domingo, janeiro 08, 2012

DAVID BOWIE (65)

O camaleão completa hoje a bonita idade de 65 anos e o QA80 não podia deixar passar a data sem referência. Com uma carreira a despontar em finais dos anos 60, David Robert Jones entrou definitivamente pelos meandros da pop na década de 80, durante a qual nos deu canções que fizeram parte de qualquer alinhamento de discoteca. Ou será que nunca "abanaram o capacete" ao som de Let's Dance, China Girl, Modern Love ou Blue Jean?

É importante referir que David Bowie está presente em alguns dos duetos mais marcantes da década, ao lado de Mick Jagger (Dancing In The Street), Queen (Under Pressure) e Tina Turner (Tonight).

Para além do seu contributo inestimável à música, Bowie também "fez uma perninha" na sétima arte. Podemos vê-lo, na década de 80, em filmes como Merry Christmas Mr. Lawrence (1983), Into The Night (1985), Absolute Beginners (1986), Labyrinth (1986) e The Last Temptation Of Christ (1988). Já no século XXI, surgiu na comédia Zoolander (2001) naquela cena hilariante do combate de manequins. Parabéns, Mr. Bowie!

sábado, janeiro 07, 2012

KENNY LOGGINS (64)

Kenny Loggins ficou para sempre ligado ao nosso imaginário musical quando cantou Footlose, a música principal do filme com o mesmo nome. Lembro-me que o teledisco misturava imagens de Loggins a cantar e de Kevin Bacon a dançar. No filme, Bacon era o miúdo que chegava a uma cidade onde a música e a dança eram proibidas. Eu nunca vi o filme, diga-se em abono da verdade. Footlose era o tema principal da banda sonora, mas nela constavam outros temas fortes como Holding out for a Hero (Bonnie Tyler) ou Hurts So Good (John Cougar).

É curioso o facto de os principais êxitos de Kenny Loggins não fazerem parte da sua discografia própria. É que, para além de Footlose, o outro grande sucesso da sua carreira também fez parte de uma banda sonora original. Trata-se do filme Top Gun e a música chama-se Danger Zone. O site oficial de Loggins fala de um artista multi-planita, multi-ouro, multi-não-sei-quê, mas sinceramente, aqui a este cantinho apenas chegaram duas músicas. Que não são más de todo, dentro do género "casa-de-máquinas-de-jogos".

Resta-me dar os parabéns a Kenny Loggins, que completa hoje 64 anos. É bom não esquecer que ele vem dos inícios dos anos 70, quando cantava com Jim Messina. A sua exuberância capilar também já vem dessa altura como podem facilmente perceber através das imagens.

A miúda do teledisco (4)

A miúda do teledisco que hoje trago ao Queridos Anos 80 é Tawny Kitaen, também conhecida como "O avião que o David Coverdale afiambrou". De facto, os dois foram marido e mulher entre 1989 e 1991, portanto dois longos anos de muito amor, sexo (Ó David, não me deixes ficar mal) e consumo de shampô naquela casa. Assim de memória, temo-la presente nos telediscos de Is This Love, Here I Go Again e The Deeper The Love.
Se em Is This Love, a ação atinge uma intensidade dramática de assinalar, com o casal a separar-se e a reconciliar-se no final, em Here I Go Again, é o regabofe total. O teledisco de HIGA é um verdadeiro tratado de irresponsabilidade na estrada. Tawny Kitaen começa por se colocar de joelhos à janela do carro, depois senta-se na janela, debruça-se sobre o vidro frontal, abraça David Coverdale, mete-lhe o pernil à frente, come-lhe a orelha. Entre uma lambidela aqui e outra acolá, David Coverdale vai estando atento à estrada, na medida do possível, até ao moimento final do teledisco, em que a marota da Tawny o arrasta para o banco traseiro, isto sempre com o Jaguar XJ em movimento, imperturbável. Este carro era mesmo muito fiável.
Tawny Kitaen não nasceu Tawny, nasceu Julie Kitaen, mas aos doze anos começou a usar o "Tawny" e toda a gente foi atrás. Na sua longa lista de namorados podemos encontrar nomes como Tommy Lee, O.J. Simpson, Jerry Seinfeld e Jon Stewart, ligações que lhe devem ter valido alguma notoriedade, já que a carreira de atriz de papéis secundários em séries televisivas de segunda nunca lhe trouxe grandes proveitos.
Se queria voltar à ribalta, conseguiu-o no século XXI mas não pelos melhores motivos. Em 2002 foi acusada de violência doméstica sobre o marido, um jogador de baseball que lhe deu dois filhos, e de quem se divorciou logo a seguir à porradinha. Em 2006, foi apanhada na posse de umas gramas de cocaína. E como não há duas sem três, em 2009, foi presa por condução sob o efeito do álcool. Não sei se estaria a pôr o pernil fora do carro para o polícia ver, mas não me admirava nada que assim fosse.

