Selecção de Todos Nós
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domingo, julho 07, 2024
45 rotações (XVII)
domingo, novembro 21, 2021
Maria Guinot - Essa Palavra Mulher
Ontem, no mercado do Jardim do Marquês, comprei este LP de Maria Guinot, uma edição de autor de 1988, com arranjos e direção musical de Pedro Osório e produção deste e da própria Maria Guinot. Com a participação de Fernando Tordo e Paulo de Carvalho, Essa Palavra Mulher foi o primeiro álbum da responsável pelo tema mais belo alguma vez escrito para o Festival da Canção. Falo, evidentemente, de Silêncio E Tanta Gente.
Uma curiosidade: a contracapa do LP traz impresso um soneto intitulado Herança, que, deduzo, seja da autoria da própria Maria Guinot. O tom é de revolta contra um certo status quo (musical?) do qual a cantautora se recusa a fazer parte.
Herança
Herdeira das invejas pequeninas
da estreiteza das ideias apressadas
das maneiras subtis tornadas finas
do escuro das decisões envenenadas
herdeira de mil fados bafientos
do espartilho de caminhos tortuosos
e de rumos quase podres, lamacentos
e de rostos que se vergam, untuosos
herdeira de um mercado de valores
que passam por benesses, por favores
e processos que, por vezes, não entendo!
Esta herança consciente rejeitei
e aqui deixo expresso o grito que lancei:
herdeira disto? Não! Eu não me vendo!
sexta-feira, junho 11, 2021
45 rotações (XVI)
Falamos em Paulo Alexandre e lembramo-nos imediatamente desse mega-sucesso da música ligeira portuguesa dos anos 80 chamado Verde Vinho e do refrão Vamos brindar com vinho verde que é do meu Portugal... e por aí fora.
Foi precisamente a propósito de Portugal, do seu dia ontem celebrado, mas também de Camões e das Comunidades Europeias, que recuperei dos meus arquivos um single em que Paulo Alexandre tem uma incursão pela literatura portuguesa, interpretando poemas de Luís da Camões e de Florbela Espanca. É curioso o facto de o single ter o título "Paulo Alexandre Canta Camões", ignorando a pobre Florbela, que aparece no lado B.
O Lado A apresenta, então, Aquela Cativa e o lado B Alma Perdida. O single tem a produção de António Sala, que também é responsável pela música do lado B. O lado A é creditado a Ana Paula Carreira (fez parte dos Bric A Brac, grupo que chegou a participar no Festival da Canção)
Esta é uma estreia mundial (wow!) no You Tube. Senhoras e senhores, Paulo Alexandre Canta Camões (e Florbela Espanca!)
domingo, maio 02, 2021
Depressão Total
No final da década de 80, uma banda oriunda de Vila Nova de Gaia prendeu a minha atenção. Chamavam-se Depressão Total e eram passagem recorrente nas rádios-pirata que preenchiam o éter da região do Porto. Em 1989, participaram no 6.º concurso de música moderna portuguesa do Rock Rendez-Vous e, dois anos depois, editaram o único álbum de originais da carreira, com o título Nova Crença.
Cheguei a vê-los ao vivo na discoteca Rock's, numa tarde ensolarada, com magnífica vista para a cidade do Porto. Portavam-se muito bem em palco e as músicas, não sendo portentos de originalidade, eram o suficientemente cativantes (ou catchy, como se diz em inglês) para reunir uma fiel legião de fãs. Eu era um deles.
A foto que acompanha esta publicação foi retirada da página de Facebook da banda, que mantém alguma atividade. Em 2016, houve mesmo um concerto de comemoração dos 25 anos dos Depressão Total, no bar Heaven's, no Porto.
Do meu arquivo de cassetes, consta um registo, com sonoridade ainda crua, de quatro canções que já não me lembro como chegaram até às minhas mãos. Destes quatro temas, apenas o último não faz parte do LP que editaram.
1. Tentação / 2. Encontro / 3. Pérola / 4. Visões
domingo, abril 11, 2021
Xutos & Pontapés - Cantante (Rádio Comercial) - apresentação '88'
Trago aqui uma edição do programa 'Cantante', da Rádio Comercial, na qual Luis Montez convida Tim e Zé Pedro para apresentarem '88', o quarto álbum da banda.
Estávamos em 1988 e, como fã inveterado dos Xutos, seguia a banda para todo o lado e gravava as suas presenças na rádio, como é exemplo este vídeo.
