interessa para nada, mas o rapaz de óculos que está nas congas foi da minha turma no secundário e tem um nome inglês de que já não me recordo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

HOWARD JONES (55)

Uma das grandes baladas dos anos 80 chama-se No One Is To Blame. O responsável por este momento belo da pop dá pelo nome de Howard Jones e completa hoje 55 anos. Com dois álbuns de muito sucesso no Reino Unido - Human's Lib (1984) e Dream Into Action (1985) - Jones construiu uma carreira sólida, alicerçada em êxitos como New Song (1983),What Is Love? (1984), Like To get To Know You Well (1984), Things Can Only Get Better (1985) e Life In One Day (1985), entre outros.

domingo, fevereiro 21, 2010

Nomes de bandas: Kajagoogoo, Wang Chung, Marillion



Kajagoogoo
A banda de Too Shy foi buscar a sua designação ao som produzido por um bebé. De gagagoogoo a Kajagoogoo foi um instante. Já agora, Limahl é anagrama do apelido do cantor: Christopher Hamill.


Wang Chung
A designação desta banda, que nos deu temas como Dance Hall Days e o homónimo Wang Chung, vem do chinês huang chung, que, numa tradução literal, quer dizer sino amarelo. Mas foi a própria banda a explicar algures no tempo que a expressão se refere ao ouvido perfeito (ou ouvido absoluto), ou seja, aquele ouvido capaz de identificar qualquer nota e imediatamente reproduzi-la sob qualquer forma ou através de qualquer instrumento. Mas como isto dos nomes das bandas é terreno por vezes pouco firme, a banda já disse também que o nome Wang Chung tem a ver com o som que uma guitarra faz.


Marillion
O nome deste grupo foi retirado do título do livro The Silmarillion, the J.R.R. Tolkien. Pelo que reza a lenda, o livro estava na mesa à volta da qual a banda estava reunida para encontrar um nome. Por razões de direitos autorais, decidiram que o melhor era esquecer o "Sil".

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O caso dos CDs caídos do céu: afinal havia gato

Anteontem completei 39 anos, mas ainda tenho muito que aprender. Na verdade, ainda sou um anjinho. Isto a propósito daquele "erro informático" que supostamente me traria às mãos uma grande quantidade de CDs (ler o post original aqui). Esta situação motivou mesmo uma sondagem, através da qual fiquei a saber que 72% dos votantes me aconselharam a não ser otário e a ficar com os CDs (obrigado a todos por se preocuparem).

Pois bem, o caso teve um desenvolvimento inesperado. Recebi o aviso dos CTT para levantar a encomenda na loja da minha área de residência. Só que o postal avisava-me, também, que tinha de pagar a módica quantia de 103 euros! Tudo ficou imediatamente claro: o cliente faz uma encomenda, o vendedor avisa que houve erro informático e envia-lhe um monte de CDs. Confrontado com a nota de pagamento, o cliente, que até é endinheirado e tem curiosidade em saber que CDs lhe enviaram, paga. O que não é o meu caso. Não sou endinheirado, nem tenho curiosidade em saber o que eles mandaram.

Mas a coisa não ficou por aqui, uma vez que, nos dois dias seguintes, chegaram mais dois montes de CDs para levantar, com respectivas notas de pagamento de 75 euros e 116 euros. É claro que ficaram lá. Só espero que os CTT lhes cobrem os gastos de devolução. A questão agora é saber como vou recuperar o dinheiro que investi pelo CD dos FGTH, que faz parte do monte e ao qual não vou ter acesso.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

TARZANBOY (39)

A música sempre foi uma das minhas paixões, desde muito novo, talvez apenas igualada pelo gosto de escrever. A conjugação destes dois factores levou-me, em 2 de Novembro de 2003, a criar um blogue sobre a música dos anos 80, uma década fundamental na minha vida. Fundamental porque foi durante esta década que me aconteceram várias coisas pela primeira vez:
1. dei o primeiro beijo na boca a uma rapariga (e ambos gostámos);
2. assisti ao meu primeiro concerto ao vivo (dos Xutos & Pontapés, no Teatro Universitário do Porto);
3. tirei a minha primeira negativa num teste (foi a Educação Visual, e naquela altura chamavam-se "pontos");
4. apanhei a minha primeira bebedeira (naturalmente, não me lembro em que contexto);
5. experimentei o meu primeiro cigarro (sem querer voltar a repetir a experiência);
6. comprei o primeiro disco de vinil com o meu dinheiro (o "Cerco", dos Xutos & Pontapés);
Outras coisas aconteceram pela primeira vez, durante esta década, mas não há espaço aqui para as descrever.
Escolhi o nickname "tarzanboy" para assinar os textos do blogue porque precisava de um nome que me identificasse com a década. Não é que eu seja um fã especial do euro-disco, mas o título da música de Baltimora pareceu-me uma boa opção. Havia também a hipótese de "mirror man" (da música dos Human League) ou "the boy with the thorn in his side" (dos Smiths). Acabei por escolher aquele que meu veio logo à cabeça.
Através deste blogue, a que dei o nome de Queridos Anos 80, pretendi partilhar memórias e documentos relacionados com a música com a qual cresci. Para além disso, pude recuperar sons perdidos e até conhecer coisas que, na altura, me passaram ao lado.
Finalmente, o Queridos Anos 80 deu-me a oportunidade de conhecer pessoas com gostos muito parecidos com os meus. Umas apenas virtualmente, outras mesmo pessoalmente. O meu muito obrigado a elas, por se terem cruzado comigo.
Este artigo parece um artigo de despedida, mas não é. É só porque hoje faço 39 anos. Parabéns, tarzanboy!

ALI CAMPBELL (51)

Os puristas do Reggae nunca gostaram dos UB40, mas eu, que não sou um purista de coisa nenhuma, gosto da forma como eles deram um toque acessível (leia-se comercial e melodioso) a este estilo musical, que, para mim, sempre foi demasiado sério e aborrecido para me merecer a minha atenção (o Bob Marley dá-me sono...). O ex-vocalista da banda de Birmingham faz hoje 51 anos. Digo ex-vocalista porque Ali Campbell deixou os UB40 em 2008. É pena, mas também é uma oportunidade para vermos como é que o rapaz se aguenta sozinho, ele que tem o seu terceiro álbum a solo editado em 2009 (Flying High).


sábado, fevereiro 13, 2010

Under Pressure

Amanhã, no Coliseu do Porto, Joss Stone. Eu vou lá estar. Será que vai haver Under Pressure?