domingo, janeiro 01, 2012

A miúda do teledisco (3)

Falar desta catraia não é fácil. Por motivos factuais e por motivos sentimentais. Comecemos pelos menos dolorosos. Como já se devem ter apercebido, ela é a miúda de Sign Your Name, de Terence Trent D'Arby (que agora responde pelo nome de Sananda Maitreya). O seu nome é Kelly Brennan e era modelo quando filmou este teledisco. A partir daí, nada mais tenho sobre esta menina. Nicles. Procurei, vasculhei, e nada. Imagino que agora seja uma bem conservada quarentona, talvez com família, e a exercer design de interiores, curso que provavelmente tirou quando a carreira de modelo deixou de dar. O facto de ela proferir, no início do teledisco, aquele "Au revoir, Terence" indicia que seja francesa, mas, lá está, nada me garante que a voz coincida com a personagem. E se formos pelo nome... eu inclinar-me-ia para alguém nascido num país anglo-saxónico.
As razões sentimentais que tornam difícil escrever este texto é que a Kelly foi uma paixão de um adolescente de 16/17 anos que ficava colado ao ecrã sempre que o teledisco passava no Top Disco, desejando que a ficção se tornasse realidade (à maneira do Take On Me, dos A-Ha) e pudesse entrar na história, esmurrar o Terence e trazer a miúda pela mão. Esse adolescente era eu, e consegui sobreviver para contar. O que me atraiu em Kelly foi aquela beleza frágil, quase filigrana, o olhar suspenso, a madeixa a cair para a frente do rosto, e aqueles lábios para os quais não encontro adjetivos. Entretanto, Kelly Brennan, se estiveres a ler isto, diz qualquer coisa para o e-mail.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

PATTI SMITH (65)

A edição discográfica de Patti Smith nos anos 80 reduz-se a apenas um álbum: Dream Of Life. Com quatro álbuns editados nos anos setenta, obra e graça do seu Patti Smith Group (o magnífico Because The Night, de 1978, foi o primeiro single comprado lá em casa, pela minha irmã), Smith foi importante na cena punk nova-iorquina (não por acaso, chamaram-lhe a Madrinha do Punk). O álbum Dream Of Life produziu um single que tocou bastante em Portugal, no final da década. Chama-se People Have The Power e, em 2004, foi recuperada por Bruce Springsteen (co-autor de Because The Night) para os concertos da campanha Vote For Change, que exortavam ao voto nas eleições americanas. Em 2007, Patti Smith teve direito ao seu lugar no Rock and Roll Hall of Fame e, no ano seguinte, surgiu um documentário, realizado por Steven Sebring, sobre a vida da cantora-compositora. O título foi buscar a designação do seu único álbum gravado nos anos 80: Patti Smith: Dream of Life. Hoje completa 65 anos. Parabéns!

terça-feira, dezembro 27, 2011

A miúda do teledisco (2)

