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quinta-feira, novembro 25, 2021

Porto Pop Fest: Festival Internacional de Cultura Pop

"A celebration of pop culture books you can dance to" - a frase não podia ilustrar melhor o magnífico evento que irá ter lugar a partir de amanhã, no Porto, e durante três dias. Chama-se Porto Pop (https://portopop.pt/) e junta um conjunto de autores consagrados de livros sobre a música que nos une e nos salva todos os dias. A não perder.

Para além da website oficial, todos os pormenores na página do facebook do evento.



quinta-feira, setembro 08, 2011

As capas da escola


Setembro é mês de regresso às aulas e eu aproveito o facto para lembrar aquele hábito tão saudável e criativo de colar nas capas dos cadernos diários as fotos de tudo quanto era banda, cantor/cantora, retirados da Bravo, essa revista que não fez nada pelo nosso alemão, porque o que interessava mesmo eram as imagens. Tratava-se de coisa muito séria, diria mesmo, um dos mais importantes atos de afirmação pessoal perante a turma e uma ótima estratégia para convencer a miúda da carteira do lado de que éramos mesmo "tótil fixes". O que realmente interessava não era colocarmos lá aquilo que nós ouviamos ou a música de que verdeiramente gostávamos. O importante era seguir a tendência geral e arranjar imagens tão raras quanto possível (o pessoal que tinha jeito para o desenho "faturava" bastante com as miúdas).

Aqui está a frente de uma das minhas capas da escola. Está ali a Sandrinha, o Boss, o Bryan Adams e o Paul Young. A presença dos Modern Talking é um erro de casting, aliás, se repararem bem, existe uma cruz bem marcada por cima da foto deles, o que me iliba de quaisquer juízos de valor sobre os meus gostos musicais. No canto inferior direito, um dos heróis do ténis da altura, o Boris Becker, apesar de o meu ídolo ter sido sempre John Mcenroe. A menina que está descascada na foto a preto e branco é a actriz Apollonia Kotero do filme Purple Rain. Na altura não fazia a mais ínfima ideia de quem ela era, mas achei que a sua inclusão na capa se justificava plenamente.

Qualquer capa que se preze tem o chamado "outro lado da capa". Esta não fugia à regra. Aqui introduzi a paixão pelo "futebol", que era tão importante naquela altura (e ainda é). Eram os tempos de uma super-seleção da Alemanha, em que pontificavam jogadores como Jakobs, Herget e Briegel. Se reparararem, no canto inferior direito falta uma imagem que foi retirada por mim para a incluir numa outra capa. Tratava-se do meu grande ídolo da altura: Madjer. Quem segue minimanente o fenómeno futebolístico sabe de quem estou a falar. Em termos desportivos ainda houve espaço para uma foto do Boris Becker "in action".

A música, claro, volta a fazer parte desta capa, mas com menos destaque. Mesmo assim repetem-se as presenças de Springsteen (eu era doido pelo Born In The USA, álbum) e Paul Young, cujo refrão "Sempre que bazas da minha beira, levas um coche de mim contigo", me fartei de dizer a uma chavala, que nunca me deu troco. Mas adiante. Há ainda espaço para os enormes Tears For Fears, uma das minhas paranóias da altura.

Para terminar, duas referências ao cinema, uma por motivos puramente cinéfilos - Indiana Jones, a grande referência do filme de ação dos anos 80 - e outra por motivos puramente estéticos - Brooke Shields, a grande referência de alguns sonhos erótico-artísticos de muitos adolescentes.

Para juntar dois lados de uma capa, existe sempre uma lombada. Aqui vinham mesmo a calhar uns autocolantezinhos que vinham na Bravo, que funcionavam um pouco como a "chicla" no fundo do gelado Epá. Ora cá estão eles, para completar a apresentação da minha capa escolar de mil novecentos e oitenta e qualquer-coisa... Podem clicar para verem "em maior". Ei, atenção às bocas por causa dos Modern Talking, ok?

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Onde estavas tu no final da década de 80?