Tenho a gravação em cassete e resolvi passar isto ao digital. É uma boa recordação para todos os fãs dos Xutos.
sábado, abril 25, 2020
45 rotações (XIV)
Sábado à Noite
Numa tarde de arquelogia musical, na loja Muzak (Porto), chegou-me às mãos este single de 1981. A Robot Jukebox Band é a criação de um homem só, Rui de Castro Guimarães, que viveu a cena punk em Londres, criou a Warm Records, uma espécie de editora/distribuidora caseira onde o músico se ocupava de todas as funções, e ainda teve tempo para encarnar a figura do pirata da música portuguesa, numa história curiosa que agora não tem lugar neste texto.
O design da capa do disco é da responsabilidade da mulher do músico, Mary Harrison Goudie. Curioso - e irónico - é o aviso que, no canto superior esquerdo, nos alerta para o facto de "A venda deste disco só é legal com o selo-branco anti-pirata. Exija qualidade e legalidade!".
O lado A é cantado em português e narra esse ato perfeitamente universal de ir buscar a miúda de carro e levá-la a sair à noite. O lado B é cantando num inglês pouco percetível. A sonoridade eletrónica soa muito a home made e é por isso que este disco é uma preciosidade nos obscuros caminhos da música portuguesa dos anos 80.
quinta-feira, janeiro 23, 2020
45 rotações (XIII)
Os Heróis do Mar estão por direito próprio na história da pop-rock portuguesa com um conjunto de canções que marcaram a primeira metade dos anos 80 e não precisavam, digo eu, de ter feito esta brincadeira poliglota (na verdade, é só biglota) - um single (felizmente!) limitado a 2000 exemplares, que foi oferecido com o 12" polegadas "Heróis do Mar". De um lado, em inglês, Amor (Hap Hap Happy Day). Do outro, em espanhol, Pasión. Não sei qual das duas versões me causa mais urticária. É ouvir e avaliar. Serve como documento fofinho de uma época e atesta o desígnio nacional de que heróis do mar português querem-se mesmo é a cantar na língua de Camões.
quarta-feira, janeiro 08, 2020
45 rotações (XII)
sexta-feira, janeiro 03, 2020
45 rotações (XI)
Podia ter sido a nossa Sheena Easton, quem sabe até uma Madonna à portuguesa, mas, numa indústria musical feminina de tão reduzidas dimensões e tão pouco dada a sex-symbols como era a de Portugal no início dos anos 80, apenas pôde ser Fernanda. Simplesmente, Fernanda. Teria oportunidade de saborear o doce sabor da fama nos anos 90, sob a cintilante designação de Ágata, vendendo o suficiente para se consagrar como uma das figuras proeminentes do universo musical pimba - assim designado pela imprensa e depressa fixado pela voz do povo.
Nos anos 80, e enquanto não chegou o sucesso comercial a solo, Ágata, perdão, Fernanda de Sousa fez parte das Cocktail e das Doce e, a solo, participou no Festival RTP da Canção, em 1982, com a canção 'Vai Mas Vem'.
O tema pode ser ouvido aqui (assim como o lado B do single):
domingo, novembro 06, 2011
Finalmente: Psicopátria
sábado, dezembro 26, 2009
Xutos "ao triplo" no meu sapatinho
Como eu me portei bem, o Pai Natal colocou-me no sapatinho a edição em CD do mítico triplo álbum dos Xutos e Pontapés, ao vivo no Pavilhão d'Os Belenenses, no ano de 1988. Esta edição traz o concerto que a RTP transmitiu na altura e que eu gravei numa VHS que agora repousa, velhinha, uma estante dos arrumos. O vinil, que comprei na altura, já tem descendente! Que enorme prenda!O triplo ao vivo foi editado em pleno auge comercial da banda, após os dois álbuns que os catapultaram para o topo das tabelas de vendas - Circo de Feras e 88. Na altura, estive para ir a uma destas três datas (29, 30 e 31 de Julho de 1988), mas, já não sei porquê, faltei. Eu que os acompanhava a qualquer terreola aqui à volta do Porto.
