segunda-feira, março 30, 2015

ERIC CLAPTON (70)

Mais de cinquenta anos de músico profissional. Vinte e dois álbuns a solo. Este é Eric Clapton, considerado por muitos o melhor guitarrista à face do planeta. Um monstro, portanto, que hoje completa 70 anos e mantém uma vitalidade musical assinalável, como é prova a edição de The Breeze: An Appreciation of JJ Cale, o último álbum de originais, editado em 2014, e que constituiu uma homenagem ao amigo J.J. Cale, falecido no ano anterior.
Dos anos 80, retenho a prestação competente no Live Aid e a contribuição para a banda sonora de The Color Of Money, com It's In The Way That You Use It. É, porém, nos anos 70, que podemos situar o trabalho mais marcante de Clapton, com uma série de canções que ficaram para a história, das quais emerge, obviamente, a balada Wonderful Tonight, escrita para Pattie Boyd. Em 1991, outra balada, Tears In Heaven, levou Clapton ao primeiro lugar de diversas tabelas mundiais. Esta canção foi composta após a perda do filho de quatro anos.
Para maio próximo está programado o lançamento de Forever Man, uma compilação de 51 temas abrangendo três décadas da carreira a solo de Clapton na Reprise Records. Toda a informação no sítio oficial do músico.

TRACY CHAPMAN (51)

Tracy Chapman não edita algo de novo há sete anos. O seu último registo data de 2008 e chama-se Our Bright Future, álbum recebeu mesmo uma nomeação para os prémios Grammy. No entanto, desde então nada mais saiu de veia criativa desta norte-americana natural do Ohio que um dia surpreendeu o mundo com um álbum homónimo do qual foram extraídos os singles Fast Car, Talkin' 'bout A Revolution e Baby Can I Hold You.
O sítio oficial da cantora encontra-se aparentemente estagnado no que diz respeito a notícias recentes, mas quem o visita sempre pode dar largas à sua veia mais plástica enquanto ouve excertos do último álbum.
Hoje, Tracy completa 51 anos. Parabéns!

domingo, março 08, 2015

USA for Africa - 30 anos


O tema We Are The World fez ontem 30 anos. Quantos de nós, com 12, 13 ou 14 anos, não decorámos cada verso daquela canção? Quantos de nós não imitámos, em frente ao espelho, as vozes dos participantes no projeto? Ninguém? Só eu, portanto. E vivo bem com isso.
Vamos então homenagear os participantes no USA For Africa, agrupando-os numa espécie de categorias que, de certo modo, justificam a sua presença atrás dos microfones. Esta classificação é inspirada num artigo do livro Totally Awesome 80s, de Matthew Rettenmund.

ESTÃO-ME A ROUBAR A IDEIA ORIGINAL, MAS, VÁ LÁ, É POR UMA BOA CAUSA
Bob Geldof (bem, este não participa, mas há que fazer aqui a referência)

JÁ QUE FUI EU QUE COMPUS, É BOM QUE ENTRE NISTO
Michael Jackson
Lionel Richie

SOU UMA LENDA NO MEU PRÓPRIO TEMPO
Ray Charles
Bob Dylan
Smokey Robinson
Diana Ross (pode também inserir-se na próxima categoria)
Paul Simon
Bruce Springsteen
Tina Turner
Stevie Wonder

SOU UMA LENDA NO MEU PRÓPRIO CÉREBRO
Lindsey Buckingham
Waylon Jennings
Billy Joel
Bette Midler
Kenny Rogers
Dionne Warwick

SOU RICO, FAMOSO E VELHO E NÃO TINHA MAIS NADA PARA FAZER
Harry Belafonte

O MEU IRMÃO DISSE QUE EU PODIA ENTRAR
Jackie Jackson
La Toya Jackson
Marlon Jackson
Randy Jackson
Tito Jackson

ACREDITE-SE OU NÃO, VENDEMOS MAIS DISCOS QUE DEUS
Hall and Oates
Kenny Loggins

SÓ ESTOU AQUI PARA O CASO DO WAYLON JENNINGS NÃO APARECER
Willie Nelson

ESTE FOI UM ANO MUITO BOM PARA MIM
Cyndi Lauper
Huey Lewis & the News
The Pointer Sisters

EU CONHEÇO O PRINCE
Sheila E.