Há vinte anos o mundo despedia-se da década de 80. Dez anos de descoberta, evolução, libertação, mas também de ruptura, caos, morte. Eu, nos meus esplendorosos dezoito anos, aguardava ainda em Dezembro, o início do meu percurso na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que haveria de chegar apenas em Janeiro de 1990. Porque nesse longínquo ano de 1989 tive as férias mais longas da história da Humanidade (acho eu). Após a atribulada implementação de uma PGA (Prova Global de Acesso) que ninguém compreendia, ponto nevrálgico de uma reforma educativa que nada ficava a dever às Marias de Lurdes deste mundo, todos os futuros caloiros universitários do ano lectivo 89-90 tiveram direito a seis meses de boa vida. Devo ter feito tão pouca coisa de relevante durante esses seis meses que não me lembro de nada. Calculo que a minha vida se dividisse entre sair com os amigos até ao Brasília ou ao Dallas (os dois centros comerciais que a malta jovem frequentava), cuja distância permitia ir a pé, e apanhar o autocarro até às esplanadas da Foz, onde podíamos alimentar a vista com as catraias da Foz (o pessoal desta zona do Porto sempre primou pela higiénica distinção de se cumprimentar apenas com um beijo, o que me deixava fascinado). Ao fim-de-semana, as saídas à noite tinham como destinos mais que prováveis o Swing ou a Indústria. Eram os tempos do girl-hunting (sim, eu sei que a expressão é infeliz), em que uns tinham mais sorte do que outros. Eu, que não era nenhum Tom Cruise ou Richard Gere, não me posso queixar. É claro que havia sempre o lado da música, dos concertos dos Xutos, das tardes em casa de amigos a ouvir o novo dos Jesus And Mary Chain ou a reflectir dolorosamente sobre o razão do fim dos The Smiths. Mas o mais importante eram mesmo as miúdas e ai daquele que criticar opção!

O motivo deste texto tem também a ver com uma revista que guardei no dia 30 de Dezembro de 1989 - a Revista do Expresso. Nessa edição, a revista dedicou todas as suas páginas à década de 80. O título é "Para acabar de vez com os anos 80". Já não sei porquê, mas na altura achei engraçado guardá-la, sem sonhar sequer que, vinte anos volvidos, estaria a escrever sobre ela na Internet (hã?), mais concretamente num blogue (o quê?).

A capa da revista mostra um desenho do caricaturista António, que assina António 89 Dali. Percebe-se porquê (clicar na imagem para ver em pormenor). Logo na página 3 surge o texto "A década da grande promessa", da responsabilidade do então director-adjunto Joaquim Vieira. É um texto que digitalizei e publico aqui porque merece ser lido pelo seu testemunho de época. (Gostava de ter tempo e, já agora, um scanner do tamanho da revista que me permitisse digitalizá-la toda, mas tal não é possível.) Do ponto de vista mundial, Joaquim Vieira ocupa as páginas seguintes com aqueles que, na sua opinião, são as "catorze personagens da década". E lá estão os seguintes nomes, acompanhados de imagem, citação e texto do jornalista: Mikhail Gorbatchov, Deng Xiaoping, Lech Walesa, Andrei Sakharov, João Paulo II, Akio Morita, Margaret Thatcher, François Miterrand, Ronald Reagan, Muammar Kadhafy, Nelson Mandela, Yasser Arafat, Fidel Castro e o Ayatollah Ruhollah Khomeiny.

Segue-se, talvez, a secção mais divertida da revista. Ao longo de seis páginas, com o título "Flesh/Flash", Clara Ferreira Alves, Luís Coelho, Paulo Varela Gomes, Abílio Leitão, Alexandre Melo e Inês Pedrosa apresentam uma galáxia de ícones culturais da década de 80, da ciência à moda, passando pela música, pelo cinema, etc..., com imagens e comentários que traçam o perfil de toda uma década.

Nas páginas 16 e 17, a revista apresenta o artigo "Medos", não assinado, através do qual nos são apresentadas as grandes fobias (ou paranóias, se quisermos) daquele tempo: Aditivos, Cidade, Clima, Crash, Droga, Nuclear, Sexo, Sida, Solidão, Tabaco, Terceiro Mundo, e Terrorismo.