Em Run To You, corre com determinação para os braços de Bryan Adams, faça chuva, faça esferovite (que é aquilo que eles acharam que podia passar por neve). Em Summer of 69, deixa o marido à beirinha de um ataque de nervos ao passar de automóvel pelo local onde a banda interpreta a canção. Em Somebody (este teledisco começa exatamente no mesmo ponto em que Summer of 69 acaba), deixa o marido embriagado nas mãos da polícia para ir ver o concerto de Bryan Adams mesmo do outro lado da rua (algo que já aconteceu a todas as mulheres pelo menos uma vez na vida). Em Heaven, faz parte da multidão que assiste ao concerto, obrigando o pobre Bryan, no final, a sair a correr atrás dela. Ela chama-se Lysette Anthony e é a miúda dos telediscos de Bryan Adams.
Quando foi contactada para participar nestes vídeos, Lysette já era uma cara conhecida no Reino Unido. Para além de, em 1980, com apenas 16 anos, ter sido, digamos, oficiosamente anunciada como a "Face of the Eighties", por um fotógrafo chamado David Bailey, esta britânica nascida em Londres já contava com uma série de participações em séries e filmes produzidos para TV. Em 1992, fez parte do magnífico filme de Woody Allen, Husbands and Wives, naquele talvez tenha sido o trabalho que lhe granjeou maior reconhecimento. Mas a comunidade cinéfila poderá pronunciar-se com mais autoridade sobre isso do que eu. No que diz respeito à música, Lysette Anthony participou ainda em outros telediscos, sendo o mais célebre I Feel You dos Depeche Mode (do magnífico Songs of Faith and Devotion). Pela fotografia que vos trago, aqui do lado direito, podemos verificar que, aos 48 anos, Lysette Anthony mantém os seus atributos no seu devido lugar. Falo, evidentemente, dos seus lindos olhos azuis.

domingo, dezembro 25, 2011

A miúda do teledisco (1)

A miúda do teledisco de Last Christmas, dos Wham, chama-se Kathy Hill e foi escolhida após um casting intensivo que procurava uma mocinha com aspeto mais velho do que o George Michael. Sinceramente, no teledisco, não dá para ver essa diferença de idades, mas, na realidade, Kathy filmou o vídeo com 29 anos, enquanto que George tinha apenas 21.
A história da coisa é por demais sabida: os dois têm uma relação no Natal anterior, altura em que George Michael lhe oferece o seu coração, metaforicamente concretizado num broche muito bonito; um ano depois, encontram-se numa estância de inverno (o teledisco foi filmado na Suiça), cada um com o seu respetivo mais-que-tudo, fazendo parte de um grupo de amigos alargado; Andrew Ridgeley é o atual namorado de Kathy e traz na lapela o broche que George tinha dado à menina um ano antes. Não se faz. Por entre olhares e memórias, conseguimos perceber que ainda há ali um sentimento qualquer entre os dois.

Kathy Hill era uma modelo de anúncios publicitários e assim continuou ao longo da sua vida, tendo Last Christmas dado um impulso inestimável à sua carreira. Atualmente com 55 anos - eu diria, os 55 anos mais conservadinhos que vi até hoje - Kathy aproveita o facto de o mercado procurar fifty plus com regularidade. Podemos ver alguns dos seus ensaios aqui e aqui. E um anúncio televisivo aqui, em que apreciamos Kathy Hill em todo o seu esplendor.
Voltando ao teledisco, foi através de uma entrevista de Kathy Hill a um site alemão, (e graças ao tradutor do google chrome), que consegui saber algumas curiosidades sobre aquele que é talvez o mais popular video pop de Natal do mundo. Por exemplo, o broche que passa para a lapela de Andrew Ridgeley era uma joia que pertencia à sua avó e que foi a certa altura perdida nas filmagens, fazendo assim movimentar meio mundo na procura do objeto. Acabaram por encontrá-lo no casaco de Kathy, dentro de uma mala, facto que a fez morrer de vergonha.
Supostamente, e segundo o diretor do hotel onde ficaram hospedados, George e Andrew não queriam ser fotografados juntos, tendo mesmo ficado hospedados em quartos bem longe um do outro. O entrevistador pergunta a Kathy se sentiu, na altura, alguma tensão entre os dois - lembre-se que os Wham se separariam dois anos depois - ao que ela respondeu que não, que os dois se portavam como amigos de escola, Andrew mais divertido e expansivo, e George mais perfecionista e concentrado no trabalho.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

LIMAHL (53)