ALGUÉM ME DEVE FAVORES
Kim Carnes
James Ingram
Al Jarreau
Jeffrey Osborne
Steve Perry

É SURPREENDENTE COMO O SEGURANÇA SE DISTRAIU NAQUELE DIA
Dan Aykroyd

NÓS NÃO ENTRÁMOS PORQUE JÁ NÃO HAVIA ESPAÇO NO PARQUE DE ESTACIONAMENTO
Prince
Madonna
Janet Jackson
Pat Benatar
Donna Summer
James Brown
Grace Jones
Frank Sinatra
Rebbie Jackson
Dolly Parton

quinta-feira, janeiro 29, 2015

RODDY FRAME (51)

Os fãs portugueses dos Aztec Camera e do seu fundador e frontman, Roddy Frame, têm motivos para sorrir: o músico lançou o quarto álbum a solo em maio de 2014. Chama-se Seven Dials, e foi editado via iTunes.
Os fãs mais hardcore podem mesmo rejubilar de êxtase: Roddy vai estar a tocar ao vivo, em formato acústico, já em fevereiro, por essa Europa fora, com duas datas agendadas para Espanha. É um saltinho. Façam o favor de conferir aqui.
Após a dissolução dos Aztec Camera - que nos deixaram  maravilhas pop como All I Need Is Everything e Somewhere In My Heart -, em 1996, Roddy Frame iniciou uma carreira a solo que já produziu quatro álbuns de originais. Para quando a vinda deste senhor a Portugal?
Hoje, Roddy Frame completa 51 anos. Parabéns!

domingo, janeiro 04, 2015

tarzan_mix_3: use your faults, use your defects

use your faults, use your defects by Queridos Anos 80 on Mixcloud

MICHAEL STIPE (55)

Michael Stipe regressou em 30 de dezembro passado aos palcos para fazer a primeira parte do concerto de Patti Smith, no Webster Hall, em Nova Iorque. Podem ver aqui a interpretação de New York New York, a segunda canção de um set que incluiu ainda Lucinda Williams de Vic Chesnutt (com People Have The Power no início), Wing de Patti Smith, Saturn Return dos R.E.M., Hood de Perfume Genius, e New Test Leper, dos R.E.M. (com Oh Holy Night pelo meio). Foi uma atuação especial - porque, também, não anunciada - de quem - à parte uma ou outra colaboração esporádica - não aparecia em palco desde 2008.
Duas semanas antes desta aparição, em entrevista à CBS, Stipe disse que voltará a cantar e que o regresso dos R.E.M. está posto de parte. "Nunca irá acontecer", diz. Podem ver, em baixo, o vídeo.
Apesar de terem cessado a ativdade em 2011, os R.E.M. continuam no mercado. REMTV, um documentário e conjunto de seis discos de entrevistas e atuações raras, está aí para os fãs mais hardcore.
Hoje, uma das vozes mais fascinantes da música completa 55 anos. Parabéns, Michael Stipe!

 

quinta-feira, dezembro 25, 2014

SHANE MACGOWAN (57)

No dia de Natal, nasceu Shane MacGowan. Há 57 anos. O vocalista dos The Pogues, que deu voz a temas inesquecíveis como A Pair Of Brown Eyes (1985), Dirty Old Town (1985), Fairytale Of New York (1987, em dueto com Kirsty MacColl), Fiesta (1988) ou Misty Morning Albert Bridge (1989), contribuiu como poucos para a vitalidade da indústria vinícola em Inglaterra. Em palco, dizia-se que Shane era tanto melhor quanto maior era o seu estado de embriaguez. Infelizmente, nunca pude ver os Pogues ao vivo, apesar de terem passado por cá várias vezes. Nos anos 90, já depois de ter saído dos Pogues por razões... alcoólicas, formou os Shane MacGowan And The Popes. O que pouca gente talvez saiba é que Shane fez parte, ainda nos anos 70, de uma banda punk com o sugestivo nome de The Nipple Erectors, (The Nips, para facilitar as coisas). No YouTube, onde mais poderia ser, encontram coisas deles.
Os Pogues regressaram em 2001, com Shane ao leme das operações (dentro dos possíveis), por isso a esperança de os ver ao vivo ainda não morreu.