A partir daqui, e após um artigo de Eduardo Lourenço intitulado "A década mágica (do Afeganistão à anti-Comuna)", a edição apresenta a visão que várias vertentes da sociedade e do conhecimento tiveram da década que então finalizava. Em cada texto, há uma frase em detaque numa caixinha à parte. Não resisto a transcrever algumas, e a respectiva secção (eo nome do autor):

ECONOMIA INTERNACIONAL (Clara Teixeira): "Os japoneses não resistiram ao convite e lançaram-se em autênticos raids sobre empresas norte-americanas."
CIÊNCIA (José Mariano Gago): "Implícita na ciência está a esperança de exorcizar a morte, individual e planetária, através da busca do princípio de tudo."
POLÍTICA (José António Saraiva e Fernando Madrinha): Esta secção é dedicada à política portuguesa e não qualquer frase em destaque. Neste artigo, faz-se naturalmente o retrato político nacional e há nomes que não podem deixar de aparecer: Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Ramalho Eanes, Francisco Balsemão, Mário Soares, Mota Pinto, Hermínio Martinho, Vítor Constâncio, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal e Jorge Sampaio.
FILOSOFIA (Manuel Maria Carrilho): "O conceito não passa de uma palavra a funcionar no âmbito de um determindo jogo de linguagem."
FILMES (João Lopes): "A televisão irrompeu no terreno do cinema, disputando-lhe a condição de grande imaginário colectivo."
MEDIA (Francisco Rui Cádima): "São os media que criam os acontecimentos, são eles que regulam a ordem do mundo: uma ordem de restos e simulacros."
ARQUITECTURA (João Vieira Caldas e Paulo Varela Gomes): "Os grandes encomendadores são ignorantes, apáticos ou pouco inteligentes."

Pelo meio, entre outros artigos, pode ler-se um texto interessantíssimo, da responsabilidade de António Guerreiro e Paulo Varela Gomes, com o título "Ideias Feitas", que parte dos conceitos-chave à volta dos quais a década de 80 se desenvolveu: Anos 80 (a expressão em si), Comunicação, Diferença, Ecologia, Fim da História, Fraco (Pensamento), Futuro, Imagem, Liberalismo, Optimismo, Pós e Neo, Saúde, Sucesso, Tecnologia.

E a música? Deixei a secção que diz mais a este blogue para o fim. Os responsáveis pela mesma são João Lisboa e Ricardo Saló, que apresentam o resumo da década através de um jogo intitulado "O Caminho da Glória", cuja estratégia é apresentada pelos dois jornalistas da seguinte forma: "(...) pilhar, sem cerimónia, os procedimentos e objectivos de dois jogos de tabuleiro - "glória" e "trivial pursuit" - e, depois de devidamente desfigurados, ensaiar sobre eles o "plano Frankenstein" de enxerto-e-choque-eléctrico". Podem verificar em pormenor clicando nas imagens e jogar, porque não, com os amigos ou família. Como se fazia nos anos 80.

Este é o último texto do ano, aqui no QA80. Desejo-vos um óptimo 2010 e, porque não, uma década fantástica (ou pelo menos melhor do que a que agora termina).

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Prendaça


Para quem julga que sabe tudo sobre os Depeche Mode (como eu). Espero ser surpreendido. Obrigado, Rui!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Memórias do Rock Português, de Aristides Duarte

Finalmente deitei a mão ao magnífico livro de Aristides Duarte, Memórias do Rock Português, neste caso, a 3ª edição (parece que o autor tem prevista a edição de um 2º volume com informação totalmente inédita). Esta é a grande enciclopédia do rock feito em Portugal, ou, se quiserem, da música moderna portuguesa, como era denominada nos anos 80. Para além de inúmeras biografias de bandas e artistas portugueses, Aristides Duarte dá-nos a conhecer a evolução da música pop/rock em Portugal, desde os primórdios - anos 60 - até aos nossos dias, em cinco capítulos: 1- No princípio era o "yé yé"; 2- Os anos 70; 3- O boom do Rock português; 4- Os anos 90; 5- O século XXI. O livro está ainda enriquecido com entrevistas, memorabilia, dezenas de fotografias e ainda uma "Discografia Básica do Rock Português". Penso que o facto de se tratar de uma edição de autor trouxe algumas limitações à vertente gráfica/estética (ou formal) do livro, mas, neste caso, independentemente da forma, esta é uma obra que vale bem o conteúdo. Um obrigado ao Aristides Duarte por preencher esta lacuna! E, já agora, uma visitinha regular ao Rock em Portugal é obrigatória...

quinta-feira, abril 24, 2008

50 anos de música rock

Ontem comemorou-se o Dia Mundial do Livro e, como há já muito tempo não trago ao QA80 nenhuma sugestão relacionada com a escrita sobre a música dos anos 80, decidi hoje fazê-lo. A obra em questão não é apenas sobre os anos 80, como se pode concluir pelo título (e pela fotografia de capa), mas, como foi publicada originalmente em 1990, tem um valor histórico precioso por se situar tão próxima dos anos 80.