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

QA80 em ritmo lento...

O tempo para actualizar o QA80 não tem sido muito, por isso escasseiam as novidades por aqui. Pelo facto peço desculpa aos visitantes do blogue. Existe tanta coisa na minha cabeça relacionada com o blogue, mas que, por falta de tempo, não posso pôr em prática, que, às vezes, apetecia-me ter um clone. Entretanto, para breve, teremos novidades quanto à festa Queridos Anos 80... Stay tuned...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Novo teledisco: FIELDS OF THE NEPHILIM - Moonchild

Já roda na barra lateral o teledisco de Moonchild, dos ingleses Fields of the Nephilim. Conheci-os em finais da década de 80, através desta Moonchild, tendo tido acesso, através de um amigo, ao álbum de estreia, Dawnrazor (1987), e fiquei logo fã deste gótico musculado e obscuro. No sábado, estarão no Coliseu do Porto, mas a minha presença no Ar D'Mar, impossibilita a ida a este concerto. A banda de Carl McCoy tem sete álbuns editados, o último dos quais data de 2005 - Mourning Sun. Com um percurso acidentado - McCoy saiu da banda nos anos 90 para formar os... The Nephilim, enquanto os restantes membros continuavam sob a designação de Rubicon - os Fields apresentam-se agora aos fãs portugueses do gótico mais duro. Bom concerto!

Geração 70 80 90 - AR D'MAR - 6/Fevereiro

Requerimento:

Exmo./a. leitor/a do Queridos Anos 80

Tarzanboy e Pedro Mineiro, DJs, vêm requerer a V.ª Ex.ª que se digne estar presente no Ar D'Mar, bar situado na praia de Canide-Norte, em Vila Nova de Gaia, no sábado, dia 6 de Fevereiro a fim de poder dançar até cair para o lado ao som das grandes malhas da pop/rock dos anos 80. Mais se informa que os anos 70 e 90 estarão também contemplados ainda que de forma mais discreta.

Mais se solicita que a referida presença de V.ª Ex.ª seja acompanhada de amigos, familiares, próximos ou distantes, que, consigo partilhem o gosto pela boa música e não dispensem o acompanhamento refrescante de uma cerveja, caipirinha ou, quem sabe, de uma bebida branca magistralmente servida pelo staff do Ar D'Mar.

Pedem deferimento

Porto, 31 de Janeiro de 2010

Os Requerentes,

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(tarzanboy)
_____________________________
(pedro mineiro)

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

O que há de errado nesta notícia do Público*?

(*) Todos erramos, obviamente, e não é por isto que o Público deixa de ser o meu jornal preferido.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

What the f***?


Tenho então duas escolhas: ou faço o upgrade para um serviço pago ou exporto todos os comentários, sendo que, neste momento, não há qualquer serviço que possibilite a importação dos mesmos. Damn it! E agora?

sábado, janeiro 30, 2010

TARZANBABY (2)

Someone I know is staring at me
And when I look into his eyes
I see a boy that I used to be
I hardly recognise
Cos in the space of a year
I've watched the old me disappear
All of the things I once held precious
Just don't mean anything anymore
Cos suddenly

You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place

I've never felt good with permanent things
Now I don't want anything to change
You can't imagine the joy you bring
My life won't be the same
And I'll be there when you call
I'll pick you up if you should fall
Cos I have never felt such inspiration
Nobody else ever gave me more because

You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place

I watch you sleep in the still of the night
You look so pretty when you dream
So many people just go through life
Holding back, they don't say what they mean
But it's easy for me
Since you came
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place
You came, and changed the way I feel
No one could love you more
Because you came and turned my life around
No one could take your place


(ligeiramente adaptado)


kim wilde - you came

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Almeirim celebra os anos 80


Mais precisamente o bar QB. No sábado, dia 6 de Fevereiro, com o lendário Rui Remix como convidado. Pessoal do sul, estão convocados! Mais informações aqui.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Um dilema inesperado

Ele há coisas do catano. Há uns dias encomendei, a partir do sítio que tem o nome de uma floresta tropical na América do Sul, o CD Bang!... The Greatest Hits of Frankie Goes To Hollywood. Ontem, recebi um e-mail da parte do vendedor que diz o seguinte:

"Olá,

Devido a um grave erro informático irá provavelmente receber muitos CDs que não encomendou juntamente com aquele que encomendou. Não é obrigado a devolver os CDs; pode fazer o que quiser com eles.

Peço desculpa pelo incómodo,
(nome do senhor)
(nome da empresa)"


Isto contado quase que não dá para acreditar, mas aconteceu mesmo. E agora, tenho um dilema pela frente. Se, por um lado, não gosto de ficar com algo que não é meu e moralmente devo fazer a devolução, por outro, essa devolução irá custar-me dinheiro, tudo devido a um erro pelo qual não sou responsável. Falando com linguagem contextualizada: se o Power of Love pelo próximo me incentiva a ser bom e a devolver a coisas que não me pertence, há uma voz na minha consciência que diz Relax, don't do it. Que devo fazer? Podem ajudar-me ali na barra lateral?

