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domingo, dezembro 29, 2013

playlist temática: let it snow (ou "telediscos-com-neve")

Depois der ver pela enésima vez o teledisco de Last Christmas, dei por mim a elaborar mentalmente uma lista de telediscos em que aparece neve. Cheguei ao número simpático de dez, contando, obviamente, com o tema dos Wham. Aqui estão eles por ordem perfeitamente aleatória.

wham! - last christmas

Começamos esta viagem pelas curtas-metragens musicais nevosas com um dos principais êxitos de sempre da pop natalícia. Os Wham! (ou a máquina promocional por trás deles) acertaram em cheio no argumento e respetivo cenário do teledisco de Last Christmas, apontando para um público sedento de dramas passionais impossíveis: o rapaz reencontra a rapariga, um ano após terem andado embrulhados um no outro, só que, ao que parece, nada volta a ser como dantes. O resto da história é conhecida, mas podem recordá-la no primeiro texto que escrevi para a rubrica "A miúda do teledisco". O cenário é uma estância de inverno na Suiça chamada Saas-Fee, como se pode ver na inscrição do teleférico que o grupo apanha para chegar à casa no meio do bosque. A imagem aqui reproduzida mostra George Michael em perseguição da miúda, no inverno anterior, quando rebolar na neve ainda valia como prova de amor.

u2 - new year's day

Para filmar New Year's Day, os U2 - ou o realizador Meiert Avis - escolheram Salen, uma das mais populares estâncias de ski na Suécia. Foi aí que raparam um frio do catano, segundo afirma The Edge na biografia oficial do grupo, ao ponto de os quatro cavaleiros que surgem no início do video não serem o quatro rapazes de Dublin, mas sim umas meninas corajosas que não se importaram de servir de "duplos" para que os meninos não tivessem frio. Fraquinhos. As únicas imagens em que são eles mesmos são as do primeiro dia de rodagem em que aparecem a interpretar o tema. Este teledisco foi alvo de rotação intensa numa MTV que tinha pouco mais de um ano de vida.

elton john - nikita

Em Nikita, Elton John enfrenta os pouco simpáticos soldados da antiga RDA, o arame farpado e um frio de congelar a alma, tudo por uma mulher com nome de homem russo. Não estou a brincar: leiam tudo o que descobri sobre este teledisco num texto deste blogue com cerca de sete anos.
Ken Russell foi o realizador do vídeo, que tem lugar muito perto do Muro de Berlim, e cujo objetivo foi o de mostrar como era difícil para um homem do ocidente chegar perto de uma mulher do mundo comunista nos anos 80. Principalmente, usando um chapéu e um penteado daqueles, acrescento eu.

secret service - flash in the night

Os Secret Service eram suecos e, por isso, não precisaram de sair de casa para filmarem um teledisco com neve. Rodado na capital, Estocolmo, A Flash In The Night mostra-nos a banda numa alegre e bem agasalhada caminhada pela margem do lago Mälaren. E há neve, claro, muita neve. Mais adiante, quando surge uma miúda loura a patinar no gelo enquanto da sua boca saem não só um belo sorriso, mas também o ar condensado da sua respiração, o teledisco ganha uma fugaz centelha de interesse, não a suficiente, porém, para afastar a atmosfera de sensaboria gelada que atravessa o teledisco.

bryan adams - run to you

"Eh, pá, podemos filmar isto com esferovite?", terá perguntado Bryan Adams ao perceber que tinha de expor a sua guitarra a temperaturas abaixo de zero. A história não terá sido bem assim, mas lá que aquela neve parece esferovite, lá isso parece. O teledisco foi filmado entre Londres e Los Angeles e ainda contou com imagens ao vivo de um concerto grátis que Bryan deu em Vancouver, no Canadá. A história, esta verdadeira, diz-nos que Bryan e o empresário compraram pizzas e café para oferecer aos fãs que, desde as primeiras horas da madrugada, esperaram na fila para obter o bilhetinho para o concerto. Este vídeo conta com a participação da bela Lysette Anthony, motivo pelo qual escrevi um texto para a rubrica "A miúda do teledisco".

echo & the bunnymen - the cutter

Os Echo & the Bunnymen foram à Islândia para gravar o teledisco, ou parte dele, de The Cutter. O local chama-se Gullfoss ("catarata de ouro", numa tradução à letra) e é basicamente um conjunto de cataratas, algumas das quais chegam a congelar completamente. A capa do álbum Porcupine é uma fotografia da banda presente nesse local. Li aqui que um dos membros (não é especificado qual) quase caiu na catarata. A ligação a que me refiro publica imensos recortes de jornal da época, dando conta da presença da banda de Ian McCulloch no país do fogo e do gelo. Boa sorte com o vosso islandês, já agora.