O livro tem por título 50 Anos de Música Rock (no original 50 Ans de Musique Rock) e é da autoria de Philippe Paraire. A versão portuguesa, traduzida em 1992, foi editada para Portugal pela Pergaminho. Com prefácio de José Artur (perdoem-me a ignorância, mas não faço a mais pequena ideia de quem seja), o livro está dividido em seis grande blocos, respeitando um critério de evolução cronológica:

- O tempo rock das origens: o blues (1935-1955)
- Nascimento e morte do rock'n'roll original (1954-1962)
- Os novos sons ingleses e a contracultura norte-americana (1962-1970)
- O rock comercial dos anos de transição (1970-1977)
- Rupturas e nostalgia (1977-1990)
- A música popular negra, de 1960 aos nossos dias.

"Rupturas e nostalgia" é obviamente o capítulo que entra no âmbito do QA80. A foto que introduz o tema é a de Robert Smith e, antes de elencar uma série de bandas/artistas que considera importantes na década, o autor apresenta três ensaios com os títulos "Revolução dentro da revolução: a explosão punk 1977-1980", "A new wave: rumo à acalmia (1980-1990)" e "A última cartada dos velhos rockers (1977-1990)". Depois, é o desfilar de diversos artistas, com biografias, curiosidades e destaques aos discos mais importantes. O autor preferiu ignorar a faceta pop-pastilha-elástica-teen dos anos 80, apostando nos consagrados do rock e em algumas bandas da chamada vaga alternativa. Aconselho vivamente o livro a quem é um apaixonado pelas questões da história da música, da evolução de tendências musicais e história dos próprios artistas. Vale a pena!

sábado, setembro 15, 2007

Love kills

Se fosse vivo, Fredddie Mercury faria hoje 61 anos. Os Queen teriam gravado mais uns cinco ou seis álbuns de originais, incluindo o MTV Unplugged da praxe. Freddie teria acrescentado dois ou três álbuns à sua discografia a solo. Teriam sido uma das atracções do Live 8. No resto, Freddie continuaria a mesma personagem polémica de sempre, capaz de suscitar ódios e paixões, provocador, excessivo, animal no palco, tímido, reservado e libertino na vida privada. Nestas férias, um dos livros que me acompanharam foi Freddie Mercury, Auto-Retrato, um conjunto exaustivo de excertos de entrevistas do cantor ao longo da sua vida, numa organização por temas feita por Greg Brooks e Simon Lupton, com edição da editora Campo das Letras. Não sendo um fã inveterado de Queen, gostei muito de ler este livro, precisamente pelo distanciamento que tenho em relação à banda. Foi possível conhecer em profundidade a pessoa e o artista, duas faces de uma mesma moeda que o próprio se esforçava por manter bem separadas. Valeu a pena a leitura.

terça-feira, novembro 29, 2005

Os 100 álbuns mais vendidos dos anos 80



A Editorial Estampa editou uma colecção de livros subordinada ao tema Os 100 Álbuns Mais Vendidos dos Anos 50, 60, e por aí fora... Comecei cedo o Natal e resolvi oferecer-me a mim próprio o volume respeitante aos eighties. A apresentação agrada-me bastante, pois é feita em ordem decrescente, do 100º ao álbum mais vendido da década. E em primeiro lugar está... Alguém adivinha? Não é difícil.

Cada álbum é apresentado com a reprodução da capa original, acompanhada da lista completa de faixas, duração total do álbum, músicos, participantes, dados de produção e prémios obtidos. Este é sem dúvida um documento obrigatório para quem gosta de música. Os dados relativos às vendas, segundo o editor, foram obtidos através da Associação Americana da Indústria Discográfica (RIAA) e da Indústria Fonográfica Britânica (BPI), o que me leva a concluir que este é um trabalho sério e sem grande margem de erro. No final do livro, existe um apêndice de factos e números que podem entreter a nossa curiosade musical por alguns momentos.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Prendas (2)


E que tal um livrinho? Já aqui fiz referência a três obras sobre a temática musical, que têm muito a ver com os anos 80. Primeiro foi a Encyclopaedia of Classic 80s Pop, de Daniel Blythe, uma obra de referência no que diz respeito à música que se fez nos anos 80. Depois o já mítico Escrítica Pop, de Miguel Esteves Cardoso, que teve honras de reedição no ano passado e que mostra a visão muito peculiar do escritor sobre a música que se editava em inícios da década. Finalmente, sugeri o The Rough Guide To Cult Pop, mais uma edição da colecção Rough Guides, em que a qualidade da informação só rivaliza com o humor com que os textos são escritos.