Duel (XI): Human League vs. Orchestral Manoeuvres in the Dark - ENCERRADO

Os leitores do QA80 preferem os OMD! Concordo que se tratava de um duel complicado (como alguns se queixaram nos comentários), mas assim é que tem piada. Eu próprio votei nos rapazes de Souvenir, mas com uma lágrima no canto do olho, porque também gosto muito dos Human League. De qualquer maneira, a diferença não foi muito acentuada:

1. omd - 32 (56%)
2. human league - 25 (43%)


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Um duelo de pesos-pesados! Difícil escolha! Árdua tarefa! Confronto titânico! (esgotei os lugares-comuns).
Para votar e ouvir (clicar no player com o botão direito do rato para escolher as músicas). Tudo na barra lateral! Thanks!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

It's a kind of magic (XXVII)

Se fosse vivo, Martin Luther King completaria hoje 81 anos. De entre todos os tributos que a música já lhe dedicou, talvez seja Pride (In The Name Of Love), dos U2, aquela que mais facilmente recordamos. Mas, do mesmo álbum de Pride, o magnífico The Unforgettable Fire, faz parte um outro tributo ao político assassinado em 1968. Chama-se MLK a canção que encerra este LP e que hoje trago aqui num registo ao vivo em Dortmund, na Alemanha. Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton preparavam-se para conquistar o mundo e a voz de Bono nunca soou tão bela. O vídeo que se segue é um momento mágico. Foi em 1984.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

ANTÓNIO SALA (61)

Os meus anos 80 estão irremediavelmente associados à figura do locutor de rádio António Sala. Todas as manhãs - sem exagero - o meu despertador era o rádio que a minha mãezinha religiosamente sintonizava na Rádio Renascença, onde António Sala e Olga Cardoso animavam, das 6 da matina às 10, o programa Despertar. Não havia volta a dar: "Renascença, canal 1 está no ar, Renascença, é o programa Despertar!" e lá ia eu para a escola. Mas a fixação lá em casa por este mítico programa não ficava por aqui. A minha mãe fazia questão de marcar presença nos espectáculos do "Despertar ao Vivo", uma espécie de Natal dos Hospitais, mas fora da época do Natal. Lembro-me perfeitamente de ir a um no Pavilhão do Académico, ali na Rua Costa Cabral, e a outro nos jardins do Palácio de Cristal, e recordo a enchente que era, a loucura que se apoderava daquelas donas de casa desesperadas por ver o Salinha mandar umas larachas ou o incontornável Marco Paulo passar o microfone de mão para mão. Na altura, não achava piada nenhuma àquilo, claro, mas hoje, como em tudo, recordo com alguma nostalgia aqueles encontros de massas, quase religiosos. Um fenómeno. Eram tempos de uma rádio diferente. Ó Jorge, diz aí qualquer coisa.

Em 2007, a RTP mostrou um documentário sobre António Sala, abordando as várias facetas do actual director geral do grupo Renascença. Nos anos 80, ele foi uma espécie de faz-tudo. Para além de radialista, produziu e compôs para inúmeros artistas da então chamada Música Ligeira Portuguesa, apresentou programas de TV (eu era viciado no concurso Palavra Puxa Palavra), editou livros (quem não se lembra das famosas Anedotas do Sala?), e construiu uma carreira musical quer como elemento do grupo Maranata, quer em nome próprio. Em 1983 num inquérito realizado pelo Expresso foi mesmo considerado a personalidade portuguesa mais popular.

No que diz respeito à música, em 1985 lançou o álbum Segredos, que, creio (mas não tenho a certeza) ser um registo ao vivo. No mesmo ano, lançou o já clássico (na sua versão) Parabéns A Você, em dueto com o filho. Mas é o tema que levou ao Festival da Canção de 1984 que vos deixo aqui. Quem se lembra disto?


antónio sala - uma canção amiga

António Sala completa hoje 61 anos. Parabéns!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Ah, OK.

Anteontem, recebi o seguinte e-mail, do editor da revista O Grito! (isto a propósito do caso do plágio):

"Prezado Tarzanboy,
Peço desculpas, em nome da redação da Revista O Grito! pelo erro cometido. A essa época em que foi publicado o texto, costumávamos publicar posts em Creative Commons divulgando o link para a matéria original.
O post foi retirado do ar e já tomamos as providências internas em relação a isso.
Agradeço o contato. Grande abraço."


Então, está bem.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Stevie Wonder - a minha primeira compra no e-bay


A colectânea dos number ones de Stevie Wonder foi a minha primeira compra no ebay. Apesar de ser já um veterano nestas coisas da Internet, só agora me dei ao trabalho (e ao risco) de comprar alguma coisa neste mercado fantástico que está apenas à distância de uns cliques. Consegui este CD, como novo, por um total de 6.27€, já com custos de envio. E já encomendei outras coisas que procurava, mas que não encontrava a um preço que considerava justo (só em situações excepcionais é que dou mais de dez euros por um CD). Os livros também valem muito a pena, especialmente aquelas edições inglesas e americanas que cá custam para cima de 30 euros. Também já mandei vir umas coisas giras sobre música, que depois partilho aqui no QA80. Quanto ao CD do Stevie Wonder, esta faz parte (música linda pra caramba):


stevie wonder - overjoyed

quinta-feira, janeiro 07, 2010

9 de Janeiro - AR D'MAR - Geração 70 80 90

Estamos apenas a dois dias da primeira festa de 2010 da Geração 70 80 90, curiosamente, a edição DEZ dum projecto que já tem uma história bonita para contar e que reúne uma legião de seguidores que já não dispensam dançar, beber uma caipirinha ou simplesmente bater o pé ao som da melhor música de outros tempos. O bar Ar D'Mar é o cenário perfeito para esta festa. E como tudo se desenrola sob o signo do DEZ, os DJs de serviço irão revezar-se a cada DEZ músicas. Quanto a vocês, podem juntar-se à ideia e trazer DEZ amigos/as, que, por sua vez, beberão DEZ shots durante a noite (bem, esta é capaz de não ser uma boa ideia...). Aceitam o desafio? Até sábado!

Alphaville - Lisboa - 26 de Março


Forever Young, Big In Japan, Sounds Like A Melody e Dance With Me são boas razões para ir ver os alemães Alphaville ao Campo Pequeno. Este é o poster oficial e é da autoria do Nuno.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Eu plagio, logo existo

Tenho duas formas de encarar o plágio. Por um lado, envaidece-me que alguém tenha achado que aquilo que eu escrevi é tão bom que merece ser apropriado indevidamente. Para além disso, satisfaz-me o facto de a situação ser afinal um atestado de incompetência, de incapacidade, de ignorância, de falta de talento, etc, inconscientemente auto-infligido pelo plagiador. Por outro lado, tratando-se de um roubo - puro gamanço, como se diz na minha rua - custa-me ver aquilo que é produto da minha competência, do meu tempo, dos meus sacrifícios, publicado noutro sítio e assinado por alguém que mais não fez do que pôr em prática os comandos copy/paste que aprendeu num curso de informática lá da associação recreativa do bairro (com todo o respeito pelos bairros, até porque nasci num).