ANNIE LENNOX (60)

Comecemos pelo mais recente. Em outubro deste ano, Annie Lennox editou o sexto álbum a solo, um conjunto de clássicos soul, jazz e blues que a cantora ouvia em criança. Com o título Nostalgia, inclui temas como Georgia On My Mind, Summertime ou I Put A Spell On You, e está nomeado para um grammy.
Depois do regresso em 2005 em formato Eurythmics, Annie e Dave Stewart voltaram a tocar juntos em 2014 no concerto tributo aos Beatles - The Night That Changed America: A Grammy Salute to The Beatles - no qual interpretaram A Fool On The Hill.
Hoje, Annie Lennox completa 60 anos. Parabéns!

segunda-feira, dezembro 08, 2014

SINÉAD O'CONNOR (48)

Sinead O'Connor chegou ao estrelato mundial com a versão de Nothing Compares 2 U (1990), já tinha lançado um álbum a solo três anos antes. The Lion And The Cobra produziu como singles os temas Mandinka e I Want Your (Hands on Me). Em 1990, a tal versão do original de Prince colocou-a no topo das tabelas de vendas e o álbum do qual foi retirada, I Do Not Want What I Haven't Got, na altura comprado a meias com a minha tarzansister, foi completamente devorado lá em casa... Depois disso, perdi o rasto a esta irlandesa, mas a sua atividade musical não abrandou. O seu último álbum, o décimo, saiu este ano e chama-se I'm Not Bossy, I'm The Boss. Hoje, Sinead O'Connor completa 48 anos. Parabéns!
Quando

Duas curiosidades:

1. Em finais da década de 90, Sinead foi ordenada sacerdotiza por um grupo católico que se autodenomina como independente. O Vaticano não reconheceu a ação e lembrou que a excomunhão existe...

2. Em 2000, denunciou Shane MacGowan à polícia por posse de droga numa tentativa de o salvar da dependência da heroína. Pelos vistos, Shane ficou, na altura, furioso, mas já agradeceu publicamente a Sinead por tê-lo feito ver a luz...

domingo, dezembro 07, 2014

CLAUDIA BRÜCKEN (51)

Chama-se Where Else e é o terceiro álbum a solo de Claudia Brücken, a voz que, nos anos 80, com os Propaganda, nos pôs a dançar ao som de Duel.
Lançado este ano pela Cherry Records, Where Else é um conjunto de originais - excetuando a versão de Day Is Done, de Nick Drake - cuja produção ficou a cargo de John Williams.
Há uma entrevista recente de Claudia Brücken, para a Cherry Red TV, na qual a cantora dos "Abba from hell" (designação que, um dia, um crítico musicla colou aos Propaganda) faz a restropetiva da sua carreira. Hoje, Claudia completa 51 anos. Parabéns!

quarta-feira, novembro 26, 2014

TINA TURNER (75)

Miss Hot Legs faz hoje 75 anos. Tina Turner, pois claro, a mulher que é um exemplo de vida para todos nós.
Nos anos 60 e 70 fez carreira com o marido, Ike Turner, de quem se divorciou em 1974, depois de algumas nódoas negras. Ressurgiu em toda a sua energia e pujança nos anos 80 e por isso tem lugar de destaque no Queridos Anos 80.
Let’s Stay Together, What Love’s Got To Do With It, Private Dancer, It's Only Love (com Bryan Adams), We Don’t Need Another Hero, Typical Male e The Best são grandes sucessos que fizeram dela uma das mais bem sucedidas cantoras dos eighties.
As últimas notícias dão conta da edição de um conjunto de Love Songs (assim se chama o álbum) que reúne alguns dos seus maiores êxitos. Parabéns!

domingo, novembro 23, 2014

BRUCE HORNSBY (60)