domingo, novembro 08, 2009
45 rotações (V)
Formiga Formiguinha (1980)
Tó Maria Vinhas ficou na história da música portuguesa quando, em 1980, decidiu dar atenção às formigas. Numa altura em que meio mundo dirigia a sua atenção para leões, tigres, cobras e lobos, só para referir alguma da bicharada que foi tema na música pop-rock internacional, em Portugal, alguém lembrava o insecto que não voa, mas que é chato como o catano (já agora, ficam a saber que há mais de doze mil espécies em todo o mundo). Formiga, Formiguinha foi, pois, um fenómeno, em inícios dos anos 80, tendo mesmo dado origem a versões inglesa (Ant, Little Ant), francesa (Fourmi, Petite Fourmi) e italiana (Formica, Piccola Formica). Bem, esta parte foi inventada por mim, mas acho que a canção merecia projecção internacional, não só pela homenagem que o autor faz à existência sempre laboriosa e empreendedora da formiga (convém relembrar que de infantil, como muita gente pensava, esta música não tem nada, sendo mais uma espécie de hino sindicalista de elogio ao trabalhador), mas também porque a própria voz de Tó Maria Vinhas sugere o esgotamento de alguém que passou as últimas 24 horas a trabalhar sem descanso.O lado B merece também alguma reflexão porque esta poderá muito bem ser a pior música portuguesa de todos os tempos. Meu Amigo, Meu Amigo é aquele tipo de música capaz de nos deixar zangados com o mundo. Aquilo que é suposto ser um hino à amizade torna-se, a meu ver, numa arma de destruição massiva dos nossos ouvidos. E não há amigo que resista depois de ouvir algo como isto: já nem ouves o que digo/nem sequer me dás razão/larga o peso de mendigo/que este mundo é aldrabão. Ou isto: meu amigo, meu amigo/que feitiço te mordeu?/uma seta mal armada/que na boca te gemeu. (Toda a letra aqui).
Actualmente, Tó Maria Vinhas encontra-se afastado, tanto quanto sei, das gravações (em 1992, editou um álbum de fábulas de La Fontaine musicadas), mas escreve para muitos artistas pimba.
tó maria vinhas - formiga formiguinha
tó maria vinhas - meu amigo meu amigo
quarta-feira, setembro 23, 2009
ADELAIDE FERREIRA (50)
adelaide ferreira - baby suicida
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Filhos de Viriato - Maio de 1989 - Entrevista a João Aguardela
“Sentir Português”
Submetidos a um sítio, fixados num tempo, cercados pela acomodação e conformismo. Mas há quem tente forçar a corrente...
Os Sitiados procuram alertar consciências, afirmando-se amantes de um país que sentem, não pela exacerbação de gloriosos feitos passados, mas pela simplicidade e humildade do seu povo, pelo fado, pela beleza das suas paisagens, e acima de tudo, pela felicidade que passa aqui bem perto... “Junto Ao Rio”.
FILHOS DE VIRIATO: Quando surgiu o projecto SITIADOS?
JOÃO AGUARDELA: A ideia surgiu em vésperas do 5º CMM (ndr: Concurso de Música Moderna, organizado anualmente pelo Rock Rendez Vous), ainda que eu, o Zé e o Mário, já tocássemos juntos há quase 4 anos. O projecto surge há cerca de ano e meio, com a entrada do Fernando.
FV: As letras dos SITIADOS, sendo quase exclusivamente da tua autoria, reflectem apenas a tua personalidade, o teu modo de ser e estar na vida, ou por outro lado, são reflexo das ideias dos 4 elementos da banda?
JA: Acho que é difícil filtrar aquilo que eu penso daquilo que é comum a todos. Acho que cada pessoa representa um universo completamente à parte, existindo eventualmente pontos de contacto com outros universos. Não acredito que numa banda todos sintam e pensem o mesmo, seria limitar as pessoas e seria frustrante em termos de trabalho. Não acredito na uniformização, principalmente de ideias. No entanto, tudo o que canto, mesmo algumas letras do Zé, dizem-me directamente respeito, senão acho que não as conseguiria cantar, pelo menos com tanta convicção, que vem precisamente do facto de eu me identificar com aquilo que canto.
FV: Referindo uma expressão de um dos vossos temas, “esta viagem adiada, daqui para outro lugar”, gostaria de saber se os SITIADOS consideram necessário ainda termos de “ir para longe, para muito longe” (como diziam os Xutos!) para se fazer “coisas” interessantes?
JA: A “viagem adiada daqui para outro lugar” tem mais a ver com aquilo que as pessoas sentem, do que com qualquer viagem geográfica. Eu acredito sinceramente que Portugal é dos países mais fascinantes para se viver. Nós ainda não nos fartámos da vida...
“tenho a paixão de viver”
...ainda lutamos, pois sabemos que temos muito para construir. Sei que existe um certo número de coisas que teremos de ir buscar a outro sítio, a outro lugar...