Vem toda esta conversa a propósito de ter encontrado mais um site a plagiar conteúdo do QA80. E digo "mais um" porque não é caso virgem como podem ver por esta pequena resenha histórica:

1. Um blog de um locutor de uma rádio do Marco de Canaveses começou a publicar textos meus sem a devida referência à fonte. A coisa funcionava bem, até porque esse locutor tinha (tem) um programa de rádio dedicado aos êxitos de outros tempos e ficava-lhe bem remeter os ouvintes para os "seus" textos no blog. Felizmente esse blog foi extinto e substituído por outro que, pelo que já verifiquei, não tem lá nada meu.

2. Outro caso é o daquele jovem que tem todo o seu blog copiado de outras fontes, sejam elas a wikipédia ou outros blogues. Existe o "rei dos leitões", ali na Bairrada. Existe o "rei da pop", que Deus o tenha. A este eu chamo o "rei do plágio". Querem um exemplo? Este é o meu texto sobre o Nik Kershaw. Este é texto do plagiador. O mais engraçado é que o "autor" continua, impávido e sereno, com a sua política apesar de algumas chamadas de atenção nos comentários.

3. Como já aqui referi há atrasado, o QA80 também já foi alvo de uma tentativa de plágio na Wikipédia. Alguém achou que devia criar um artigo sobre a Taylor Dayne e copiar o meu texto para lá. Assim também eu. Só que a referida pessoa teve azar porque o esquema foi detectado. Há poucos minutos, quando fazia uma pesquisa na Wikipédia para encontrar o "caso" Taylor Dayne, dei de caras com outra tentativa de "aproprianço", desta vez dum artigo meu sobre os The Buggles. É caso para dizer: Wikipédia, I love you.

A mais recente história de plágio ao QA80 foi descoberta por mim na semana passada e leva-nos até ao Brasil, mais propriamente à cidade do Recife, onde existe uma revista online chamada O Grito. Como podem verificar, aqui o caso pia mais fino (outra expressão utilizada na minha rua) pois não se trata de um blogue pessoal, mas de uma coisa mais à séria. Uma revista que aborda, segundo as suas próprias palavras, "Cultura Pop Sem Contra-Indicação". E até tem muita qualidade a dita revista, não fosse um dos seus editores (apenas um dos responsáveis máximos pela publicação) ter caído na tentação de utilizar o meu texto sobre a Desireless, escrito em Abril de 2004, "formatá-lo" para a variante brasileira do português (a esse trabalho tenho dar algum mérito...) e apresentar o texto como seu, ainda por cima - e esta é a cereja no topo do bolo - dando o sub-título de "Queridos Anos 80" ao texto. Como é que se diz "é preciso ter lata" em português-brasileiro?

Quero finalizar deixando claro que contactei sempre os autores dos textos antes de divulgar publicamente a situação. Acho que as pessoas têm sempre o direito à sua defesa, dentro duma perspectiva de diálogo que eu privilegio. No entanto, em nenhum destes casos obtive qualquer resposta. E assim só me resta denunciá-los aqui, no meu espaço. Tenho dito. Obrigado pela vossa paciência.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

45 rotações (VII)

Ana Faria e Pedro
É Natal (1988)

O Queridos Anos 80 abre as hostilidades no novo ano com um single de Natal. Sim, o Natal já passou, mas, como o adágio costuma lembrar, "Natal é quando um homem quiser". E eu sou um homem e quero que hoje se fale do Natal (ó soares, acrescenta este à lista). Para além disso, este single é da responsabilidade de Ana Faria, a cantora favorita do tarzanbaby, que conhece de trás para a frente os álbuns Brincando Aos Clássicos.

O lado A chama-se É Natal, e é constituido por um dueto entre Ana Faria e um dos seus filhos, o Pedro. A canção tem uma melodia bonita, uma letra apropriada à idade do público-alvo a que se destina. O arranjo instrumental é da responsabilidade de Ramon Galarza, um homem que trabalhou com meio-mundo da música portuguesa nos anos 80. Só me faz alguma espécie aquele vibratto um tanto forçado do Pedro, talvez resultado de orientações maternas (já agora, não há, na música portuguesa, um vibratto tão forte como o da Ana Faria...).

O lado B é a Canção do Vasco e foi retirada do CD Brincando Aos Clássicos, o tal disco em que Ana Faria cria versões infantis - cada uma com um nome próprio - a partir de clássicos. Nesta caso, a Canção do Vasco é uma adaptção de Pizzicati-Schettino do Ballet "Sylvia" de Leo Delibes. O arranjo e a letra são de Ana Faria.


ana faria e pedro - é natal


ana faria - a canção do vasco

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Onde estavas tu no final da década de 80?

Há vinte anos o mundo despedia-se da década de 80. Dez anos de descoberta, evolução, libertação, mas também de ruptura, caos, morte. Eu, nos meus esplendorosos dezoito anos, aguardava ainda em Dezembro, o início do meu percurso na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que haveria de chegar apenas em Janeiro de 1990. Porque nesse longínquo ano de 1989 tive as férias mais longas da história da Humanidade (acho eu). Após a atribulada implementação de uma PGA (Prova Global de Acesso) que ninguém compreendia, ponto nevrálgico de uma reforma educativa que nada ficava a dever às Marias de Lurdes deste mundo, todos os futuros caloiros universitários do ano lectivo 89-90 tiveram direito a seis meses de boa vida. Devo ter feito tão pouca coisa de relevante durante esses seis meses que não me lembro de nada. Calculo que a minha vida se dividisse entre sair com os amigos até ao Brasília ou ao Dallas (os dois centros comerciais que a malta jovem frequentava), cuja distância permitia ir a pé, e apanhar o autocarro até às esplanadas da Foz, onde podíamos alimentar a vista com as catraias da Foz (o pessoal desta zona do Porto sempre primou pela higiénica distinção de se cumprimentar apenas com um beijo, o que me deixava fascinado). Ao fim-de-semana, as saídas à noite tinham como destinos mais que prováveis o Swing ou a Indústria. Eram os tempos do girl-hunting (sim, eu sei que a expressão é infeliz), em que uns tinham mais sorte do que outros. Eu, que não era nenhum Tom Cruise ou Richard Gere, não me posso queixar. É claro que havia sempre o lado da música, dos concertos dos Xutos, das tardes em casa de amigos a ouvir o novo dos Jesus And Mary Chain ou a reflectir dolorosamente sobre o razão do fim dos The Smiths. Mas o mais importante eram mesmo as miúdas e ai daquele que criticar opção!

