sexta-feira, junho 11, 2021

45 rotações (XVI)

 

Paulo Alexandre
Aquela Cativa



Falamos em Paulo Alexandre e lembramo-nos imediatamente desse mega-sucesso da música ligeira portuguesa dos anos 80 chamado Verde Vinho e do refrão Vamos brindar com vinho verde que é do meu Portugal... e por aí fora.

Foi precisamente a propósito de Portugal, do seu dia ontem celebrado, mas também de Camões e das Comunidades Europeias, que recuperei dos meus arquivos um single em que Paulo Alexandre tem uma incursão pela literatura portuguesa, interpretando poemas de Luís da Camões e de Florbela Espanca. É curioso o facto de o single ter o título "Paulo Alexandre Canta Camões", ignorando a pobre Florbela, que aparece no lado B.

O Lado A apresenta, então, Aquela Cativa e o lado B Alma Perdida. O single tem a produção de António Sala, que também é responsável pela música do lado B. O lado A é creditado a Ana Paula Carreira (fez parte dos Bric A Brac, grupo que chegou a participar no Festival da Canção)

Esta é uma estreia mundial (wow!) no You Tube. Senhoras e senhores, Paulo Alexandre Canta Camões (e Florbela Espanca!)






domingo, maio 02, 2021

Depressão Total


No final da década de 80, uma banda oriunda de Vila Nova de Gaia prendeu a minha atenção. Chamavam-se Depressão Total e eram passagem recorrente nas rádios-pirata que preenchiam o éter da região do Porto. Em 1989, participaram no 6.º concurso de música moderna portuguesa do Rock Rendez-Vous e, dois anos depois, editaram o único álbum de originais da carreira, com o título Nova Crença.

Cheguei a vê-los ao vivo na discoteca Rock's, numa tarde ensolarada, com magnífica vista para a cidade do Porto. Portavam-se muito bem em palco e as músicas, não sendo portentos de originalidade, eram o suficientemente cativantes (ou catchy, como se diz em inglês) para reunir uma fiel legião de fãs. Eu era um deles.

A foto que acompanha esta publicação foi retirada da página de Facebook da banda, que mantém alguma atividade. Em 2016, houve mesmo um concerto de comemoração dos 25 anos dos Depressão Total, no bar Heaven's, no Porto.

Do meu arquivo de cassetes, consta um registo, com sonoridade ainda crua, de quatro canções que já não me lembro como chegaram até às minhas mãos. Destes quatro temas, apenas o último não faz parte do LP que editaram.

1. Tentação / 2. Encontro / 3. Pérola / 4. Visões



domingo, abril 11, 2021

Xutos & Pontapés - Cantante (Rádio Comercial) - apresentação '88'

Trago aqui uma edição do programa 'Cantante', da Rádio Comercial, na qual Luis Montez convida Tim e Zé Pedro para apresentarem '88', o quarto álbum da banda.

Estávamos em 1988 e, como fã inveterado dos Xutos, seguia a banda para todo o lado e gravava as suas presenças na rádio, como é exemplo este vídeo.

Tenho a gravação em cassete e resolvi passar isto ao digital. É uma boa recordação para todos os fãs dos Xutos.



quinta-feira, abril 01, 2021

Xutos & Pontapés: bilhetes da tour 88

Foi neste dia, há 33 anos, que os Xutos & Pontapés deram o segundo de dois concertos em Matosinhos, incluídos na digressão do álbum '88'. Foi na Discoteca Koolkat, que, mais tarde, viria a chamar-se Cais 447. Como fã inveterado da banda, que ia a todos os concertos deles na área metropolitana do Porto, estive nos dois. Ainda guardo os bilhetes.

'já sei que hei de arder na tua fogueira / mas será sempre sempre à minha maneira'



sexta-feira, fevereiro 26, 2021

45 rotações (XV)

S.A.R.L.
Self-Made Man


 Os S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana - surgiram em finais dos anos 70 pela mão de Pedro Osório, Carlos Alberto Moniz e Samuel. Editaram uns 3 ou 4 singles e participaram em duas edições do Festival RTP da Canção.

Self-Made Man foi um desses singles, editado em 1979, e que traz no lado B (ou 2, como se pode ver na contracapa), o curioso tema Poema do Pária Perante a Mercearia, uma autêntica ode às lutas das classes trabalhadoras e desfavorecidas de um Portugal ainda a dar os primeiros passos numa democracia imberbe. Segue-se o vídeo com as duas canções e a letra da canção do lado 2.



Processem o aroma do café e as andorinhas

Que comem, não pagam renda e são um péssimo exemplo!

 

Cheira a café, cheira a chá

Mas quando o cheiro me chama

A chaleira não se acha, cheira a enchidos de fama

Cheira a chouriça, a bolacha

Eu tenho a fome em pijama

E a cama não se despacha

 

Chega-me o cheque, choca sem me chocar com os dentes

Esse cheiro que me toca sem o cheque que me abone

Deixa-me água na boca

Onde os dentes entre dentes vão tocando xilofone

 

E enquanto aguento no gueto uma sopa que se coma

Os garfos das palavras que eu espeto são farpas que se cravam na redoma

 

Eu tenho a refeição no calabouço

O emprego na corda bamba

 

Minha fruta é o caroço carimbado de caramba

Meu valor é o alomba

Minha cama é a tarimba

Minha tarefa é a tromba de que em mim se marimba

Dando embora de presente caricatas vinte latas de bondade portuguesa

Que faz a correspondente comovente

Propaganda da empresa

Que de verbas se governa

E que o verbo nos coarta

Que se parta de fraterna

E despede que se farta

Na porca da hipocrisia

Que nos parte e não se importa

Eu à porta do negócio da cidade, do consócio

A cheirar a mercearia

 

Cheira a café, cheira a chá

Mas quando o cheiro me chama

A chaleira não se acha, cheira a enchidos de fama

Cheira a chouriça, a bolacha

Eu tenho a fome em pijama

E a cama não se despacha

 

Minha fruta é o caroço carimbado de caramba

Meu valor é o alomba

Minha cama é a tarimba

Minha tarefa é a tromba de que em mim se marimba

Eu à porta do negócio da cidade, do consócio

A cheirar a mercearia