Deixo aqui uma pequena listagem de outros títulos generalistas (escritos em inglês) que encontrei pela Net.

The Virgin Encyclopaedia Of Eighties Music
Totally Awesome 80s (este vai para além da música)
The Totally Awesome 80s Pop Music Trivia Book
Who Can It Be Now? : The Lyrics Game That Takes You Back to the '80s
Post Punk Diary: 1980-1982
Tape Delay: Confessions from the Eighties Underground
The Dark Reign of Gothic Rock : In The Reptile House with The Sisters of Mercy, Bauhaus and The Cure
Our Band Could Be Your Life: Scenes from the American Indie Underground 1981-1991

Um livro sobre um artista ou banda em particular é também uma boa ideia. É só ter tempo e paciência para vasculhar a caótica secção de livros sobre música da FNAC.

sexta-feira, julho 23, 2004

The Rough Guide To Cult Pop



Voltamos aos livros. Desta vez trago-vos a minha última aquisição: The Rough Guide To Cult Pop. Esta é uma pequena (no formato) pérola para nos acompanhar nas férias. Trata-se de um livro da colecção Rough Guides, que aborda a música pop e todos os fenómenos de culto à sua volta, desde as canções mais marcantes aos artistas mais carismáticos, passando pelos géneros musicais e as modas mais excêntricas. Não se trata de um livro exclusivamente sobre os anos 80, mas contem uma grande componente eighties. O livro apresenta-se em inglês e as fotos incluídas são de grande qualidade.

O que mais me agrada neste livro, para além, como é óbvio, do conteúdo textual, é a forma como está escrito. Por vezes, este tipo de publicações cai numa certa monotonia na forma como apresenta os conteúdos. É o risco que qualquer livro de teor enciclopédico corre. Neste caso, não. Paul Simpson, o editor, e os seus colaboradores deram a este livro um tom ao mesmo tempo informativo e divertido. As fotos são acompanhadas de comentários mordazes e os textos apresentam um toque de humor que chega a ser por vezes bastante... ácido.

A capa do livro apresenta-nos uma foto cheia de Debbie Harry com todo o seu glamour. Como teaser, abro o livro na página 181, secção The Lists, e deixo-vos com o top 10 dos álbuns mais vendidos nos EUA durante a década de 80:

1. Thriller, Michael Jackson
2. Purple Rain, Prince
3. Dirty Dancing, Banda Sonora Original
4. Synchronicity, The Police
5. Business As Usual, Men At Work
6. Hi Infidelity, REO Speedwagon
7. The Wall, Pink Floyd
8. Whitney Houston, Whitney Houston
9. Faith, George Michael
10. Whitney, Whitney Houston

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Bravo (ou "Como o tempo passa, bolas!")



Chegou-me às mãos, um pouco por acaso, uma Bravo dos tempos actuais. Se ainda dúvidas houvesse sobre a implacável passagem do tempo, deixei de as ter ao ver a "sexy e imprevisível" Britney olhar para mim com ar maroto. Meu Deus, Bravo, como o tempo passa!

Quatro posters abrilhantam a edição: Avril Lavigne, Robbie Williams, Justin Timberlake e Orlando Bloom. Depois temos as estrelas das novelas, os destaques aos Black Eyed Peas, a Amy (Evanescence) e a Fred (Limp Bizkit). Como se não bastasse, as sempre úteis "Dicas para seres 1 star" ou o factor determinante para a compra da revista "Qual é o teu look de famosa?"

Esta Bravo está em português. Sinal dos tempos. Agora, duvido que algum teenager que compre esta revista, consiga imaginar, sequer, o que um adolescente como eu, na década de 80, sofria ao tentar descodificar o alemão com que era agredido, pontapeado, esmurrado, sovado em cada página que desfolhava! As imagens! Sim, as imagens é que me salvavam!