O motivo deste texto tem também a ver com uma revista que guardei no dia 30 de Dezembro de 1989 - a Revista do Expresso. Nessa edição, a revista dedicou todas as suas páginas à década de 80. O título é "Para acabar de vez com os anos 80". Já não sei porquê, mas na altura achei engraçado guardá-la, sem sonhar sequer que, vinte anos volvidos, estaria a escrever sobre ela na Internet (hã?), mais concretamente num blogue (o quê?).

A capa da revista mostra um desenho do caricaturista António, que assina António 89 Dali. Percebe-se porquê (clicar na imagem para ver em pormenor). Logo na página 3 surge o texto "A década da grande promessa", da responsabilidade do então director-adjunto Joaquim Vieira. É um texto que digitalizei e publico aqui porque merece ser lido pelo seu testemunho de época. (Gostava de ter tempo e, já agora, um scanner do tamanho da revista que me permitisse digitalizá-la toda, mas tal não é possível.) Do ponto de vista mundial, Joaquim Vieira ocupa as páginas seguintes com aqueles que, na sua opinião, são as "catorze personagens da década". E lá estão os seguintes nomes, acompanhados de imagem, citação e texto do jornalista: Mikhail Gorbatchov, Deng Xiaoping, Lech Walesa, Andrei Sakharov, João Paulo II, Akio Morita, Margaret Thatcher, François Miterrand, Ronald Reagan, Muammar Kadhafy, Nelson Mandela, Yasser Arafat, Fidel Castro e o Ayatollah Ruhollah Khomeiny.

Segue-se, talvez, a secção mais divertida da revista. Ao longo de seis páginas, com o título "Flesh/Flash", Clara Ferreira Alves, Luís Coelho, Paulo Varela Gomes, Abílio Leitão, Alexandre Melo e Inês Pedrosa apresentam uma galáxia de ícones culturais da década de 80, da ciência à moda, passando pela música, pelo cinema, etc..., com imagens e comentários que traçam o perfil de toda uma década.

Nas páginas 16 e 17, a revista apresenta o artigo "Medos", não assinado, através do qual nos são apresentadas as grandes fobias (ou paranóias, se quisermos) daquele tempo: Aditivos, Cidade, Clima, Crash, Droga, Nuclear, Sexo, Sida, Solidão, Tabaco, Terceiro Mundo, e Terrorismo.

A partir daqui, e após um artigo de Eduardo Lourenço intitulado "A década mágica (do Afeganistão à anti-Comuna)", a edição apresenta a visão que várias vertentes da sociedade e do conhecimento tiveram da década que então finalizava. Em cada texto, há uma frase em detaque numa caixinha à parte. Não resisto a transcrever algumas, e a respectiva secção (eo nome do autor):

ECONOMIA INTERNACIONAL (Clara Teixeira): "Os japoneses não resistiram ao convite e lançaram-se em autênticos raids sobre empresas norte-americanas."
CIÊNCIA (José Mariano Gago): "Implícita na ciência está a esperança de exorcizar a morte, individual e planetária, através da busca do princípio de tudo."
POLÍTICA (José António Saraiva e Fernando Madrinha): Esta secção é dedicada à política portuguesa e não qualquer frase em destaque. Neste artigo, faz-se naturalmente o retrato político nacional e há nomes que não podem deixar de aparecer: Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Ramalho Eanes, Francisco Balsemão, Mário Soares, Mota Pinto, Hermínio Martinho, Vítor Constâncio, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal e Jorge Sampaio.
FILOSOFIA (Manuel Maria Carrilho): "O conceito não passa de uma palavra a funcionar no âmbito de um determindo jogo de linguagem."
FILMES (João Lopes): "A televisão irrompeu no terreno do cinema, disputando-lhe a condição de grande imaginário colectivo."
MEDIA (Francisco Rui Cádima): "São os media que criam os acontecimentos, são eles que regulam a ordem do mundo: uma ordem de restos e simulacros."
ARQUITECTURA (João Vieira Caldas e Paulo Varela Gomes): "Os grandes encomendadores são ignorantes, apáticos ou pouco inteligentes."

Pelo meio, entre outros artigos, pode ler-se um texto interessantíssimo, da responsabilidade de António Guerreiro e Paulo Varela Gomes, com o título "Ideias Feitas", que parte dos conceitos-chave à volta dos quais a década de 80 se desenvolveu: Anos 80 (a expressão em si), Comunicação, Diferença, Ecologia, Fim da História, Fraco (Pensamento), Futuro, Imagem, Liberalismo, Optimismo, Pós e Neo, Saúde, Sucesso, Tecnologia.

E a música? Deixei a secção que diz mais a este blogue para o fim. Os responsáveis pela mesma são João Lisboa e Ricardo Saló, que apresentam o resumo da década através de um jogo intitulado "O Caminho da Glória", cuja estratégia é apresentada pelos dois jornalistas da seguinte forma: "(...) pilhar, sem cerimónia, os procedimentos e objectivos de dois jogos de tabuleiro - "glória" e "trivial pursuit" - e, depois de devidamente desfigurados, ensaiar sobre eles o "plano Frankenstein" de enxerto-e-choque-eléctrico". Podem verificar em pormenor clicando nas imagens e jogar, porque não, com os amigos ou família. Como se fazia nos anos 80.