Os anos 80 são fertéis em exemplos assim: artistas que iniciam a carreira musical com aquele que viria a ser o seu maior êxito. Alguns conseguem aguentar-se minimamente à tona do mercado, outros entram em queda vertiginosa até ao desaparecimento. Bruce Hornsby é dos que se aguentou, depois do sucesso mundial que The Way It Is provou ser.
Em 1984, fundou os Bruce Hornsby & the Range e logo com o álbum de estreia, The Way It Is (1986), foi um dos maiores fenómenos de vendas nos EUA. Os Grammy galardoaram-nos com o prémio para Best New Artist. E tudo isto graças a três singles que são, até aos dias de hoje, a sua assinatura: o já referido The Way It Is, e ainda Mandolin Rain e Every Little Kiss.
Paralelamente a este projeto, Bruce Hornsby chegou a atuar assiduamente com os The Grateful Dead, desde finais da década de 80 até à morte Jerry Garcia, em 1995. Bruce não era propriamente um estreante no que diz respeito a colaborações com outros artistas uma vez que já tinha surgido, em 1984, no teledisco de Strut de Sheena Easton.
Os The Range encerraram a sua actividade em 1991, após três álbuns de originais, mas Bruce manteve uma atividade musical bastante intensa e variada, quer a solo, quer ao serviço de outros projetos. Hoje, Bruce Hornsby completa 60 anos. Parabéns!

quinta-feira, novembro 20, 2014

António Sérgio: o documentário

O documentário Uivo, a que tive o privilégio de assistir  (e aqui a palavra "privilégio" assenta que nem uma luva porque foram muitos os que não o puderam fazer, ontem, no bar Passos Manuel, no Porto) é a mais que justa homenagem a António Sérgio, o radialista que nos deixou em novembro de 2009.

Como leigo na matéria que sou, abstenho-me de tecer comentários sobre quaisquer aspetos ligados à técnica cinematográfica. A minha visão é a do fã que gosta de música. A minha visão é a do rapaz dos seus 17 ou 18 anos que ouvia aquela Voz apresentar-me música nova todos os dias (ou quase) no Som da Frente. E devo dizer que foi um enorme prazer ver este trabalho de Eduardo Morais. Ele procurou as pessoas certas para falar de António Sérgio. E elas disseram tudo (ou quase tudo, porque, como disse Ana Cristina Ferrão, há muitas histórias por dizer e que, provavelmente, nunca poderão ser ditas nem escritas). Elas disseram aquilo de que estávamos à espera e que fez daquela voz uma presença tão enorme e tão decisiva nas nossas vidas de consumidores de música. E foi engraçado sair com aquela sensação de que nada do que ali foi dito constituiu propriamente uma surpresa. A presença de António Sérgio nos nossos rádios era tão forte que era como se o conhecêssemos, como se privássemos com ele através do rádio. É curioso que, atualmente, a partilha de música numa plataforma como o facebook, e mais especificamente nos grupos, também nos aproxima das pessoas e nos faz criar afinidades que, em muitos casos, nos leva a traçar-lhes um certo perfil embora não as conheçamos pessoalmente. Com António Sérgio acontecia qualquer coisa de semelhante. Pela música que passava e pelos comentários que fazia dava-se a conhecer, não só como profissional da rádio, mas também como pessoa. E por isso sentiamo-nos próximos dele.

Uivo vai voltar ao Porto, por ocasião do porto/post/doc, um festival internacional de cinema, com particular incidência na área do documentário, que acontecerá de 4 a 13 de dezembro. Quem não pôde estar ontem terá a sua oportunidade, novamente no Passos Manuel, no dia 3 de dezembro. A não perder.

terça-feira, novembro 18, 2014

KIM WILDE (54)

Kim Wilde foi companheira de quarto durante alguns anos da minha adolescência. Não foi a única, certamente, a ocupar aquelas paredes, mas foi das mais assíduas. Pela música, claro, mas também pela questão sex-symbol, estatuto que a própria Kim Wilde nunca explorou em demasia. Sempre com o irmão e o pai por perto, nunca se aproximou sequer de algum limite menos convencional nesta coisas das poses para as revistas ou dos gestos insinuantes em concertos. Era uma menina bem comportada, portanto.
Há cerca de um ano, em declarações ao Metro britânico, Kim Wilde afirmou que não acredita nesta coisa dos modelos, dos exemplos que os artistas podem constituir para os mais jovens... Isto a propósito dos críticos de Miley Cyrus, que acham que os seus comportamentos, nomeadamente aqueles que podemos ver nos telediscos, podem ser emulados pelas camadas mais jovens. Kim revela que, na sua juventude, ouvia o Lou Reed, que cantava sobre consumir drogas, e nem por isso se sentiu tentada a experimentar.
Hoje, Kim Wilde completa 54 anos. A cantora prepara-se para dar alguns concertos de Natal na Knebworth House, onde, certamente, aproveitará para passar por Wilde Winter Songbook, o último longa-duração, editado em novembro do ano passado, composto por um conjunto de versões de clássicos natalícios.