Limahl faz hoje 53 anos! Foi barman numa das mais reputadas discotecas londrinas da altura (The Embassy Club), antes de ser vocalista dos Kajagoogoo, grupo que produziu esse clássico dos eigthies chamado Too Shy, produzido por Nick Rhodes. Há uns anos, o canal VH1 dedicou-lhes um Bands Reunited. A solo, cantou Never Ending Story, canção principal do filme com o mesmo nome. Ultimamente, foi um dos apresentadores do programa 100 Greatest Songs Of The 80s, a que fiz referência "aqui há atrasado". Limahl continua a cantar ao vivo e a participar em tudo quanto é programa de televisão. Entretanto, os Kajagoogoo estão de regresso e até ofereceram gratuitamente, via net, o seu último álbum de originais, Gone To The Moon, em 2008, gravado apenas pelo trio Nick Beggs, Stuart Neale e Steve Askew, antes de Limahl e Jez Strode se juntarem à banda. Limahl não canta no álbum, mas entrou em acordo com Nick para dividir as despesas da voz nos concertos... As últimas notícias dão-no com novo single a ser editado no próximo ano: chama-se 1983. Parabéns, Limahl!

domingo, dezembro 11, 2011

JERMAINE JACKSON (57)

Por muito que nos esforcemos, há sempre um Jackson que nos escapa. É uma espécie de síndrome-Kelly-Family, mas em menor escala. Desta vez, trata-se de Jermaine Jackson (que hoje completa 57 anos), irmão de Michael, Janet e La Toya, e de, ao que parece, mais alguns. Jermaine Jackson nunca chegou aos calcanhares do falecido mai'novo, mas teve direito a um tórrido dueto com uma cantora e actriz de terceiro escalão de nome Pia Zadora. A canção chamava-se When The Rain Begins To Fall e granjeou (como eu gosto deste verbo) grande sucesso na Europa. Acho eu. Em 1989, o JJ virou-se para o islamismo, mudou o nome para Muhammad Abdul-Aziz, e agora vive entre Los Angeles, o Dubai e o Barhein, com a sua terceira mulher (em termos cronológicos, não ao mesmo tempo), que (ainda) não lhe deu quaisquer filhos. Os dois casamentos anteriores, esses sim, deram-lhe uma porrada de catraiada, ao todo oito. Parabéns, Jermaine!

quinta-feira, dezembro 08, 2011

SINEAD O'CONNOR (45)

Quando Sinead O'Connor chegou ao estrelato mundial com a versão de Nothing Compares 2 U, em 1990, já tinha lançado um álbum a solo três anos antes. The Lion And The Cobra produziu como singles os temas Mandinka e I Want Your (Hands on Me). Em 1990, a tal versão do original de Prince colocou-a no topo das tabelas de vendas e o álbum do qual foi retirada, I Do Not Want What I Haven't Got, na altura comprado a meias com a minha tarzansister, foi completamente devorado lá em casa... Depois disso, perdi o rasto a esta irlandesa, mas a sua atividade musical não abrandou. O seu útlmio álbum, o oitavo, data de 2007 e chama-se Theology (dele faze parte versões de Rivers of Babylon, popularizada pelos Boney M, e de I Don't Know How to Love Him, do musical Jesus Cristo Superstar). Hoje, Sinead O'Connor completa 45 anos, precisamente o dia que escolheu para se casar pela quarta vez! Parabéns!

Duas curiosidades:

1. Em finais da década de 90, Sinead foi ordenada sacerdotiza por um grupo católico que se autodenomina como independente. O Vaticano não reconheceu a acção e lembrou que a excomunhão existe...

2. Em 2000, denunciou Shane MacGowan à polícia por posse de droga numa tentativa de o salvar da dependência da heroína. Pelos vistos, Shane ficou, na altura, furioso, mas já agradeceu publicamente a Sinead por tê-lo salvo da droga...

sábado, dezembro 03, 2011

MICKEY THOMAS (61)

Mickey Thomas? Quem é Mickey Thomas, perguntam vocês? Ele é o vocalista dos Starship, aquela banda do We Built This City, Nothing's Gonna Stop Us Now e Sara, e faz hoje 61 anos. Como o aniversário da sua companheira de estrada, Grace Slick, ocorreu há pouco tempo, não podia deixar passa a data em claro. Os Starship ainda existem, com a designação Starship featuring Mickey Thomas, tal como podem confirmar no site oficial, tendo editado recentemente um duplo álbum ao vivo. Parabéns, Mickey!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Dia Mundial da Luta contra a SIDA