Este é o último texto do ano, aqui no QA80. Desejo-vos um óptimo 2010 e, porque não, uma década fantástica (ou pelo menos melhor do que a que agora termina).

sábado, dezembro 26, 2009

Xutos "ao triplo" no meu sapatinho

Como eu me portei bem, o Pai Natal colocou-me no sapatinho a edição em CD do mítico triplo álbum dos Xutos e Pontapés, ao vivo no Pavilhão d'Os Belenenses, no ano de 1988. Esta edição traz o concerto que a RTP transmitiu na altura e que eu gravei numa VHS que agora repousa, velhinha, uma estante dos arrumos. O vinil, que comprei na altura, já tem descendente! Que enorme prenda!

O triplo ao vivo foi editado em pleno auge comercial da banda, após os dois álbuns que os catapultaram para o topo das tabelas de vendas - Circo de Feras e 88. Na altura, estive para ir a uma destas três datas (29, 30 e 31 de Julho de 1988), mas, já não sei porquê, faltei. Eu que os acompanhava a qualquer terreola aqui à volta do Porto.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

DESIRELESS (57)

No dia de Natal, nasceu Claudie Fritsch, que no mundo da canção se destacou através da designação Desireless. Há 57 anos, em Paris de França. Já aqui, neste humilde espaço, foi alvo de um post, no longínquo ano de 2004 (como o tempo passa!), por isso, não valerá a pena estar a repetir-me. Em 2003, foi editado o álbum que reúne os seus maiores êxitos - Ses plus grands succès - e, no ano seguinte, um acústico ao vivo - Un brin de paille. Desireless continua a editar e a actuar nos palcos europeus. Fiquemos com a belíssima Voyage Voyage.


desireless - voyage voyage

domingo, dezembro 20, 2009

ALAN PARSONS (61)

Quando era miúdo gostava muito da canção Let's Talk About Me, de Alan Parsons Project, o projecto do senhor Alan Parsons, iniciado em 1975, em parceria com Eric Woolfson. A vocalização de Let's Talk About Me era de David Paton, mas o projecto não tinha um vocalista, digamos, titular. As vozes, e foram muitas, eram escolhidas tendo em conta a canção, produto da dupla Parsons-Woolfson. Ainda assim, foi o próprio Eric Woolfson quem cantou o tema que trouxe mais sucesso à dupla: Eye In The Sky. Alan Parsons, que antes de ser artista com nome próprio, trabalhou com os Beatles e os Pink Floyd, completa hoje 61 anos. Mas este artigo termina em tons cinzentos: no dia 2 de Dezembro, a voz de Eye In The Sky faleceu, vítima de cancro.


alan parsons project - eye in the sky

45 rotações (VI)

All About Eve
December (1989)

December foi o último single lançado pelos All About Eve nos anos 80 e faz parte do segundo álbum da banda, Scarlet and Other Stories. Este álbum ficou marcado pela separação da vocalista Julianne Regan e do guitarrista e Tim Bricheno, e consequente saída deste da banda. Será pois natural que este trabalho seja caracterizado por estados de espírito mais melancólicos e lirismos marcados pela dor. Este single, December, e o respectivo lado B, Drowning, são exemplo disso mesmo, com a voz de Julianne Regan, ainda que sempre bela e doce, a revelar tonalidades amargas (a própria Julianne confessou que nunca chorou tanto na vida como no período de gravação deste álbum). December é um tema lindíssimo, cuja letra deixo aqui, para acompanhar o áudio.


all about eve - December

all about eve - drowning

There's a Victorian tin, I keep my memories in,
I found it up in the attic.
After looking inside, I find the things that I'm hiding...
The leaves saved from a mistletoe kiss,
Only nostalgia has me feeling like this...
Like I miss you,
It must be the time of year.

Remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
How does it make you feel inside?

Beneath a Valentine, I see a locket is shining
I think it must be the wine,
Makes me feel it's all real.
Where nothing seems to rhyme
To breathe life into the dust of a keepsake
I might as well try to fix a chain on a snowflake
Or a heartache,
It must be the time of year.

Remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
A fall of snow and the afterglow.
It could be taking our breath away
But the years stand in the way,
Remember December,
How does it make you feel inside?

Should I feel this alone, should I pick up the phone
Take my heart in my hand
And ask if you remember December,
It's like a wintergreen beside a diamond stream,
Remember December,
A fall of snow and the afterglow.
It could be taking our breath away
But the years stand in the way,
Remember December,
How does it make you feel inside?

quinta-feira, dezembro 17, 2009

SARA DALLIN (48)

Um terço das Bananarama faz hoje 48 anos. Falo de Sara Dallin, a única das três moçoilas que não casou com um músico dos anos 80 (como todos sabem, ou talvez não, até porque não interessa ao menino Jesus, Keren Woodward ajuntou-se a Andrew Wham Ridgeley, e Siobhan Fahey foi casada com Dave Eurythmics Stewart). Rezam as crónicas que Sara era a verdadeira força das Bananarama, aquela que punha as coisas a rolar, claro está, com a benção da santíssima trindade, Stock Aitken Waterman. Hoje reduzidas a duo (Dallin e Woodward), as Bananarama percorrem os palcos europeus em festivais revivalistas (por exemplo, o Here And Now) e acabam de lançar, em Setembro passado, um novo álbum intitulado Viva.


bananarama - love in the first degree

Duel (X): The Outfield vs. Wax - ENCERRADO

Já lá vão alguns dias após o encerramento do duel que opôs os Outfield aos Wax, mas só agora posso dar conta do resultado final (que, para quem está minimamente atento, esteve sempre na barra lateral). Pois então, os Outfield acabaram por levar a melhor por 19votos a 15, depois dos Wax terem começado francamente melhor. Obrigado a todos pela participação.

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A décima edição do duel já rola ali na barra lateral. Em confronto temos os The Outfield, britânicos que obtiveram êxito massivo com Your Love e All The Love, e os Wax, um britânico e um americando que um dia se juntaram para uma carreira de poucos anos que trouxe Right Bewteen The Eyes e Bridge To Your Heart como temas de maior destaque. Cabe-vos a vós decidir qual a banda preferida. É só clicar ali ao lado na barra lateral. Obrigado pela participação.