tarzan_mix_1: a glass of wine by the fireplace

Tarzan_mix_1: a glass of wine by the fireplace by Queridos Anos 80 on Mixcloud

terça-feira, novembro 11, 2014

Morreu Big Bank Hank (Sugarhill Gang)

Morreu hoje Big Bank Hank (à esquerda na foto), um dos membros dos Sugarhill Gang, o coletivo que colocou o rap no primeiro lugar das tabelas de vendas com o aclamado Rapper's Delight.
Aos 57 anos, Henry Jackson não resistiu a um cancro.
Os dois restantes membros da banda, Wonder Mike e Master Gee já expressaram, para a Rolling Stone, o que a morte do amigo significou: "Estamos muito tristes. Fizemos História no mundo da música com o Rapper's Delight e jamais esqueceremos as viagens que fizemos juntos pelo mundo inteiro".

playlist temática: from germany with love

Num fim de semana em que se falou dos vinte e cinco anos da queda do Muro de Berlim, lembrei-me de trazer ao Queridos Anos 80 uma playlist composta por temas de artistas alemães. O país da Srª. Merkel produziu, durante a década dourada da pop, alguns dos grandes êxitos europeus da altura. Da pop eletrónica one-hit wonder dos Trio até ao hard-rock de estádio do Scorpions, passando pelo inevitável euro-disco de Fancy ou dos Modern Talking, a Alemanha sempre se posicionou bem nas tabelas de vendas de discos, mas nunca cheirou sequer aos calcanhares da indústria britânica (no futebol, levou, sem dúvida, a melhor...). Ainda assim, fez o suficiente para ficar na história da música dos anos 80. E aqui estão dez propostas que podem ouvir, já sabem, no facebook oficial do Queridos Anos 80.

Alphaville - Big In Japan 
Os Alphaville, que começaram por se chamar... Forever Young, tiveram em Big In Japan o seu grande sucesso. Há quem diga que o título da música que os levou à fama mundial era uma homenagem a uma banda, com os mesmo nome, que Marion Gold, o vocalista, tinha ouvido em finais dos anos 70. Dessa banda fazia parte um tal de Holly Johnson...
A canção varreu o primeiro lugar de muitos tops europeus, inlcuindo Portugal, mas no Reino Unido ficou-se pelo oitavo lugar. O teledisco foi realizado por Dieter Meier, dos Yello.
Sandra, a menina Maria Magdalena, gravou, em 1984, uma versão em alemão de Big In Japan, com o título Japan Ist Weit. Os Guano Apes têm também uma versão, de 2000.


Camouflage - The Great Commandment
Os Camouflage formaram-se em 1983 e ainda estão em atividade. Este The Great Commandment é o seu único êxito, digamos, internacionalmente sólido. A colagem aos Depeche Mode é evidente o que talvez explique o êxito algo inesperado que esta música obteve nos Estados Unidos. Em 2001, a banda resolveu regravar a música, numa versão 2.0 tipo carrinhos de choque. Não gostei.


Fancy - Bolero
Chama-se Manfred Alois Segieth, tem 68 anos e ainda faz discotecas, entendendo-se este "faz" como o saltar para um pequeno recinto chamado pista de dança e cantar em playback total três ou quatro êxitos que fizeram de Fancy um dos expoentes máximos da vertente alemã do italo-disco. Bolero estará sempre presente numa setlist de Fancy, ele que nos anos 70, era Tess Teiges e cantava "Eu voltarei, pequena geisha"...


Kraftwerk - Computer Love
O normal é olharmos para os Kraftwerk como uma banda dos anos 70, década em que editaram seis álbuns e estabeleceram a base que haveria de influenciar toda uma galáxia de bandas de cariz eletrónico (alô, Depeche Mode!) que se desenvolveram nos anos 80. Mas estes alemães muito bem penteadinhos e tão sorridentes gravaram dois álbuns nos anos 80, o que os torna imediatamente elegíveis para esta lista. Escolhi Computer Love, que foi o primeiro single extraído do álbum Computer World, de 1981, e em cujo lado B surge The Model, que tinha sido editado como single em 1978.
Os Camouflage, de que falo ali acima, têm uma versão desta música, mas quem usou com mais proveito a melodia deste tema foram os Coldplay no tema Talk. Vá lá que pediram autorização aos Kraftwerk...