“sinto esta saudade
de não ter ficado
nem de poder ficar”
...mas mesmo nesses casos, acho que o fascínio desta terra, onde podemos deixar ainda a nossa marca, faz com que as pessoas saiam e regressem para construir.
FV: A raiva interior que soltas ao cantar, tornam-te um tanto fatalista – Fado, Negro e Amália... És assim fora do palco?
JA: Não há dúvida que ser fatalista está-nos no sangue, no entanto, é como que um exercício de purificação. Primeiro, o fatalismo, a purificação, e depois, expurgados desse mesmo fatalismo, surge-nos a luta, a revolta, a construção. Isto que te estou a dizer é claro e tu, que conheces bem a nossa música, sabes disso. Ao lado do fatalismo e da solidão, existe sempre revolta e luta, mas nunca a submissão a falsos sentimentos. É pois este sentimento de revolta que pauta a minha conduta no palco e fora dele.
“Este beijo que não soube encantar
E o desejo que sinto queimar
E revolta qie não sabe sofrer
Só não quero morrer”
FV: Revolta por que ideais, por uma MMP (ndr: Música Moderna Portuguesa) que busca desesperadamente um lugar ao sol? Como encaras a actual situação da MMP?
JA: Penso que em termos de futuro as coisas vão bem encaminhadas. Existe toda uma vasta legião de bandas que vêm surgindo nas mais diversas áreas da MMP com uma enorme vontade em aumentar o interesse do público em geral.
FV: Mesmo sem as rádios livres e tudo o que elas representaram?
JA: As rádios livres foram das coisas mais importantes dos últimos anos e uma coisa com tanta importância, que mexe com a vida de todos, não poderia ficar remetida para fora do controle do governo. E está tudo dito!!!
FV: O que pretendem os SITIADOS, influenciar comportamentos, determinar atitudes?
JA: Não, de maneira nenhuma. Nem sequer nos interessa muito propor modelos. O nosso objectivo é pôr as coisas em andamento, alertar as pessoas...
“Esta eterna guerra
Que me obriga a ser
Soldado”
... para que é possível tomar o futuro nas suas próprias mãos, é possível mudar o estado das coisas, e para o facto de que a liberdade de escolha tem de ser algo sempre real, pelo qual se terá de lutar.
“Liberdade onde vais
Liberdade onde cais
Esta luta é por te amar”
João (voz e guitarra), Fernando (bateria), Zé (guitarra) e Mário (baixo), enchem-nos os ouvidos e os olhos com um som “popular português”. Que lutem contra a solidão, que sonhem alto e o futuro lhes pertença. Mas que continuem a ser eles próprios. Que o fado os abençoe.
“Aqui ao lado, ao pé do mar, só o sonho fica, só ele pode ficar”.
Ricardo Alexandre
terça-feira, janeiro 20, 2009
João Aguardela (1969-2009)
domingo, dezembro 28, 2008
LARA LI (50)
Lara Li completa hoje 50 anos e o Queridos Anos 80 não podia deixar passar a data em claro. E por duas razões. Em primeiro lugar, porque Telepatia é uma das canções-chave que atravessa a música portuguesa da década de 80. E em segundo lugar, porque o país ainda deve o justo reconhecimento a uma das vozes femininas mais doces da sua música. Este texto também só é possível porque a Kimberly lembrou, no ano passado, numa caixa de comentários, a data do aniversário de Lara Li. Obrigado, Kim!
Lara Li começa por ser feliz no nome artístico que adopta - bonito, simples, catchy, e, acima de tudo, bastante musical. De nome verdadeiro Ilídia Maria Pires de Amendoeira, nasce em Lisboa, mas a sua infância e adolescência serão passadas em Moçambique. É mesmo lá, que, em 1975, se estreia com a edição do seu primeiro single. Até ao final da década de 70, edita apenas 45 rotações. O primeiro álbum data de 1981, chama-se Água Na Boca e inclui os temas Telepatia e O Rapaz Do Cubo Mágico que foram editados em single.
A parceira artística com Ana Zanatti e Nuno Rodrgigues é já evidente, com a primeira a ser responsável pelas letras e o segundo pela produção. O Rapaz Do Cubo Mágico contou também com a produção de Victor Perdigão e Danny Antonelli. Este último disponibiliza o tema no seu sítio oficial (ligação directa: aqui).Em 1984, Lara Li edita o seu segundo longa-duração, intitulado Vem, o qual não obteve o sucesso do LP de estreia. Dois anos mais tarde, participa no Festival RTP da Canção, conquistando o Prémio de Interpretação com o tema Rapidamente, composto por Luis Represas e João Gil (A vencedora desta edição do festival é Dora, com Não Sejas Mau P'ra Mim).