No dia em que se celebra a luta contra o síndrome da imunodeficiência adquirida, recordamos dez artistas que contrairam o vírus HIV. O modo como foram atingidos por esta fatalidade pouco ou nada interessa. O importante é alertar para o facto de que, apesar de se ouvir falar muito menos sobre esta doença do que nos anos 90, ela existe, ela está aí, e é incurável. A maior parte destes artistas já nos deixou, mas vivem para sempre nos nossos ouvidos.


andy bell (1964, erasure)
antónio variações (1944-1984)
dan hartman (1950-1994)
freddie mercury (1946-1991, queen)
holly johnson (1960, frankie goes to hollywood)
jermaine stewart (1957-1997)
jimmy mcshane (1957-1995, baltimora)
ofra haza (1957-2000)
renato russo (1960-1996, legião urbana)
ricky wilson (1953-1985, b-52's)

quarta-feira, novembro 30, 2011

BILLY IDOL (56)

As minhas primeiras recordações visuais deste senhor remontam a uma interpretação de Eyes Without A Face, num qualquer programa televisivo de que já não tenho memória, durante a qual Billy Idol fez questão de deixar a saliva fluir livremente pelo seu queixo abaixo. Se o facto me causou alguma repugnância, não pude deixar de sentir admiração por alguém que tinha a distinta lata de o fazer em plena televisão, ainda para mais quando a tal saliva era destinada às mocinhas que o acompanhavam em palco. Mas aquele ar de mauzão não é para levar a sério. O Billy, na realidade, é um coração de manteiga... Os anos passaram, mas aquele lábio superior arrepanhado ainda causa alguns estragos... Hoje, William Albert Michael Broad faz 56 anos. Parabéns!

sábado, novembro 26, 2011

TINA TURNER (72)

Miss Hot Legs faz hoje 72 anos. Tina Turner, pois claro, a mulher que é um exemplo de vida para todos nós. Nos anos 60 e 70 fez carreira com o marido, Ike Turner, de quem se divorciou em 1974, depois de algumas nódoas negras. Ressurgiu em toda a sua energia e pujança nos anos 80 e por isso tem lugar de destaque aqui.

Let’s Stay Together, What Love’s Got To Do With It, Private Dancer, It's Only Love (com Bryan Adams), We Don’t Need Another Hero, Typical Male e The Best são grandes sucessos que fizeram dela uma das mais bem sucedidas cantoras dos eighties. Parabéns!

terça-feira, novembro 22, 2011

Fora do Baralho (ou a entrevista imaginária da Blitz)

A revista Blitz tem uma rubrica chamada "Fora do Baralho", na qual uma celebridade é entrevistada. É um daqueles esquemas de questionátio fixo, de edição para edição, variando apenas o entrevistado. Já que eles não se decidem a entrevistar-me – aviso já que a minha paciência se está a esgotar – decidi adiantar-me. Assim, podem vir aqui ao blogue tirar as respostas e poupam uns trocos no telefone. Algumas perguntas foram adaptadas à identidade deste blogue, que é sobre a música dos anos 80, como já devem ter reparado. Aqui vai disto:

Qual foi o disco dos anos 80 que o deixou assombrado?

Com cinco minutos para pensar, poderia apontar assim uns cinquenta LPs que marcaram a minha vida, mas como quero dar um ar espontâneo à coisa, atiro com Baby, The Stars Shine Bright, dos Everything But The Girl. É simplesmente um disco lindo. Como se não bastasse a voz aveludada da minha querida Tracey Thorn, este disco conta com uma coisa que eu adoro nos disco pop, que são as orquestrações. 10 pontos em 10.

Com que músico não desdenharia trocar de pele?
Já disse por várias vezes, em conversas de amigos, em tertúlias poéticas, em autocarros apinhados de gente, e até mesmo no confessionário, ao senhor padre, que, numa próxima reencarnação, gostava de ser o Bryan Ferry. As pessoas normalmente ficam espantadas e retorquem (do verbo retorquir): "mas tu, com esse charme todo, essa cultura inigualável, essa beleza estonteante, essa simpatia inebriante, para que queres ser tu outro, seu tolo?". Eu faço aquele sorriso modesto que me é tão peculiar e respondo: "para conhecer as miúdas do teledisco do Kiss and Tell".

Que concerto se arrepende mais de não ter visto?