Modern Talking - Cheri Cheri Lady
Eu sei que estavam à espera do You're My Heart You're My Soul mas os Modern Talking são muito mais do que essa canção. Eles são Atlantis Is Calling, eles são You Can Win If You Want, eles são Brother Louie, eles são Geronimo's Cadillac, eles são... Cheri Cheri Lady. E agora, que captei de forma notável a vossa atenção, apenas acrescento que eles são, na realidade, Dieter Bohlen, o loiro, e Thomas Anders, o moreno.


Nena - 99 Red Balloons
Originalmente lançada em língua alemã, com o título 99 Luftballons, esta foi uma canção de protesto anti-nuclear. O texto conta a história de 99 balões que são confundidos com OVNIs, o que leva a uma pronta reação por parte das autoridades militares. São enviados caças que, após perceberem o engano, se dedicam a brincar ao tiro ao balão. Isto irrita os líderes dos países vizinhos, que decidem reagir a esta demonstração de poder bélico com... poder bélico. Tudo acaba numa devastadora guerra de 99 anos. O texto da versão inglesa tem ligeiras modificações na estrutura narrativa, mas a objetivos são os mesmos.
Curiosamente, a versão alemã foi a preferida dos americanos e dos australianos, sendo que é, ainda hoje, um dos maiores êxitos de sempre em língua não inglesa nos EUA. No Reino Unido, a versão inglesa chegou o primeiro lugar das tabelas.


Propaganda - Duel
Esta faz parte da minha banda sonora pessoal da década de 80 e é sempre um prazer passá-la em eventos de botadisquismo. Duel foi o single de maior sucesso dos Propaganda e integra esse álbum de estreia fabuloso, A Secret Wish (1985), do qual também fazem parte Dr. Mabuse e P-Machinery.
Duel tem sido utilizada em vários eventos desportivos.

Sandra - Maria Magdalena
Antes de ter uma carreira a solo, Sandra fez parte de uma girl band chamada Arabesque. Em 1985, sob orientação do marido Michael Cretu, Sandra editou o álbum de estreia cujo primeiro single se revelou um estrondoso sucesso em toda a Europa, Portugal incluído, onde chegou ao primeiro lugar das tabelas de vendas. Maria Magdalena apresentava uma sonoridade synth-pop um pouco a entrar pelo meandros do euro-disco com uma melodia suficientemente catchy para conquistar os ouvidos dos amantes do género. Depois, havia a figura, diria, estimulante, de Sandra, cujas imagens ocuparam muitas paredes de quartos adolescentes. Pelo meu quarto passou um poster de Sandra, retirado da revista Bravo.


Scorpions - Still Loving You
Esta é, com pouca margem de erro, muito provavelmente a power ballad que maior sucesso obteve no nosso país. Lembro-me de ver, semanas a fio, o teledisco da música que ocupava o primeiro lugar da tabelas de singles. Os Scorpions perceberam isso e estabeleceram com Portugal uma relação muito próxima. Um dos pontos altos desta relação foi a gravação de um álbum acústico no Convento do Beato, em Lisboa (2001).


Trio - Da Da Da
Termino esta playlist com os Trio, uma banda da new wave alemã que teve apenas cinco anos de existência, mas que inscreveu o seu nome da história da música pop através deste Da da da, ich lieb dich nicht, du liebst mich nicht, aha aha aha, mais convenientemente conhecido por apenas Da Da Da. A música tem sido utilizada em muita publicidade televisiva. Em Portugal, Herman José gravou uma versão, em português, em 1982.

quarta-feira, agosto 13, 2014

FEARGAL SHARKEY (56)