the cure - pictures of you

Pictures Of You foi filmado no norte da Escócia, num local chamado Glencoe. Roger O'Donnell diz, no seu sítio oficial, que nunca sentiu tanto frio na sua vida, chegando mesmo a lamentar a gravação do vídeo (facto para o qual toda a atmosfera negativa que se vivia entre alguns membros da banda deverá também ter contribuído). Mas o realizador, Tim Pope, decidiu que a localização seria aquela e quando Tim Pope decidia, a banda aceitava. Tal como aceitou o facto de Pope ter colocado um conjunto de palmeiras artificiais para abrilhantar a performance da banda.

a-ha - hunting high and low

E chegamos a um dos telediscos que mais me fascinou nos anos 80: Hunting High And Low, dos noruegueses A-ha. No início, vemos alguém - supostamente o vocalista, Morten Harket, - a caminhar por uma paisagem de neve. Mais tarde, Morten transforma-se em águia, em tubarão e em leão através da técnica, muito avançada na altura (e fascinante para um puto de 12 ou 13 anos), do morphing. A ideia era fazer crer que o amor de um homem pode assumir várias formas só para chegar à mulher que deseja. Realizado por Steve Barron, este foi um teledisco que vi vezes sem conta sempre com o prazer da eterna novidade.

orchestral manoeuvres in the dark - maid of orleans

O cenário para o teledisco de Maid Of Orleans, dos OMD, foi Aldfield, no norte de Inglaterra, mais concretamente em dois sítios chamados Brimham Rocks e Fountains Abbey. As filmagens ocorreram no inverno rigoroso de 1981 e o realizador foi Steve Barron (sim, o mesmo de Hunting High And Low), que convidou Julia Tobin, atriz da Royal Shakespeare Company, para representar o papel de Joana D'Arc. É ela que passeia candidamente a cavalo através de uma paisagem branca e inóspita e é também ela quem joga xadrez com Paul Humphreys, junto à lareira, enquanto Andy McCluskey, à janela, olha a paisagem, interrogando-se "Se Joana D'Arc tivesse um coração, dá-lo-ia a alguém como eu?". Acho que não, Andy.

morrissey - suedehead

O vídeo para o primeiro single a solo de Morrissey foi filmado em Fairmount, no estado norteamericano de Indiana. Morrissey percorre, em autêntica peregrinação turística, a cidade que viu nascer James Dean, uma das suas maiores influências. Vêmo-lo na escola secundária que Dean frequentou, num cruzamento a ler Le Petit Prince e em muitos outros locais que transportam consigo o fantasma do ator. O teledisco está cheio de pormenores deliciosos, desde o tapete que diz "There Is A Light That Never Goes Out" à imagem de um Moz, sorridente, em cima de uma belíssima Indian Chief (para quem é leigo na matéria, como eu, trata-se de uma mota). O último minuto do vídeo mostra um Morrissey sentado junto à lápide do ator que faleceu aos 24 anos, deixando um culto mundial de enorme relevância na cultura popular.

domingo, maio 05, 2013

IAN MCCULLOCH (54)

A novidade mais recente dos Echo & the Bunnymen, no que à edição discográfica diz respeito, é o álbum The Fountain, editado em 2009. É algum tempo, sim senhor, mas a banda que Ian Mcculloch e Will Sergeant insistem em manter de pé - e muito bem, a avaliar pela prestação, em 2012, na Serra do Pilar, em VN de Gaia - mantém uma vitalidade assinalável, com uma agenda de concertos bastante preenchida. Ainda ontem, tocaram em Dublin, no Festival de Camden Crawl, onde foram cabeças de cartaz.
Ian McCulloch, com quatro álbuns de originais a solo no currículo, o último dos quais lançado em 2012, em grande parte financiado pelos fãs, através da Pledgemusic - Pro Patria Mori -, surgiu em 2010 ao lado de James Dean Bradfield, dos Manic Street Preachers, na belíssima Some Kind Of Nothingness, incluída no último álbum da banda galesa. Hoje, o vocalista dos Echo & the Bunnymen completa 54 anos. Parabéns!