Muito provavelmente o dos Pixies no Coliseu do Porto, na primeira vez que vieram a Portugal, em início dos anos 90. Lembro-me de ter um exame no dia seguinte e ter decidido ficar em casa a estudar (a falta de dinheiro também teve o seu peso, é certo). A minha mãezinha ficou muito orgulhosa de mim e eu quero acreditar que esse passo foi decisivo para que eu terminasse o curso. Quero mesmo acreditar nisso!


Que disco dos anos 80 não consegue apagar do seu leitor de mp3?
A resposta podia ser semelhante à da primeira pergunta, mas agora, só para variar, escolho o Live in the Hothouse, dos The Sound. Este disco está provavelmente entre os três melhores discos ao vivo dos anos 80 (os outros dois são o Under a Blood Red Sky, dos U2, e o 101, dos Depeche Mode). É um registo que reúne toda a genialidade, presença e capacidade de nos emocionar de que só Adrian Borland era capaz. Funciona como um todo perfeito, este álbum.


Que músicos dos anos 80 já o desiludiram?
Acho que os U2 acabaram por me cansar (sim, chamem-me herege!), após terem atingido a perfeição com a trilogia The Unforgettable Fire, The Joshua Tree e Achtung Baby. Não quer dizer que tenham deixado de compor boas músicas, mas perderam aquele rasgo que fazia deles verdadeiramente especiais.

Consegue associar músicas a momentos ou pessoas da sua vida?

Claro que sim. Por exemplo, sempre que ouço I Like Chopin, de Gazebo, ou Souvenir, dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, consigo viajar mentalmente até a um tempo de infância despreocupada, inocente e feliz, o tempo dos meus 10, 11, 12 anos, cuja única preocupação era saber se no dia seguinte ia conseguir finalmente completar o cubo mágico (nunca cheguei a conseguir) ou ganhar mais um jogo de futebol no pátio da minha escola (ganhei muitos). Outro exemplo são os Echo & the Bunnymen ou os The Smiths, que me fazem sempre lembrar da primeira vez que me dirigi a uma loja de discos e saí de lá com alguns debaixo do braço (descansem, que foram pagos). Fui com a minha irmã, dividimos o dinheiro, cada um comprou aquilo de que mais gostava, e foi um dia muito feliz.


Que música dos anos 80 não consegue ouvir?

Tenho alguns odiozinhos de estimação. Exemplos? Dirty Diana (Michael Jackson), In The Air Tonight (Phil Collins) ou Live Is Life (Opus). É de perder a esperança na humanidade!

domingo, novembro 20, 2011

Sweat a la mode

Esta coisa de se ser fã de uma banda ou artista tem vários níveis de dedicação. Podemos ficar pelos discos, pelos concertos, pelo saltar frenético para a pista de dança quando começa a tal música da nossa banda favorita. Podemos colecionar, aqui e ali, objetos ou recortes de jornais e revistas, gravar programas de rádio, de TV, ter aquele toque especial no telemóvel. Podemos, voltando aos concertos, abrir os nossos horizontes (e, já agora, os cordões à bolsa) e ir ao encontro da banda ou do artista preferido em palcos estrangeiros, mais ou menos longínquos. E podemos, também, vestir-nos com a música de que gostamos, autênticas billboards ambulantes que transmitem uma mensagem musical a quem olha (e inveja, esperamos nós). Nunca me incluí neste último tipo, o fã-da-tshirt, não porque tivesse algum tipo de preconceito ou vergonha em relação a mostrar aquilo de que gosto, mas pela simples razão de que este mercado, quando eu era adolescente, era caro e muitas vezes inacessível.
Nos últimos anos, dei por mim a contrariar esta tendência. Ainda esta semana, chegou-me via CTT a sweat que adquiri ao Depeche Mode Fanclub de Portugal. De cor preta, esta sweat tem, à frente, o verso Take Me In Your Arms, retirado do tema Black Celebration, e atrás a referência ao clube de fãs. É muito confortável e fica-me muitíssimo bem, já agora, como se pode constatar nas imagens. Uma prenda de Natal antecipada que me ofereci a mim mesmo.

sexta-feira, novembro 18, 2011

KIM WILDE

You came and changed the way I feel, no one could love you more

Para além daquela miúda loira da turma que tinha geografia ao segundo tempo de terça-feira ao lado da minha sala – para além dessa catraia, Kim Wilde foi assumidamente uma das minhas paixões dos anos 80. Outra era a Sandra. Uma era loira, outra era morena, como dizia a canção... Acho que a Kim acabou por levar a melhor sobre a alemã pela simples razão de que a sua carreira acabou por ser muito mais duradoura.