Ter a Kim Wilde na capa era meio caminho andado para comprar aquela edição. Mesmo que a frase transcrita da boca da menina me soasse a descarga de autoclismo - "So läuft meine Deutschland-Tour". Não-sei-quê-não-sei-que-mais a minha digressão na Alemanha, certo? É isso que diz, não é? Bem me parecia.

Esta edição também trazia um poster da Nena, o que, não sendo nada de especial, sempre dava para trocar por um qualquer poster da Sandra que um meu amigo tivesse.

A Bravo era muito direccionada para o público feminino. Ainda hoje é. Mas havia trunfos para fidelizar os rapazes. Eles esforçavam-se, lá isso é verdade. Havia sempre uma secção sobre futebol - foi por esta altura (esta edição é de Fevereiro de 85) que me tornei um expert na Bundesliga (para os ignorantes que não sabem alemão, Bundesliga é como se chama o campeonato de futebol alemão). Para além do pontapé na bola, havia a sempre esperada rubrica sexual, que nunca cheguei a perceber se tinha uma intenção pedagógica ou se era mais na base do "EXPERIMENTA OS VÁRIOS TIPOS DE BEIJOS AO MESMO TEMPO QUE BEBES UM SHOT" ou "COMO ACHAS QUE VAI SER A TUA PRIMEIRA VEZ DENTRO DO AUTOCARRO?" que se vêem agora nessas Ragazzas e afins. O que realmente importava era a imagem que acompanhava as resmas de texto. Às vezes recortava-a e colava na parte interior do caderno de Moral.

Acima da bela Kim, os Durões Durões, também acompanhados de uma pergunta em alemão que dizia: "Wann kommen sie live?" ("Queres comê-los vivos?"). Não, obrigado.

Para enriquecer a revista, posters de Elvis, Madonna, um jovem alemão qualquer, Nino e Nik Kershaw. Eu gramava muito Nik Kershaw... Wouldn't it be good to be in your shoes, even if it was for just one day?

sexta-feira, janeiro 23, 2004

DANIEL BLYTHE, The Encyclopaedia of Classic 80s Pop (2002)



Esta é a minha mais recente preciosidade. Vi a referência ao livro no suplemento Y do Público e corri para a FNAC. O único exemplar à venda estava em Lisboa (o resto é paisagem, pois...) Se o livro não vem até Tarzan Boy, vai Tarzan Boy até ao livro. Encomenda-se, pois. E não foi assim tão caro como estava à espera (cerca de 23 euros).

Tal como o título indica, trata-se de uma enciclopédia que percorre o que de mais importante se fez na música da década de 80, sempre num estilo informal, bem-disposto e descomplexado. As páginas centrais são ocupadas por imagens de alguns artistas e bandas fundamentais para a história da pop, acompanhadas de comentários bem-humorados de Daniel Blythe. A edição é da Allison & Busby.

Sobre o autor (retirado do livro ou do site da editora, as you wish):

"Daniel Blythe was born in Maidstone in 1969. The first single he will admit to buying was 'Souvenir' by OMD, although the first single he actually bought was 'Making Your Mind Up' by Bucks Fizz. Daniel currently lives in Yorkshire with his wife and small, noisy but loveable daughter. He can often be found wandering the hills of the Peak District, musing on such life-affirming questions as how Heaven 17 got their name, which was the best Transvision Vamp album and who was really the most fanciable one out of Bananarama. He is also the author of two acclaimed novels, The Cut and Losing Faith."

Daniel Blythe faz acompanhar cada um dos seus textos por uma avaliação (sempre subjectiva) do artista/grupo em questão. Esta avaliação não pretende classificar a qualidade da música, mas antes reflectir o grau de "imortalidade" que conseguiram atingir. Blythe opta pelas tradicionais estrelas (não leu, de certeza, o Escrítica Pop), mas acrescenta-lhes um título de uma música:

***** Eternal Flame
**** (Keep Feeling) Fascination
*** Don't You (Forget About Me)
** What Have I Done To Deserve This
* Fade To Grey

The Encyclopaedia of Classic 80s Pop está cheio de pormenores deliciosos que o tornam indispensável a qualquer amante da música dos eighties. Ah, não há tradução, pelo que não aconselho a quem nunca se deu bem com o Inglês na escola. Bem, sempre há as imagens...