Depois de ter liderado os The Undertones, de 1976 a 1983, e de ter alcançado sucesso mundial a solo com o tema A Good Heart, Feargal Sharkey decidiu deixar os palcos e os estúdios de gravação. Estávamos no início dos anos 90, mas a sua ligação ao mundo da música far-se-ia, a partir de então, de um outro modo: Feargal trabalhou no apoio aos direitos de autor na música britânica, tendo ocupado vários cargos a nível institucional.
Recentemente, surgiu no programa Needle Time, do The Telegraph, assegurando que não tem qualquer vontade ou intenção de voltar aos palcos ou sequer de vislumbrar um regresso dos Undertones. Se continua a cantar? Sim, mas para os filhos, "porque os deixa furiosos", e para que vejam que já houve quem pagasse para ouvir o pai cantar e que eles, uns felizardos, o podem fazer de graça. Podem ver o vídeo da entrevista em baixo. Hoje, Feargal completa 56 anos. Parabéns!

domingo, dezembro 29, 2013

playlist temática: let it snow (ou "telediscos-com-neve")

Depois der ver pela enésima vez o teledisco de Last Christmas, dei por mim a elaborar mentalmente uma lista de telediscos em que aparece neve. Cheguei ao número simpático de dez, contando, obviamente, com o tema dos Wham. Aqui estão eles por ordem perfeitamente aleatória.

wham! - last christmas

Começamos esta viagem pelas curtas-metragens musicais nevosas com um dos principais êxitos de sempre da pop natalícia. Os Wham! (ou a máquina promocional por trás deles) acertaram em cheio no argumento e respetivo cenário do teledisco de Last Christmas, apontando para um público sedento de dramas passionais impossíveis: o rapaz reencontra a rapariga, um ano após terem andado embrulhados um no outro, só que, ao que parece, nada volta a ser como dantes. O resto da história é conhecida, mas podem recordá-la no primeiro texto que escrevi para a rubrica "A miúda do teledisco". O cenário é uma estância de inverno na Suiça chamada Saas-Fee, como se pode ver na inscrição do teleférico que o grupo apanha para chegar à casa no meio do bosque. A imagem aqui reproduzida mostra George Michael em perseguição da miúda, no inverno anterior, quando rebolar na neve ainda valia como prova de amor.

u2 - new year's day

Para filmar New Year's Day, os U2 - ou o realizador Meiert Avis - escolheram Salen, uma das mais populares estâncias de ski na Suécia. Foi aí que raparam um frio do catano, segundo afirma The Edge na biografia oficial do grupo, ao ponto de os quatro cavaleiros que surgem no início do video não serem o quatro rapazes de Dublin, mas sim umas meninas corajosas que não se importaram de servir de "duplos" para que os meninos não tivessem frio. Fraquinhos. As únicas imagens em que são eles mesmos são as do primeiro dia de rodagem em que aparecem a interpretar o tema. Este teledisco foi alvo de rotação intensa numa MTV que tinha pouco mais de um ano de vida.

elton john - nikita

Em Nikita, Elton John enfrenta os pouco simpáticos soldados da antiga RDA, o arame farpado e um frio de congelar a alma, tudo por uma mulher com nome de homem russo. Não estou a brincar: leiam tudo o que descobri sobre este teledisco num texto deste blogue com cerca de sete anos.
Ken Russell foi o realizador do vídeo, que tem lugar muito perto do Muro de Berlim, e cujo objetivo foi o de mostrar como era difícil para um homem do ocidente chegar perto de uma mulher do mundo comunista nos anos 80. Principalmente, usando um chapéu e um penteado daqueles, acrescento eu.

secret service - flash in the night

Os Secret Service eram suecos e, por isso, não precisaram de sair de casa para filmarem um teledisco com neve. Rodado na capital, Estocolmo, A Flash In The Night mostra-nos a banda numa alegre e bem agasalhada caminhada pela margem do lago Mälaren. E há neve, claro, muita neve. Mais adiante, quando surge uma miúda loura a patinar no gelo enquanto da sua boca saem não só um belo sorriso, mas também o ar condensado da sua respiração, o teledisco ganha uma fugaz centelha de interesse, não a suficiente, porém, para afastar a atmosfera de sensaboria gelada que atravessa o teledisco.