Kim Smith nasceu em Chiswick (Inglaterra) há 51 anos. Filha de Marty Wilde, cantor de sucesso nos anos 50, Kim juntou-se ao irmão Ricky e os dois iniciaram uma parceria musical que haveria de dar frutos por muitos anos. Ricky compunha, Kim cantava e assim se descobriu uma dupla de sucesso. Tudo isto com a supervisão paternal, claro.

Tudo começou com Kids In America, o primeiro single editado em 1981, que rapidamente chegou ao segundo lugar da tabela de singles do Reino Unido. Trazia uma sonoridade que se ajustava perfeitamente à onda new-wave. We’re the kids in america, uuhooo!! O álbum de estreia, Kim Wilde (1981), também se portou muito bem em termos comerciais e incluiu ainda os temas Chequered Love e Water On Glass. Depois chegaria o magnífico Cambodia, que faria parte de Select, o seu segundo álbum, editado em 1982. Por esta altura, Kim Wilde já tinha vendido mais discos do que o seu pai em toda a sua carreira. Os tempos eram outros, claro, mas não deixava de ser facto relevante. Outros temas importantes desta altura: View From A Bridge e Child Come Away.

Acontece, porém, que a competição feroz da pop que se fazia sentir na altura (Kajagoogoo, Duran Duran, Spandau Ballet, Paul Young, Culture Clube, Wham, etc...) não deu tréguas à nossa loira e Kim não conseguiu manter a popularidade alcançada com os dois primeiros trabalhos. Os lançamentos posteriores confirmaram o declínio - Catch As Catch Can (1983) e Teases And Dares (1984), com um The Very Best Of Kim Wilde pelo meio.

Teríamos então de chegar ao ano de 1986 para vermos a linda, fofa, querida Kim voltar à sua melhor forma. E nada melhor do que uma versão de um grande clássico como foi You Keep Me Hanging On (original das Supremes). Depois de ter surgido no single de beneficiência Ferry Aid, Kim Wilde editou o álbum Another Step (1987), que incluiu um dueto com Junior Giscombe no tema do mesmo nome.

Em 1988 o álbum Close mostrou uma Kim Wilde mais virada para as pistas de dança graças a temas como You Came e Never Trust A Stranger. You Came é para mim um dos ícones da pop dos anos 80 e não há volta a dar. Este seria o último longa-duração de Kim Wilde nos anos 80 e, se podemos dizer, o canto do cisne da cantora em termos de êxito mundial.

Em 14 de Setembro de 1990, Portugal recebeu, em Alvalade, David Bowie na sua Sound And Vision Tour para um concerto cuja primeira parte esteve a cargo de... KimWilde. Encontrei esta referência na Net, mas sinceramente não me lembro de que ela tenha passado por cá.

Na década de 90, Kim editou apenas três álbuns, que terão passado completamente despercebidos, à excepção de países como a Alemanha e o Japão e alguns locais recônditos de França - Love Moves (1990), Love Is (1992) e Now And Forever (1995). A própria Kim pareceu investir cada vez menos na sua carreira musical em favor da construção de uma vida familiar. Por muito que me doa no coração, sinto-me obrigado a revelar os seguintes factos: A 01 de Setembro de 1996 Kim Wilde casou-se com um tal Hal Fowler, de quem teve dois filhos: Harry Tristan (03/01/98) e Rose Elizabeth (14/01/2000). Pronto, agora sim, já só me resta o poster e o CD Kim Wilde – The Singles Collection, que inclui a versão de If I Can’t Have You (original dos Bee Gees).

Em 2000, Wilde iniciou uma experiência na televisão e parece que lhe tomou o gosto, passando a apresentar um programa televisivo sobre jardinagem. Aliás, aquela que outrora era considerada a Princess Of Pop, passou a ser conhecida como a Queen Of Crops.