segunda-feira, agosto 20, 2012

The Killing Moon

O destino marcou reencontro entre mim e o 12 polegadas de The Killing Moon, dos Echo & The Bunnymen. Foi no último sábado, na loja de discos Porto Calling, no Porto. Dez euros.
Mais do que a qualidade inegável da música, aqui havia uma questão sentimental mal resolvida. Tinha-lhe perdido o rasto em finais da década de 80, talvez inícios de 90, muito provavelmente em casa de um amigo, ou de um conhecido de um amigo, ou de um amigo de um conhecido. No tempo em que o vinil rodava de casa em casa para preencher fitas de cassetes crómio. Por isso, foi mágico este reencontro. Tal como mágica é a capa deste disco. Para a música, para esta versão extended, então, não tenho palavras. Toca cá dentro.
A Porto Calling abriu em março deste ano, estará ainda a procurar o seu espaço no já bem preenchido mercado de vinil da cidade do Porto, mas apresenta-se desde logo com um toque distinto de qualidade, ou não fosse o responsável pela loja - Pedro Branco - nas palavras do António Jorge (Soundfactory), que simpaticamente me atendeu, um dos melhores negociantes de vinil da web portuguesa. Uma visita à loja dispensa, no entanto, essa informação: de letra em letra, encontramos autênticas preciosidades "vinílicas" que fazem as delícias de qualquer discografia alternativa/indie. O espaço, como podem ver pela imagem, é bastante agradável, e até há ambiente para tomar um cafezinho ao som do vinil que estiver a rodar. Neste sábado, ouvia-se Seventh Dream Of Teenage Heaven, dos Love And Rockets, por certo antecipando a vinda ao nosso país, para três concertos, de David J.

quarta-feira, julho 04, 2012

Echo & the Bunnymen em V. N. de Gaia

Foi com uma magnífica vista sobre o rio Douro e a cidade do Porto como pano de fundo que os Echo & the Bunnymen regressaram aos palcos portugueses, trinta anos depois de terem atuado em Vilar de Mouros. A noite estava fria, mas o recinto na Serra do Pilar quase encheu com uma multidão de indefetíveis da onda rock alternativa dos anos 80. Da banda original restam Ian McCulloch e Will Sergeant, a força motriz da banda que, nos anos 80, contava ainda com Les Pattinson (agora membro dos Wild Swans) e Pete de Freitas (falecido em 1989).
Para mim, foi o completar de mais uma etapa dessa tarefa árdua de ainda conseguir ver ao vivo uma série de bandas que povoaram a minha adolescência. Por isso é fácil imaginar a alegria que me encheu a alma no sábado ao ver os Echo & The Bunnymen - estão naquele patamar onde convivem bandas como os The Smiths, os Jesus And Mary Chain ou os The Sound - desfilarem uma série de músicas que fazem parte da banda sonora da minha vida. De Do It Clean a The Cutter, passando por Bring On The Dancing Horses, The Killing Moon e Seven Seas, a setlist centrou-se no catálogo das banda dos anos 80 e a malta não se queixou. A voz de Ian McCulloch permanece angelical, como se o tempo não quisesse nada com ela, e o senhor até se mostrou mais comunicativo do que eu julgava. A setlist completa pode ser vista aqui. Para mais fotos, visitem a página do facebook do Queridos Anos 80.

terça-feira, novembro 22, 2011

Fora do Baralho (ou a entrevista imaginária da Blitz)

A revista Blitz tem uma rubrica chamada "Fora do Baralho", na qual uma celebridade é entrevistada. É um daqueles esquemas de questionátio fixo, de edição para edição, variando apenas o entrevistado. Já que eles não se decidem a entrevistar-me – aviso já que a minha paciência se está a esgotar – decidi adiantar-me. Assim, podem vir aqui ao blogue tirar as respostas e poupam uns trocos no telefone. Algumas perguntas foram adaptadas à identidade deste blogue, que é sobre a música dos anos 80, como já devem ter reparado. Aqui vai disto:

Qual foi o disco dos anos 80 que o deixou assombrado?

Com cinco minutos para pensar, poderia apontar assim uns cinquenta LPs que marcaram a minha vida, mas como quero dar um ar espontâneo à coisa, atiro com Baby, The Stars Shine Bright, dos Everything But The Girl. É simplesmente um disco lindo. Como se não bastasse a voz aveludada da minha querida Tracey Thorn, este disco conta com uma coisa que eu adoro nos disco pop, que são as orquestrações. 10 pontos em 10.

Com que músico não desdenharia trocar de pele?
Já disse por várias vezes, em conversas de amigos, em tertúlias poéticas, em autocarros apinhados de gente, e até mesmo no confessionário, ao senhor padre, que, numa próxima reencarnação, gostava de ser o Bryan Ferry. As pessoas normalmente ficam espantadas e retorquem (do verbo retorquir): "mas tu, com esse charme todo, essa cultura inigualável, essa beleza estonteante, essa simpatia inebriante, para que queres ser tu outro, seu tolo?". Eu faço aquele sorriso modesto que me é tão peculiar e respondo: "para conhecer as miúdas do teledisco do Kiss and Tell".

Que concerto se arrepende mais de não ter visto?