Com esta edição X do duel, estou também a estrear um novo player, quefui buscar à página do senhor Jason Lau. Se clicarem com o botão direito do rato em cima do player, têm acesso à lista de músicas e a todos os comandos normais.

terça-feira, dezembro 15, 2009

DON JOHNSON (60)

O tipo da esquerda podia ser filho do tipo da direita, mas, digo-vos uma coisa, não sei qual deles actualmente impressionaria mais o sexo feminino numa saída à noite. Tenho um palpite que Don Johnson, que hoje entra no clube dos sexagenários, soube envelhecer como o Vinho do Porto. Basta ver aquele ar saudável de "tio engatatão que mora sozinho e leva sempre uma namorada nova aos aniversários dos irmãos".
Em 1986, o protagonista da série Miami Vice, aventurou-se na música com o álbum Heartbeat, cujo single homónimo não se portou nada mal na altura. Em 1989, arriscou um segundo álbum, Let It Roll, e ficar-se-ia por aí no que toca a LPs de originais. Em suma, dois álbuns e dois duetos (um deles com Barbra Streisand) já o colocaram na história musical dos anos 80 e foram suficientes para dar origem a uma colectânea - The Essential (1997).


don johnson - heartbeat

sábado, dezembro 12, 2009

SHEILA E. (52)

Sheila E. foi dona da bateria de Prince em 1983 (e arrisco que terá sido dona de algo mais) e, a exemplo de tantos músicos que gravitaram em torno do génio de Mineapollis, acabou por se emancipar e construir carreira a solo a partir de 1984. Sinceramente não me ocorre nenhuma música da Sheila E., mas também não interessa, pois o objectivo deste artigo é assinalar o 52º aniversário da senhora, que por sinal está muito bem conservadinha. Já agora, o E. é de Escovedo.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Geração 70 80 90: nona edição!!!

Parece que foi ontem, mas já vai na nona edição: GERAÇÃO 70 80 90, a festa que agita o mar de Gaia ao som das maiores músicas pop-rock dos anos 80 (mas também 70 e 90...). O local do "crime" é o mesmo, Ar D' Mar, ali na praia de Canide-Norte, agora com climatização. Os suspeitos são os do costume, Pedro Mineiro e tarzanboy, mestres na arte do vira-o-disco-e-toca-outro. E que discos poderemos ouvir nesta nona edição? Qualquer coisa entre a pop e o rock, do nacional ao estrangeiro (ah, pois), cabe tudo nesta noite de revivalismo, sábado, 12 de Dezembro, no Ar D'Mar. Apareçam e tragam pessoas!


PS - Aceitam-se discos pedidos! (mas só em papel timbrado)

segunda-feira, dezembro 07, 2009

CLAUDIA BRÜCKEN (46)

Foi a vocalista dos alemães Propaganda, banda synth-pop responsável por um dos hinos dançáveis da década, Duel, canção que dá nome a uma das rubricas do QA80 (por falar nisso, já votaram no duel actual, ali na barra lateral?). Após abandonar os Propaganda, fundou, em 1988, os Act com Thomas Leer, projecto que deixou um álbum para a posteridade. O início dos anos 90 viu Claudia enveradar por carreira a solo, com o álbum Love: And a Million Other Things, mas foi ao cuidado da família que Claudia basicamente se dedicou na primeira metade da década. Em 1996, começou a trabalhar com Paul Humphreys (OMD), união da qual nasceu, em 2004, o projecto OneTwo, que já editou e inclusivamente abriu concertos para Erasure e Human League. Claudia tem ainda no currículo colaborações com Jimmy Sommerville, Apoptygma Berzerk e Andy Bell (Erasure). Hoje, Claudia Brücken faz 46 anos. Parabéns!

sexta-feira, dezembro 04, 2009

The Parachute Men

sometimes in vain he calls her name but it's not the same

Sometimes In Vain foi uma canção que se atrelou à minha memória durante vinte anos. Finalmente consegui recuperá-la. Quem ma apresentou foi António Sérgio, no seu Som da Frente, e por ela foram responsáveis os britânicos The Parachute Men.

Tiveram uma existência efémera, com dois álbuns de originais e um punhado de singles. Surgiram em Leeds, em 1985, compostos, na sua formação, por Fiona Gregg (voz), Stephen H. Gregg (guitarra), Andrew Howes (baixo e teclas) e Mark Boyce (bateria e teclas). Em Maio de 1988, lançaram um EP com Sometimes In Vain como tema principal, e três meses depois via a luz do dia o primeiro álbum, intitulado The Innocents, um trabalho bastante bem recebido pela crítica, que chegou a entrar nos cinquenta álbuns do ano do New Musical Express (Sometimes In Vain foi a trigésima-primeira canção do ano, para este jornal). Em 1990, surgiu o segundo longa-duração, Earth, Dogs, and Eggshells, já com Matthew Parkin (baixo) e Paul Walker (bateria), que tinham subsituído Howes e Boyce. Haveria mais mexidas na formação do grupo, mas o seu destino estava traçado, a dissolução ainda em inícios da década de 90. Dos fundadores, perdi o rasto à vocalista, Fiona Gregg. Quanto ao guitarrista, Stephen Gregg, é agora um eminente professor universitário de literatura inglesa. OS Parachute Men desapareceram do mapa musical. Resta-nos recordar Sometimes In Vain:


the parachute men - sometimes in vain

terça-feira, dezembro 01, 2009

Novo teledisco: PHIL COLLINS & PHILIP BAILEY - Easy Lover

Comemora-se hoje em Portugal o Dia da Restauração da Independência, que é como quem diz o dia em que demos um chuto no traseiro dos espanhóis, que, durante sessenta anos, nos governaram (há quem diga que foi uma pena eles terem ido embora...). Foram três reis castelhanos, todos eles com o nome Filipe. E como este blogue tem um índice cultural elevado, lembrei-me de ir buscar o teledisco de um dueto protagonizado por dois Filipes da música dos anos 80. Falo-vos de Phil Collins e Philip Bailey, que se encontraram em 1984 e o resultado (com a ajuda de Nathan East) chamou-se Easy Lover. O single fartou-se de vender por esse mundo fora, foi nomeada para um Grammy e o teledisco, realizado por James Yukich, ganhou mesmo um prémio da MTV. Podem visioná-lo ali na barra lateral. Este teledisco nada traz de excepcional, retratando apenas a chegada de Bailey a Londres para gravar uma actuação com Collins. O clip mostra todos os preparativos para o evento, entre os quais surgem alguns números cómicos a que Phil Collins nos habituou em alguns dos seus telediscos.