O século XXI assistiu ao regresso de Kim às lides musicais: em 2002 editou uma versão de Born To Be Wild (original dos Steppenwolf). No ano seguinte, gravou com Nena o tema Anyplace, Anywhere, Anytime, facto ao qual o QA80 fez a devida referência. Nesta altura, já vai com mais com três álbuns editados - Never Say Never (2006), Come Out And Play (2010) e Snapshots (2011), este último o seu primeiro álbum de versões em toda a carreira, que inclui, por exemplo, In-Between Days (The Cure) e A Little Respect (Erasure).

Para os fãs portugueses, o dia 29 de maio de 2009 ficará para sempre na sua memória. Kim Wilde esteve no Pavilhão Atlântico, numa atuação integrada na digressão Here and Now. Todos os pormenores aqui: Here and Now 2009 Lisboa.

quinta-feira, novembro 17, 2011

PETER COX (55)

Peter Cox é o exemplo do que a passagem inexorável do tempo pode fazer ao cabelo de um homem. Se estivéssemos nos anos 80, certamente que o sotôr lhe recomendaria Restaurador Olex. Como estamos no século XXI, toca a rapar a cabeça e a olhar em frente a vida (sem cabelos a atrapalhar a visão).
Mas quem é este tal Peter Cox, perguntam vocês, seres ignorantes que buscam neste blogue uma luz que ilumine as vossas existências de trintões e quarentões melancólicos? Hein? Bom, Peter Cox é o vocalista dos Go West, dupla (com Richard Drummie) responsável por We Close Our Eyes e ainda um ou outro tema digno de referência. O senhor Cox tem 4 álbuns a solo, mas a boa notícia - para quem é fã - é que os Go West editaram o álbum 3D no ano passado e estão aí a dar concertos para quem os queira ver e ouvir: estão, nesta altura, em digressão, na Austrália, com Tony Hadley (Spandau Ballet). Podem saber tudo no site oficial do cantor. Por agora, resta-me dar-lhe os parabéns pelos 55 outonos que hoje completa.

domingo, novembro 13, 2011

O sonho do holandês

1985/1986. Um holandês conhece uma portuguesa em Sesimbra. Perde-lhe o rasto. 25 anos depois, o holandês coloca este vídeo no You Tube, com fundo musical de Circo de Feras, dos Xutos & Pontapés. Uma história que celebra a determinação de um homem em busca de um sonho perdido. Vamos ajudar o holandês sonhador? Eu faço a minha parte.
 

domingo, novembro 06, 2011

Finalmente: Psicopátria

Há discos que se tornam projetos de vida. Conhecêmo-los, perdemo-lhes o rasto, procuramo-los, desesperamos, insistimos. Andava há uns bons quinze anos atrás de Psicopátria, o quarto álbum de originais dos GNR, lançado em 1986. Em vinil em boas condições ou em CD (ainda que eu ache que nunca chegou a ser editado neste formato...), ainda não lhe conseguira deitar as mãos. Tenho mesmo um amigo que me ofereceu o seu vinil, mas eu achei um sacrilégio uma pessoa desfazer-se assim de um preciosidade a troco de nada, e não aceitei.
Até que o Jornal de Notícias resolveu editar a coleção que celebra os 30 anos do "melhor rock" da banda portuense, ou seja, todos os seus álbuns reeditados pela quantia unitária de 4,99 euros. E foi assim que, finalmente, aquele que é um dos discos da minha vida me veio parar às mãos. Para mim, Psicopátria é um dos maiores álbum da pop-rock portuguesa dos anos 80 (e de sempre, atrevo-me a dizer). Para mim, podia ser um best of dada a qualidade de cada faixa do álbum, todas elas concorrendo para um todo coerente. Resta-me agradecer ao JN pela iniciativa e, efectivamente (ainda com "c"), ao Grupo Novo Rock - Rui Reininho, Toli César Machado, Jorge Romão e (ainda!) Alexandre Soares.

Alinhamento do álbum:
1. Pós modernos 
2. Bellevue 
3. O paciente 
4. Dá fundo 
5. Cerimónias 
6. Coimbra B 
7. Efectivamente 
8. Ao soldado desconfiado 
9. Nova gente 
10. Choque frontal 
11. To miss