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Trago aqui uma edição do programa 'Cantante', da Rádio Comercial, na qual Luis Montez convida Tim e Zé Pedro para apresentarem '88', o quarto álbum da banda.
Estávamos em 1988 e, como fã inveterado dos Xutos, seguia a banda para todo o lado e gravava as suas presenças na rádio, como é exemplo este vídeo.
Tenho a gravação em cassete e resolvi passar isto ao digital. É uma boa recordação para todos os fãs dos Xutos.
Foi neste dia, há 33 anos, que os Xutos & Pontapés deram o segundo de dois concertos em Matosinhos, incluídos na digressão do álbum '88'. Foi na Discoteca Koolkat, que, mais tarde, viria a chamar-se Cais 447. Como fã inveterado da banda, que ia a todos os concertos deles na área metropolitana do Porto, estive nos dois. Ainda guardo os bilhetes.
'já sei que hei de arder na tua fogueira / mas será sempre sempre à minha maneira'
Esta é uma gravação que fiz em finais de 1987 ou inícios de 1988, não posso precisar com absoluta certeza, em plena afirmação nacional dos Xutos & Pontapés, após terem lançado o álbum Circo de Feras. O programa era o Luso Clube e o jornalista era o Pita, que conversa com Zé Pedro durante cerca de 20 minutos.
É um Zé Pedro com 31, 32 anos, ainda algo inebriado com o sucesso colossal que Circo de Feras trouxe à banda e que permitiu aos Xutos passarem da condição de banda de culto, seguida por uma imensa minoria, a grande referência do rock nacional que esgotava pavilhões e entrava decisivamente nas tabelas de vendas nacionais.
É um Zé Pedro talvez ainda sem saber muito bem como lidar com todo aquele êxito que apanhou a banda desprevenida, mas com a consciência de estar a liderar um movimento que permitiria um segundo impulso ao rock português (através da aposta das multinacionais) e com objetivos bem vincados para o futuro, como, por exemplo, esse desejo, algo utópico, de querer a afirmação dos Xutos no estrangeiro, mas sempre a cantar em português. Não é minha intenção antecipar aqui tudo o que ele diz na entrevista, mas digo-vos que este é um documento sonoro histórico muito importante, até para percebermos o quanto importantes foram os Xutos para a evolução da indústria musical portuguesa.
Posso destacar uma frase do Zé Pedro? Cá vai: "Não sou muito de dar conselhos, porque acho que a minha vida não pode ser exemplo para as outras pessoas".
O som, por vezes, não está nas melhores condições porque a fita da cassete onde está já sofreu o dano irreparável do tempo. Este som é dedicado ao Zé Pedro, ao Tim, ao Kalú, ao João Cabeleira, ao Gui e a todos os fãs dos Xutos & Pontapés.
Ontem, um colega de trabalho apareceu com um Silvano, o meu primeiro gira-discos. Não resisti a tirar-lhe uma foto, no momento em que pôs a tocar Paulo de Carvalho, numa edição chamada "Superestrelas da Música Portuguesa". Foi num aparelho igualzinho a este que ouvi os meus primeiros vinis. Lembro-me de um modo especial das muitas noites em que colocava os singles Homem do Leme e Remar Remar, dos Xutos, com o gira-discos em silêncio (era hora de toda a gente dormir), só a escutar o ruído da agulha a percorrer as estrias do vinil. O Silvano era um compacto fabricado no Japão desde 1977 que incluía, para além de gira-discos, um leitor de cassetes e um rádio. Tinha uma tampa em plástico duro preto e podia ser transportado como se fosse uma mala de negócios. O meu perdeu-se com o tempo, muito deteriorado pelo constante e nem sempre cuidado uso. Este, do meu colega, fez-me viajar no tempo!
1985/1986. Um holandês conhece uma portuguesa em Sesimbra. Perde-lhe o rasto. 25 anos depois, o holandês coloca este vídeo no You Tube, com fundo musical de Circo de Feras, dos Xutos & Pontapés. Uma história que celebra a determinação de um homem em busca de um sonho perdido. Vamos ajudar o holandês sonhador? Eu faço a minha parte.
Já andava há uns tempos para falar disto no Queridos Anos 80, mas apenas ontem me decidi, depois de o tema surgir na página do QA80 do Facebook. As imagens que aqui publico são as de alguns dos muitos pósteres que habitaram as paredes do meu quarto de adolescente. Morrissey, Siouxsie e Xutos representam algumas das minhas paranóias musicais a partir dos 14 anos. Dos Xutos guardo a memória do meu primeiro concerto ao vivo. De Morrissey, a excelência de toda a música dos The Smiths, que devorava com amigos em minha casa. De Siouxsie, a imagem peculiar, que me agradava, e o som de Israel, ao vivo, no álbum Nocturne.
Outros houve que ocuparam as paredes do meu quarto - Ramones, The Cure, , Kim Wilde, Sandra, Eurythmics, ... - mas cujos pósteres não chegaram ao presente. Estarão por aí perdidos numa arrecadação qualquer (talvez na dos meus pais). A imagem de Madonna justifica-se porque eu, na altura, achei aquela foto tão bonita que não resisti a colocá-la. A música de Madonna não me era completamente indiferente, mas foi basicamente por razões estéticas que a afixei. Uma curiosidade que se prende com estes que aqui publico é o facto de cada um deles ter origem numa publicação diferente dos anos 80. Aqui estão representadas as revistas Bravo, Choc, Bizz e o jornal Blitz.
Outro tema recorrente era o desporto, nomeadamente o futebol. Maradona era o deus futebolístico de qualquer adolescente, mas também passaram pelo meu quarto imagens do FC Porto e de jogadores do meu clube. Também houve lugar para o ténis e para a fórmula 1, com favoritos como John McEnroe ou Nikki Lauda a terem a sua oportunidade. A minha mãe é que não gostava nada da ideia. Entre ameaças à minha integridade física e protestos porque a fita-cola estragava o papel de parede, eu lá ia levando a minha avante.
Como eu me portei bem, o Pai Natal colocou-me no sapatinho a edição em CD do mítico triplo álbum dos Xutos e Pontapés, ao vivo no Pavilhão d'Os Belenenses, no ano de 1988. Esta edição traz o concerto que a RTP transmitiu na altura e que eu gravei numa VHS que agora repousa, velhinha, uma estante dos arrumos. O vinil, que comprei na altura, já tem descendente! Que enorme prenda!
O triplo ao vivo foi editado em pleno auge comercial da banda, após os dois álbuns que os catapultaram para o topo das tabelas de vendas - Circo de Feras e 88. Na altura, estive para ir a uma destas três datas (29, 30 e 31 de Julho de 1988), mas, já não sei porquê, faltei. Eu que os acompanhava a qualquer terreola aqui à volta do Porto.