Atenção, esta canção vai passar na grandiosa festa de 12 de Dezembro, no Ar D'Mar!

quinta-feira, novembro 26, 2009

Sétima Legião, com Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro - Ascensão (ao vivo)



Volto hoje ao vídeo da Sétima Legião, no concerto no Pavilhão Carlos Lopes, em 1990, para apresentar a bela Ascensão, que junta em palco Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro. Antes de mais, as minhas desculpas pelo facto de, a meio do vídeo, o som e a imagem ficarem dessincronizados. O original deste tema faz parte do álbum De Um tempo Ausente (1989), e foi escrito por Francisco Ribeiro, músico fundador do projecto Madredeus.

Hoje mesmo estive na FNAC do Norteshopping (clicar na imagem) a acompanhar o showcase do novo projecto de Francisco Ribeiro, de nome Desiderata, cujo trabalho de estreia tem o título sugestivo de A Junção do Bem. Gostei bastante do que vi e ouvi (e o tarzanbaby também...) e as anunciadas participações de Lisa Gerrard (Dead Can Dance) e Natália Casanova (Diva), entre outros, prometem um disco de grande qualidade... Por agora, regressemos a 1990.

quarta-feira, novembro 25, 2009

O meu novo gira-discos

Apresento-vos o meu novo gira-discos. Chama-se Numark e é um gira-discos bonito. Orientado para o DJing, a característica que me convenceu a comprá-lo foi a possibilidade de se ligar, via USB, ao computador e converter automaticamente o vinilzinho em saborosos ficheiros mp3. Isto com a ajuda de um software muito intuitivo e sem precisar da intermediação de um amplificador. Posso dizer-vos que estou muito contente. Se clicarem na imagem poderão ver o meu novo bicho de estimação em tamanho superior e admirar toda a sua beleza. Sim, é bonito, não me canso de o dizer, e ainda por cima foi o mais barato que encontrei dentro desta espécie de gira-discos. Já agora, o single que está na imagem foi o primeiro que nele pus a tocar e chama-se No More I Love You's e pertence aos The Lover Speaks. Estou muito feliz. O meu gira-discos é muito bonito.

terça-feira, novembro 24, 2009

Novo teledisco: FREDDIE MERCURY - Love Kills

Freddie Mercury morreu há 18 anos. A 24 de Novembro de 1991, o mundo da música era varrido pela notícia da morte de um ícone. Por esta razão, o QA80 apresenta o teledisco de Love Kills, um tema de 1984, que faz parte da carreira a solo de Mercury.

Love Kills foi composto por Mercury e Giorgio Moroder e fez parte da banda sonora do filme Metropolis. Aliás, o teledisco é precisamente uma sucessão de imagens do filme de Fritz Lang.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Os maiores "of the universe"

O título deste artigo transborda de euforia, mesmo mais de uma semana depois do concerto dos Depeche Mode no Pavilhão Atlântico. Foi como se fosse o primeiro, apesar de já ter sido o terceiro. A devoção de um fã a uma banda como os DM ultrapassa qualquer álbum menos conseguido, qualquer desacerto vocal do Dave Gahan, qualquer reminiscência nostálgica dos tempos de Alan Wilder, qualquer grau de previsibilidade que um concerto destes possa ter.

Ao contrário do que acha o André, para mim, o álbum Sounds of the Universe é um grande álbum, e lamento que a banda apenas tenha investido em quatro canções para esta apresentação em Lisboa (lamentavelmente ficaram de fora Fragile Tension, Peace, Come Back e Perfect). In Chains serviu de abertura, um pouco à imagem de Higher Love, canção que abria os concertos da digressão de Songs Of Faith And Devotion. Seguiu-se o hit Wrong e o não-hit Hole To Feed. Três canções de Sounds of the Universe para fazer o warm-up do que estava para vir. E o que veio foi a sucessão previsível (isto de saber antecipadamente a set list não tem piada nenhuma) de alguns dos grandes temas da banda. O último álbum teria apenas mais uma visita, através da poderosa Miles Away/The Truth Is, que não esteve a mais, não senhor, caro Gonçalo Sá.

Dave Gahan mantém os movimentos de anca que tanta popularidade têm no público feminino e entrega-se ao momento como poucos o fazem. Se a voz não corresponde aqui e ali, pouco importa. Dave é muito mais do que isso. A certa altura fartou-se de enviar beijos para um local específico da plateia, sendo esse o único momento de comunicação efectiva com o público (para além do usual thank you, Lisboa).

Os "momentos-Gore" foram dois e aquilo que o Davide Pinheiro vê como "excesso de ego", eu vejo como a natural expressão de um génio que merece o seu momento (para além de dar oportunidade ao descanso de Gahan). O primeiro momento trouxe Sister Of Night e Home (impressionante esta versão apenas acompanhada a piano). O segundo foi completamente inesperado pois as crónicas dos recentes concertos não incluiam a canção que Gore cantou: One Caress, uma das minhas preferidas de sempre do "catálogo-Gore". No concerto fiquei com a nítida sensação de que esta escolha surpreendeu mesmo os restantes membros da banda.

Relativamente ao palco, adorei a sucessão de vídeos que acompanhavam cada canção, no enorme ecrã gigante por detrás da banda, e a sua conjugação com o globo que, como um olho, parecia observar cada movimento do público.

Uma última palavra para a organização. Entrei no pavilhão às 20:45, convencido de que iria assistir ao concerto de Gomo às 21:00h, hora que o bilhete apontava como sendo a do início do espectáculo. Qual não foi a minha surpresa quando apanhei Gomo a meio e, por consequência, já não consegui chegar-me à frente na plateia. Fui só eu que fui enganado pela hora no bilhete?