bryan adams - run to you

"Eh, pá, podemos filmar isto com esferovite?", terá perguntado Bryan Adams ao perceber que tinha de expor a sua guitarra a temperaturas abaixo de zero. A história não terá sido bem assim, mas lá que aquela neve parece esferovite, lá isso parece. O teledisco foi filmado entre Londres e Los Angeles e ainda contou com imagens ao vivo de um concerto grátis que Bryan deu em Vancouver, no Canadá. A história, esta verdadeira, diz-nos que Bryan e o empresário compraram pizzas e café para oferecer aos fãs que, desde as primeiras horas da madrugada, esperaram na fila para obter o bilhetinho para o concerto. Este vídeo conta com a participação da bela Lysette Anthony, motivo pelo qual escrevi um texto para a rubrica "A miúda do teledisco".

echo & the bunnymen - the cutter

Os Echo & the Bunnymen foram à Islândia para gravar o teledisco, ou parte dele, de The Cutter. O local chama-se Gullfoss ("catarata de ouro", numa tradução à letra) e é basicamente um conjunto de cataratas, algumas das quais chegam a congelar completamente. A capa do álbum Porcupine é uma fotografia da banda presente nesse local. Li aqui que um dos membros (não é especificado qual) quase caiu na catarata. A ligação a que me refiro publica imensos recortes de jornal da época, dando conta da presença da banda de Ian McCulloch no país do fogo e do gelo. Boa sorte com o vosso islandês, já agora.

the cure - pictures of you

Pictures Of You foi filmado no norte da Escócia, num local chamado Glencoe. Roger O'Donnell diz, no seu sítio oficial, que nunca sentiu tanto frio na sua vida, chegando mesmo a lamentar a gravação do vídeo (facto para o qual toda a atmosfera negativa que se vivia entre alguns membros da banda deverá também ter contribuído). Mas o realizador, Tim Pope, decidiu que a localização seria aquela e quando Tim Pope decidia, a banda aceitava. Tal como aceitou o facto de Pope ter colocado um conjunto de palmeiras artificiais para abrilhantar a performance da banda.

a-ha - hunting high and low

E chegamos a um dos telediscos que mais me fascinou nos anos 80: Hunting High And Low, dos noruegueses A-ha. No início, vemos alguém - supostamente o vocalista, Morten Harket, - a caminhar por uma paisagem de neve. Mais tarde, Morten transforma-se em águia, em tubarão e em leão através da técnica, muito avançada na altura (e fascinante para um puto de 12 ou 13 anos), do morphing. A ideia era fazer crer que o amor de um homem pode assumir várias formas só para chegar à mulher que deseja. Realizado por Steve Barron, este foi um teledisco que vi vezes sem conta sempre com o prazer da eterna novidade.

orchestral manoeuvres in the dark - maid of orleans

O cenário para o teledisco de Maid Of Orleans, dos OMD, foi Aldfield, no norte de Inglaterra, mais concretamente em dois sítios chamados Brimham Rocks e Fountains Abbey. As filmagens ocorreram no inverno rigoroso de 1981 e o realizador foi Steve Barron (sim, o mesmo de Hunting High And Low), que convidou Julia Tobin, atriz da Royal Shakespeare Company, para representar o papel de Joana D'Arc. É ela que passeia candidamente a cavalo através de uma paisagem branca e inóspita e é também ela quem joga xadrez com Paul Humphreys, junto à lareira, enquanto Andy McCluskey, à janela, olha a paisagem, interrogando-se "Se Joana D'Arc tivesse um coração, dá-lo-ia a alguém como eu?". Acho que não, Andy.

morrissey - suedehead

O vídeo para o primeiro single a solo de Morrissey foi filmado em Fairmount, no estado norteamericano de Indiana. Morrissey percorre, em autêntica peregrinação turística, a cidade que viu nascer James Dean, uma das suas maiores influências. Vêmo-lo na escola secundária que Dean frequentou, num cruzamento a ler Le Petit Prince e em muitos outros locais que transportam consigo o fantasma do ator. O teledisco está cheio de pormenores deliciosos, desde o tapete que diz "There Is A Light That Never Goes Out" à imagem de um Moz, sorridente, em cima de uma belíssima Indian Chief (para quem é leigo na matéria, como eu, trata-se de uma mota). O último minuto do vídeo mostra um Morrissey sentado junto à lápide do ator que faleceu aos 24 anos, deixando um culto mundial de enorme relevância na cultura popular.