Muito provavelmente o dos Pixies no Coliseu do Porto, na primeira vez que vieram a Portugal, em início dos anos 90. Lembro-me de ter um exame no dia seguinte e ter decidido ficar em casa a estudar (a falta de dinheiro também teve o seu peso, é certo). A minha mãezinha ficou muito orgulhosa de mim e eu quero acreditar que esse passo foi decisivo para que eu terminasse o curso. Quero mesmo acreditar nisso!


Que disco dos anos 80 não consegue apagar do seu leitor de mp3?
A resposta podia ser semelhante à da primeira pergunta, mas agora, só para variar, escolho o Live in the Hothouse, dos The Sound. Este disco está provavelmente entre os três melhores discos ao vivo dos anos 80 (os outros dois são o Under a Blood Red Sky, dos U2, e o 101, dos Depeche Mode). É um registo que reúne toda a genialidade, presença e capacidade de nos emocionar de que só Adrian Borland era capaz. Funciona como um todo perfeito, este álbum.


Que músicos dos anos 80 já o desiludiram?
Acho que os U2 acabaram por me cansar (sim, chamem-me herege!), após terem atingido a perfeição com a trilogia The Unforgettable Fire, The Joshua Tree e Achtung Baby. Não quer dizer que tenham deixado de compor boas músicas, mas perderam aquele rasgo que fazia deles verdadeiramente especiais.

Consegue associar músicas a momentos ou pessoas da sua vida?

Claro que sim. Por exemplo, sempre que ouço I Like Chopin, de Gazebo, ou Souvenir, dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, consigo viajar mentalmente até a um tempo de infância despreocupada, inocente e feliz, o tempo dos meus 10, 11, 12 anos, cuja única preocupação era saber se no dia seguinte ia conseguir finalmente completar o cubo mágico (nunca cheguei a conseguir) ou ganhar mais um jogo de futebol no pátio da minha escola (ganhei muitos). Outro exemplo são os Echo & the Bunnymen ou os The Smiths, que me fazem sempre lembrar da primeira vez que me dirigi a uma loja de discos e saí de lá com alguns debaixo do braço (descansem, que foram pagos). Fui com a minha irmã, dividimos o dinheiro, cada um comprou aquilo de que mais gostava, e foi um dia muito feliz.


Que música dos anos 80 não consegue ouvir?

Tenho alguns odiozinhos de estimação. Exemplos? Dirty Diana (Michael Jackson), In The Air Tonight (Phil Collins) ou Live Is Life (Opus). É de perder a esperança na humanidade!

sexta-feira, maio 05, 2006

IAN MCCULLOCH (47)

Wear your guilt like skin and keep your sins disguised


Serve o presente post para assinalar o quadragésimo-sétimo aniversário de uma das mais importantes personalidades da música dos últimos 25 anos: Ian McCulloch. Se estão à espera de uma dissertação sobre os Echo & the Bunnymen, podem parar por aqui. Falar sobre uma das minhas bandas preferidas de sempre merece um tipo de disposição que hoje não tenho e uma dedicação que hoje não posso dar. Porque Ian faz hoje anos e porque ele tem uma carreira a solo também ela apaixonante, o post de hoje é a ele dedicado.

O seu primeiro álbum a solo chama-se Candleland e data de 1989, altura em que decide deixar os Echo & the Bunnymen. É um dos poucos casos em que a aventura a solo não desilude após uma tão enorme qualidade na banda que liderou durante mais de 10 anos. O disco é um todo coerente que não fica atrás do que de melhor os Echo produziram, e merece ser devorado meticulosamente, particularmente em momentos como The Flickering Wall, Proud To Fall, The Cape, Candleland ou I Know You Well .

Em 1992, e numa altura em que os Echo & the Bunnymen já tinham manchado para sempre o nome da banda, gravando com novo vocalista, Ian McCulloch lançou o seu segundo trabalho a solo, Mysterio. Não tão forte como o seu antecessor, Mysterio tem, mesmo assim, um conjunto de canções que valem a pena, das quais se destacam Magical World, Close Your Eyes, Heaven's Gate e a magnífica versão do original de Leonard Cohen, Lover Lover Lover.

O resto da década de 90 não mais viu um disco a solo de Ian. Dedicado à família, à educação das filhas e afectado pela morte do pai, afastou-se da indústria discográfica... até ao momento em que o seu companheiro de sempre nos Echo, Will Sergeant, se juntou a ele para formarem o projecto Electrafixion, que lançou, em 1985, o álbum Burned. Pouco tempo depois, Les Pattison, o baixista dos Echo juntou-se-lhes e... voilà: estavam ressucitados os Echo & the Bunnymen, ainda com a saudade da perda de Pete de Freitas (1989).

A banda editou três álbuns entre 1997 e 2001, e, algo surpreendentemente, em 2003, Ian McCulloch surge com o seu terceiro disco a solo, intitulado Slideling.