O terceiro LP, e último, de Lara Li na década de 80 chega em 1988, intitulado Quimera. Trata-se de um longa-duração composto maioritariamente por versões de clássicos da música portuguesa, tais como Nem às Paredes Confesso, Quimera de Ouro, Barco Negro ou Sol de Inverno. Eu digo "maioritariamente" porque dele fazem parte os inéditos Jura da dupla Carlos Tê/Rui Veloso e Quarto Crescente de Ana Zanatti e Cris Kopke.E sua actividade discográfica sofre um hiato até ao ano de 1995, em que é editado o quarto e último álbum de originais até à data. Intitulado Consequências, este álbum é dominado tanto ao nível da composição como da produção pela figura de Fernando Girão. A partir deste momento, Lara Li intensifica um conjunto de colaborações musicais tanto ao nível televisivo (telenovelas) como da beneficência (Pirilampo Mágico). É também, ocasionalmente, convidada de outros artistas nos seus trabalhos de estúdio ou espectáculos ao vivo.
Recentemente vimo-la no programa Canta Por Mim, no qual interpretou Telepatia ao lado do locutor Júlio Magalhães. Por falar em Telepatia, gosto muito da versão que foi cantada no programa Operação Triunfo, há uns anos, pelos concorrentes Rui e Sofia.Resta-me encerrar este artigo (não costuma ser tão longo no caso dos aniversariantes...) endereçando, mais uma vez, os parabéns a Lara Li e desejando que um dia possa regressar em força à música pop portuguesa. Parabéns!
sexta-feira, dezembro 05, 2008
45 rotações (I)
Os Lusitansos (1983)
Luis Filipe Barros é um dos principais ícones da rádio dos anos 80. Foi através de programas como Rock Em Stock ou Ondas Luisianas que toda uma geração pôde estar a par do que de melhor de fazia lá fora no âmbito da música rock. Criou-se o culto e o culto sobreviveu à passagem do tempo. Luis Filipe Barros mantém a actividade com o seu Ondas Luisianas, na Antena 1.O motivo pelo qual trago este senhor da rádio ao QA80 é o single que gravou em 1983. Com o título Os Lusitansos, Barros entrava pelos domínios do rap, assinando uma das críticas mais mordazes que a música portuguesa conheceu até hoje. Tendo como pano de fundo musical o Rapper's Delight dos Sugarhill Gang, este single apresenta na capa (da responsabilidade de Paulo Roberto Araújo) um quadro em BD cheio de pormenores deliciosos sobre a História de Portugal, incluindo a situação política de então. Podemos ver um Mário Soares punk e a sua MS Band ao som de "Say you want a revolution...", um Mota Pinto motoqueiro ao som de "I'm the leader of the gang", um D. Sebastião cavalgando por entre o nevoeiro ao som de "I face the rains down in Africa..." ou o Zé Povinho a engraxar os sapatos do FMI. A letra é da autoria de Luis Filipe Barros e está simplesmente fabulosa.

Senhores professores de História e Português, aqui têm um excelente texto/canção para motivar os vossos alunos!
sábado, novembro 22, 2003
MANUELA MOURA GUEDES
Estou pouco interessado em comentar as qualidades ou os defeitos da actual apresentadora da TVI. Para mim a verdade é só uma: esta senhora cantou um dos melhores temas de sempre da música portuguesa. Com letra de Miguel Esteves Cardoso e música de Ricardo Camacho, Foram Cardos Foram Prosas é uma canção que ainda hoje ouço vezes sem conta (com o volume bem alto, de preferência).O tema data de 1981 e nele estiveram envolvidos os seguintes músicos: Ricardo Camacho (Sétima Legião) nos sintetizadores, Vítor Rua (GNR e Telectu) no baixo e na guitarra, Toli César Machado (GNR) na bateria e Tó Pinheiro da Silva (Banda do Casaco) na guitarra.
O registo discográfico de Manuela Moura Guedes inclui ainda os singles Conversa Fiada (1979) e Sonho Mau (1980), e o LP intitulado Alibi (1982), cuja instrumentalização ficou a cargo dos GNR (na altura já com o Rui Reininho). O álbum é mauzinho e dele não ficaram vestígios na música portuguesa.
Existe uma cover bem razoável do tema, pelos Ritual Tejo, mas não há nada como o original.












