Mostrar mensagens com a etiqueta antónio sérgio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta antónio sérgio. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, novembro 20, 2014

António Sérgio: o documentário

O documentário Uivo, a que tive o privilégio de assistir  (e aqui a palavra "privilégio" assenta que nem uma luva porque foram muitos os que não o puderam fazer, ontem, no bar Passos Manuel, no Porto) é a mais que justa homenagem a António Sérgio, o radialista que nos deixou em novembro de 2009.

Como leigo na matéria que sou, abstenho-me de tecer comentários sobre quaisquer aspetos ligados à técnica cinematográfica. A minha visão é a do fã que gosta de música. A minha visão é a do rapaz dos seus 17 ou 18 anos que ouvia aquela Voz apresentar-me música nova todos os dias (ou quase) no Som da Frente. E devo dizer que foi um enorme prazer ver este trabalho de Eduardo Morais. Ele procurou as pessoas certas para falar de António Sérgio. E elas disseram tudo (ou quase tudo, porque, como disse Ana Cristina Ferrão, há muitas histórias por dizer e que, provavelmente, nunca poderão ser ditas nem escritas). Elas disseram aquilo de que estávamos à espera e que fez daquela voz uma presença tão enorme e tão decisiva nas nossas vidas de consumidores de música. E foi engraçado sair com aquela sensação de que nada do que ali foi dito constituiu propriamente uma surpresa. A presença de António Sérgio nos nossos rádios era tão forte que era como se o conhecêssemos, como se privássemos com ele através do rádio. É curioso que, atualmente, a partilha de música numa plataforma como o facebook, e mais especificamente nos grupos, também nos aproxima das pessoas e nos faz criar afinidades que, em muitos casos, nos leva a traçar-lhes um certo perfil embora não as conheçamos pessoalmente. Com António Sérgio acontecia qualquer coisa de semelhante. Pela música que passava e pelos comentários que fazia dava-se a conhecer, não só como profissional da rádio, mas também como pessoa. E por isso sentiamo-nos próximos dele.

Uivo vai voltar ao Porto, por ocasião do porto/post/doc, um festival internacional de cinema, com particular incidência na área do documentário, que acontecerá de 4 a 13 de dezembro. Quem não pôde estar ontem terá a sua oportunidade, novamente no Passos Manuel, no dia 3 de dezembro. A não perder.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

The Parachute Men

sometimes in vain he calls her name but it's not the same

Sometimes In Vain foi uma canção que se atrelou à minha memória durante vinte anos. Finalmente consegui recuperá-la. Quem ma apresentou foi António Sérgio, no seu Som da Frente, e por ela foram responsáveis os britânicos The Parachute Men.

Tiveram uma existência efémera, com dois álbuns de originais e um punhado de singles. Surgiram em Leeds, em 1985, compostos, na sua formação, por Fiona Gregg (voz), Stephen H. Gregg (guitarra), Andrew Howes (baixo e teclas) e Mark Boyce (bateria e teclas). Em Maio de 1988, lançaram um EP com Sometimes In Vain como tema principal, e três meses depois via a luz do dia o primeiro álbum, intitulado The Innocents, um trabalho bastante bem recebido pela crítica, que chegou a entrar nos cinquenta álbuns do ano do New Musical Express (Sometimes In Vain foi a trigésima-primeira canção do ano, para este jornal). Em 1990, surgiu o segundo longa-duração, Earth, Dogs, and Eggshells, já com Matthew Parkin (baixo) e Paul Walker (bateria), que tinham subsituído Howes e Boyce. Haveria mais mexidas na formação do grupo, mas o seu destino estava traçado, a dissolução ainda em inícios da década de 90. Dos fundadores, perdi o rasto à vocalista, Fiona Gregg. Quanto ao guitarrista, Stephen Gregg, é agora um eminente professor universitário de literatura inglesa. OS Parachute Men desapareceram do mapa musical. Resta-nos recordar Sometimes In Vain:


the parachute men - sometimes in vain

segunda-feira, novembro 02, 2009

Este homem ensinou-me a ouvir música

Entre as referências da nossa infância ou adolescência, para além da nossa família e professores, há aqueles nomes que, a dada altura se cruzaram no nosso caminho, com quem eventualmente até nunca falámos, mas que, por alguma razão, deixaram uma marca duradoura no nosso crescimento. No meu caso, António Sérgio, o jornalista de rádio que faleceu anteontem, está nesse grupo de pessoas sem as quais, se calhar, uma parte de mim não seria o que é hoje. Refiro-me, claro, à parte que gosta de música. Com Sérgio aprendi a ouvir música. Com o Som da Frente, percebi que havia muito mais música para além das tabelas de vendas que o TOP Disco mostrava, muita coisa que valia a pena ser escutada, ouvida, devorada. Nomes como Wire, Band Of Susans, The Pursuit Of Happiness, Ultra Vivid Scene, Pale Saints chegaram-me através da voz grave e intensa de António Sérgio. E curiosamente, no meu caso, "Som da Frente" foi, durante algum tempo, nos anos 80, uma designação para um estilo de música, dita de vanguarda, e que nos anos 90 tomaria a importação de indie. Só depois percebi que se tratava de um programa de rádio que dava a más horas, mas que, e se calhar por isso mesmo, valia a pena ouvir e sacrificar tempo de descanso.