MIGUEL ESTEVES CARDOSO, Escrítica Pop (1982)



Escrítica Pop foi editado em 1982 pela Editorial Querco. A capa - onde surge Ian Curtis completamente "possuído" em duas fotos - e orientação gráfica são da responsabilidade de João Segurado. É uma raridade que guardo com algum orgulho (ainda que tenha sido comprado uns 10 anos mais tarde na Feira da Vandoma, instituição portuense da livre compra e venda de tudo-aquilo-que-fôr-comprável-e-vendável), ainda que o Blitz, numa ideia mágica, se tenha lembrado de a reeditar aquando da edição mil.

O livro é composto por crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu, em Portugal e em Inglaterra, entre Abril de 1980 e Abril de 1982, para os semanários O Jornal e Se7e, revista Música e Som e o programa Café-Concerto da Rádio Comercial. Trata-se de uma colectânea de textos, portanto, a que um MEC bem-disposto chama, numa nota introdutória, "a desorganização deste livro".

O prefácio é brilhante. MEC - eterno apaixonado por Amália e Joy Division - acaba por retratar, nesse texto, o carácter efémero de toda a música pop e as contradições que ela encerra. Contradições em que todos nós acabamos por cair, mais tarde ou mais cedo.

"É claro que já me arrependi de tudo aquilo que aqui escrevi. É claro que já não gosto de nenhuma das bandas das quais disse gostar muito, e que vim a apreciar todas as outras que jurei odiar até à morte".

Para além da importância histórica deste livro, um valioso documento sobre a pop-rock de inícios dos 80, um dos seus grandes trunfos é precisamente a escrita bem-humorada e por vezes cruel de MEC. Não acredito que, na altura, houvesse muita gente a escrever assim sobre música. Hoje, há às centenas, mas sem o mesmo talento. Um dos exemplos deste tipo de abordagem é o fabuloso Como ser um Crítico de Rock - um guia prático, em que MEC começa por dizer que para se criticar um disco não é necessário ouvi-lo. E acrescenta uma série de adjectivos úteis na arte do "bota-abaixo". E que dizer da avaliação dos discos com a escala Uma bosta, Duas bostas, Três bostas e Um balde? Hilariante!

É também com um sorriso que, ao percorrermos as análises aos grupos e discos da altura, lemos as primeiras impressões de MEC sobre bandas e artistas que viriam a tornar-se marcantes ao longo da década. Diz MEC, em jeito de balanço do ano de 1980:

"Mas ainda bem que acabou - foi um mau ano para o Rock. Basta lembrar o último dos Blondie, dos Dire Straits ou do malogrado John Lennon. E a explosão das execráveis bandas da pesada (Saxon, Whitnesake, Motorhead, Iron Maiden, Triumph)! E o disco dos Yes a mielas com os Buggles! E a nova vaga de Rock-cabeleireiro (Visage, Spandau Ballet, Duran Duran)! E a desgraçada mania das gabardinas! A onda fria de John Foxx, Gary Numan e os Ultravox! Brrr... Graças a Deus que acabou - foi um mau ano para o Rock." Se7e, 31.12.80

Sobre os Spandau Ballet:

"Querem ser béu-béus de porcelana, mas parecem-se mais com caniches emperucados, daqueles que assinalam a mobília com a saudação de perna alçada e tremem como varas verdes com o barulho do seu próprio coração a bater. Enfim, mais para o chichi do que para o chique". Se7e, 14.01.81

Agora a vítima é Eric Clapton:

"Ah, é verdade, já me esquecia - Eric Clapton tem um novo single, de nome (longo bocejo e coçadela distraída nas axilas) "Black Rose". Socorro! Joy Division! Socorro!" Se7e, 25.02.81

Mais macio para os Depeche Mode:

"A avalanche futurista vai revelando uns diamantes entre os pedregulhos: os Depeche Mode não são bem diamantes, antes um pechisbeque dos menos horríveis, mas merecem uma referência. Dançáveis à moda dos Orchestral Manoeuvres e não pouco influenciados por estes, os Depeche Mode são tudo menos friorentos e utilizam o sintetizador como um auxiliar". Se7e, 18.03.81

Escrítica Pop é uma obra fundamental para quem se interessa por esta coisa chamada música. Encomendem-no ao Blitz, já!